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Milei oficializa saída da OMS e empurra Argentina para isolamento sanitário

jornalggn.com.br By Ana Gabriela Sales 2026-03-18 332 words
A Argentina consolidou nesta terça-feira (17) seu rompimento definitivo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A desfiliação ocorre exatamente um ano após a gestão de Javier Milei notificar formalmente o organismo internacional, cumprindo os prazos de transição estabelecidos pela Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados.

O anúncio da saída efetiva foi realizado pelo chanceler Pablo Quirno. Segundo o governo, a decisão é um passo estratégico para retomar a soberania sobre as políticas sanitárias nacionais, permitindo que Buenos Aires gerencie seus recursos e protocolos sem a tutela de órgãos multilaterais.

Soberania e críticas à gestão da pandemia

A movimentação de Milei espelha a postura adotada por seu principal aliado externo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A Casa Rosada fundamenta a ruptura na insatisfação com a condução técnica da OMS nos últimos anos, especialmente durante a Covid-19.

No ano passado, ao dar início ao processo de saída, o Executivo argentino foi enfático ao afirmar que "as recomendações da OMS não funcionam porque se baseiam em interesses políticos, não na ciência". Com a conclusão do rito diplomático, Quirno reforçou que o país manterá o intercâmbio de informações, mas sob novos termos.

A Argentina "continuará promovendo a cooperação internacional em saúde através de acordos bilaterais e fóruns regionais, preservando plenamente sua soberania e sua capacidade de tomar decisões sobre políticas sanitárias", afirmou o chanceler em postagem na rede social X.

Riscos ao isolamento sanitário

Apesar do tom de independência adotado pelo governo, a medida enfrenta resistência interna e externa. Especialistas em saúde pública alertam que o afastamento da OMS pode isolar o país em cenários de novas emergências sanitárias globais, dificultando o acesso a dados estratégicos e a coordenação de campanhas de vacinação em massa.

Do ponto de vista diplomático, a saída é vista como uma mensagem clara da nova política externa argentina: a substituição do multilateralismo por alianças diretas. O Ministério das Relações Exteriores especificou que o processo respeitou todos os ritos das Nações Unidas, garantindo a legalidade da retirada.

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