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Copom ‘cumpre promessa’ e reduz taxa de juros para 14,75% após nove meses de estabilidade

otempo.com.br By Rodrigo Oliveira 2026-03-18 986 words
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (18/3), reduzir a taxa básica de juros (Selic) para 14,75% ao ano - um corte de 0,25 ponto percentual. A redução já era esperada pelo mercado financeiro desde a primeira reunião do ano, realizada no dia 28 de janeiro. A taxa se manteve em 15% por cinco reuniões consecutivas, entre junho do ano passado e março deste ano. Ou seja, é a primeira mudança da Selic em nove meses. A última redução foi registrada em maio de 2024.

O corte, entretanto, foi menor do que o previsto anteriormente. Na semana passada, o mercado estimava um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, mas o aumento das expectativas de inflação mudou este cenário. Entre as razões para esta revisão está o impacto econômico da guerra no Irã, com o aumento no preço do petróleo pressionando a inflação futura.

"O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", afirmou o Copom no anúncio desta quarta.

Ainda de acordo com o Copom, a decisão implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

"O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", finalizou.

Redução era aguardada

O boletim Focus, divulgado na segunda-feira (16/3), já trazia a expectativa de que a taxa seria reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. O boletim é divulgado semanalmente pelo BC com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Na reunião de janeiro, quando a taxa de 15% foi mantida, o Copom também já havia sinalizado que começaria a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantivesse sob controle e não houvesse surpresas no cenário econômico. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro ficou em 0,70%.

Redução é "realista"

Para Fabrizio Gammino, sócio da Grownt, especialista em comércio exterior, a decisão do Copom foi um movimento de prudência e realismo, alinhado à nova realidade do mercado.

"O Banco Central agiu corretamente ao optar pela cautela,
sinalizando que, embora o ciclo de cortes continue, o ritmo será ditado pelas circunstâncias, e não por um roteiro pré-definido. Foi a decisão técnica e responsável que o momento exigia", avalia.

Apesar disso, ele lembra que o Brasil ainda carrega a medalha de prata dos juros reais mais altos do mundo, na casa dos 9%. "Essa taxa, embora atraente para o capital estrangeiro, continua sendo um fardo pesado para o setor produtivo. A decisão de hoje, portanto, não resolve o problema estrutural, mas o administra de forma prudente, evitando um descolamento perigoso da política monetária americana", diz.

Para ele, é hora de reforçar a gestão de caixa, reavaliar projeções de crescimento e reforçar a busca por fontes de financiamento abaixo da média do mercado, especialmente de agentes públicos como BNDES e FINEP.

"As empresas que entenderem este recado primeiro e se adaptarem mais rápido não apenas sobreviverão, mas encontrarão oportunidades nesta nova conjuntura", aponta.

Histórico e projeção para o futuro

Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho do ano passado, sendo mantida até março deste ano - quando caiu para 14,75%.

Agora, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica, até o final de 2026, é de 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a projeção é que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.

O que é a Selic

É a taxa básica de juros da economia brasileira, definida por um comitê de especialistas do Banco Central. É o principal instrumento do BC para tentar conter o consumo e, consequentemente, a inflação do país.

Segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a inflação no Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação atingiu o acumulado de 4,26% em dezembro de 2025 e fechou o ano abaixo da meta do Banco Central (4,5%). Se a inflação se mantiver dentro do intervalo de tolerância do BC, a tendência é que a Selic seja ajustada para baixo nas próximas reuniões.

Crédito caro

O aumento da taxa Selic ajuda a conter a inflação. Isso porque juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas maiores dificultam o crescimento econômico. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central aumentou de 1,5% para 1,6% a projeção de crescimento para a economia em 2026.

O mercado projeta crescimento um pouco melhor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 1,8% do PIB em 2026.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

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