B
24/30
Good

Banco Central confirma primeiro corte de juros na gestão Galípolo

oantagonista.com.br By Gustavo Nogy 2026-03-18 557 words
Banco Central confirma primeiro corte de juros na gestão Galípolo

Copom reduz Selic de 15% para 14,75% ao ano na primeira reunião de 2026 com queda da taxa; conflito no Oriente Médio limita sinalização sobre os próximos passos

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) aprovou nesta quarta-feira, 18, a redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual — de 15% para 14,75% ao ano. A decisão encerra um período de quase dois anos sem cortes na Selic e marca o início do mandato de Gabriel Galípolo à frente do BC com uma mudança de direção na política monetária.

A última vez que a taxa havia recuado foi em maio de 2024, ainda sob o comando de Roberto Campos Neto. Desde junho de 2025, a Selic permanecia estacionada em 15% ao ano — o nível mais alto registrado desde julho de 2006.

Guerra gera incerteza global

Segundo a Folha, o movimento do Copom seguiu a sinalização feita na reunião anterior, em janeiro de 2026, quando o colegiado indicou a intenção de começar a afrouxar a política de juros em março. A guerra no Irã, porém, impôs cautela ao comitê.

Com o barril de petróleo chegando a aproximadamente US$ 105, o Banco Central optou pelo passo mais conservador entre as apostas do mercado. Levantamento da Bloomberg com 30 instituições financeiras mostrava que dez delas previam uma queda maior, para 14,5%, enquanto uma apostava na manutenção da taxa em 15%.

O comitê não sinalizou a magnitude dos próximos cortes, alegando um "forte aumento da incerteza". A avaliação interna é que o BC precisa de mais informações sobre a extensão e a profundidade do conflito no Oriente Médio antes de definir os próximos movimentos. A próxima reunião está agendada para os dias 28 e 29 de abril de 2026.

Inflação abre espaço para flexibilização

O recuo dos juros foi possível, em grande medida, pelo comportamento da inflação. O IPCA acumulado nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026 ficou em 3,81% — dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo BC, que aceita variações entre 1,5% e 4,5% em torno da meta central de 3%.

No modelo de meta contínua adotado pelo BC, o descumprimento só se configura quando a inflação permanece fora dessa faixa por seis meses consecutivos. A manutenção de juros elevados por período prolongado contribuiu para trazer o índice de preços ao patamar atual.

Para os próximos anos, as projeções coletadas pelo boletim Focus, divulgado em 16 de março, indicam IPCA de 3,8% em 2027 e de 3,5% em 2028. O Copom trabalha com foco no terceiro trimestre de 2027, horizonte que considera os efeitos defasados da política monetária sobre a economia.

Combustíveis e pressão sobre preços

A escalada do petróleo no mercado internacional acende um alerta para os preços dos combustíveis no Brasil. Para conter possíveis repercussões, o governo federal zerou as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o diesel até o fim do ano, medida com custo estimado de R$ 20 bilhões, e autorizou um subsídio adicional de até R$ 10 bilhões para cobrir parte do preço do produto.

Os efeitos dessas medidas sobre a inflação no médio prazo ainda são incertos. O ambiente externo também pesou sobre o Federal Reserve: o banco central americano decidiu manter os juros entre 3,5% e 3,75% pelo segundo encontro consecutivo, em decisão anunciada na mesma semana.

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic