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Copom reduz juros em 0,25 ponto e sinaliza cautela

jornalggn.com.br By Tatiane Correia 2026-03-18 606 words
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, iniciou o aguardado ciclo de queda dos juros com um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, após cerca de dois anos em patamar elevado.

Segundo comunicado divulgado após a reunião, o colegiado considerou adequado começar o "ciclo de calibração da política monetária", uma vez que o período prolongado de manutenção da taxa Selic em patamar contracionista mostrou sinais da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, "criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta".

A decisão, embora esperada nos últimos dias, frustrou parte do mercado, que até o início de março projetava uma redução mais intensa, de 0,5 ponto percentual.

"Ele (Banco Central) já havia sinalizado na reunião de janeiro que cumprindo confirmando o cenário esperado ele poderia fazer um ajuste. Só que o único ponto é que ele não veio ali na magnitude inicialmente o mercado esperava que seria de 0,5 ponto percentual. Mas já é um fôlego", diz Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos.

A escalada do conflito envolvendo Israel, Irã e Estados Unidos pressionou os preços internacionais do petróleo, que voltaram a superar a marca de US$ 100 por barril — fator com impacto direto sobre a inflação global e, consequentemente, sobre a política monetária brasileira.

Nos dias que antecederam a decisão, o mercado passou a dividir suas apostas entre um corte mais moderado ou até mesmo a manutenção da taxa. Indicadores como os contratos de opções negociados na bolsa já apontavam maior probabilidade de um ajuste de 0,25 ponto — cenário que acabou se confirmando.

"O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", disse o Banco Central.

Cautela diante da inflação

A decisão do Copom indica uma postura cautelosa diante de riscos inflacionários, especialmente aqueles ligados ao aumento dos combustíveis.

A alta do petróleo tende a se refletir ao longo de toda a cadeia econômica, pressionando custos de transporte, produção e, por consequência, os preços ao consumidor. Esse efeito em cascata é um dos principais pontos de atenção para a autoridade monetária neste momento.

O próximo passo será a divulgação da ata do Copom, prevista para a próxima semana, que deve detalhar a avaliação do comitê e indicar os possíveis caminhos para a política de juros.

Entre os pontos a serem observados estão:

Se o ritmo de cortes seguirá em 0,25 ponto percentual

Se há espaço para ajustes maiores adiante

Como o Banco Central avalia os impactos do cenário externo na inflação

"No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", ressalta o colegiado.

Para o economista Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos, a decisão do colegiado deixou "uma porta entreaberta para cortes de 25 pontos-base, mas também deixando implícito que em caso de uma deterioração adicional de expectativas de inflação, ou outro tipo de contaminação da economia brasileira que possa colocar os objetivos do BCB em risco, pode vir a pausar o ciclo".

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