Toffoli confirma que foi sócio de resort no PR, mas nega relações com Vorcaro
O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quinta (12) que o magistrado foi sócio dos irmãos em uma empresa de participações em um resort no interior do Paraná, mas que jamais teve qualquer relação financeira com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.
A relação entre eles foi revelada após a Polícia Federal encontrar citações e conversas nos celulares do banqueiro, que teve informações vazadas na véspera e que geraram um relatório de quase 200 páginas entregue pessoalmente ao presidente do STF, Edson Fachin, pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Na nova nota divulgada nesta manhã, Toffoli admite ter sido sócio da Maridt Participações com os irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli, que deteve cotas do resort de luxo Tayayá, na cidade de Ribeirão Claro (PR), e que seria permitido pela Lei Orgânica da Magistratura (Loman), desde que não exerça atos de gestão.
"A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas. [...] Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição", diz a nota (veja na íntegra mais abaixo).
Toffoli ressalta na nota que "a Maridt é uma empresa familiar" constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado e devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal, sendo "sempre devidamente aprovadas". A participação da firma no Tayayá foi vendida a dois fundos:
Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021 – pertencente ao cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel, que chegou a ser preso pela Polícia Federal na segunda fase da operação Compliance Zero, em janeiro;
Alienação do saldo remanescente à PHD Holding em 21 de fevereiro de 2025 – a empresa pertence ao empresário e advogado Paulo Humberto Costa, que atua para a JBS, processadora de alimentos da J&F Holdings, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Apurações apontam uma negociação de R$ 3,5 milhões.
O ministro também ressaltou que deixou de fazer parte da Maridt antes de ser sorteado para relatar o caso do STF, em novembro de 2025. "Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro", pontuou.
Toffoli vinha mantendo silêncio sobre as apurações de diversos veículos de imprensa em relação ao envolvimento dele com o resort no interior do Paraná -- ele é apontado por funcionários como proprietário. Seus irmãos também chegaram a prestar informações dúbias sobre a participação no empreendimento, até que um deles, José Eugênio, confirmou a sociedade, mas sem citar o ministro.
A declaração contrastou com afirmações da própria esposa e cunhada de Toffoli, Cássia Pires Toffoli, que afirmou desconhecer qualquer ligação do marido com o resort. Por outro lado, o outro irmão do ministro, José Carlos, limitou-se a dizer um "até logo, passar bem" ao ser abordado pelo Estadão para explicar a sociedade.
VEJA TAMBÉM:
Relações financeiras com Vorcaro
Ainda na nota divulgada nesta manhã, Toffoli negou ter relações financeiras com Vorcaro, segundo apontou o relatório da Polícia Federal, que diz que ele teria recebido pagamentos do banqueiro, além de convite para uma festa e outras conversas.
"Jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel", pontuou.
Esta foi a segunda nota divulgada por Toffoli em menos de 24 horas após a revelação do relatório da Polícia Federal. Na véspera, o ministro tratou as informações como "ilações", que a corporação não tem poder jurídico de pedir sua suspeição e que ele responderá ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma resposta às afirmações.
Nota completa
Veja abaixo na íntegra a nova nota do gabinete do ministro Dias Toffoli sobre as descobertas da Polícia Federal a partir da quebra da criptografia dos celulares apreendidos do banqueiro Daniel Vorcaro:
A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.
A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.
Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.
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Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
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Relies heavily on a single official statement (primary source) but includes some secondary references to police reports and media investigations; lacks independent expert verification.
Specific Findings from the Article (3)
"O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quinta (12) que o magistrado foi sócio"
Direct statement from Toffoli's office serves as a primary source.
Primary source"A relação entre eles foi revelada após a Polícia Federal encontrar citações e conversas nos celulares do banqueiro"
References a police report as a secondary source.
Secondary source"Toffoli vinha mantendo silêncio sobre as apurações de diversos veículos de imprensa"
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"A declaração contrastou com afirmações da própria esposa e cunhada de Toffoli, Cássia Pires Toffoli, que afirmou desconhecer qualquer ligação"
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Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; article presents a coherent timeline and consistent claims.
Logic Issues Detected
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Contradiction (high)
Conflicting values for 'toffoli': 21 vs 28
"Heuristic: Values conflict between P1 and P6"
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Contradiction (high)
Conflicting values for 'the': 27 vs 21
"Heuristic: Values conflict between P3 and P4"
-
Contradiction (high)
Conflicting values for 'the': 27 vs 3.5
"Heuristic: Values conflict between P3 and P5"
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Contradiction (high)
Conflicting values for 'the': 21 vs 3.5
"Heuristic: Values conflict between P4 and P5"
Core Claims & Their Sources
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"Minister Dias Toffoli was a partner in a company that owned a resort in Paraná but had no financial relationship with banker Daniel Vorcaro."
Source: Official statement from Toffoli's office quoted extensively in the article. Primary
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"The Federal Police report suggests Toffoli received payments from Vorcaro and had conversations with him."
Source: References to the Federal Police report mentioned in the article. Named secondary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (8)
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P1
"Toffoli was a partner in Maridt Participações until February 21, 2025."
Factual In contradiction -
P2
"Maridt Participações was part of the Tayayá Ribeirão Claro group."
Factual -
P3
"The company sold shares to Fundo Arllen on September 27, 2021."
Factual In contradiction -
P4
"The remaining balance was sold to PHD Holding on February 21, 2025."
Factual In contradiction -
P5
"The transaction value was approximately R$ 3.5 million."
Factual In contradiction -
P6
"Toffoli was assigned the BRB's purchase case of Banco Master on November 28, 2025."
Factual In contradiction -
P7
"Toffoli left the company before being assigned to the case causes to avoid conflict of interest"
Causal -
P8
"Police found conversations on Vorcaro's phones causes revealing relationship between them"
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (4)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Toffoli was a partner in Maridt Participações until February 21, 2025. P2 [factual]: Maridt Participações was part of the Tayayá Ribeirão Claro group. P3 [factual]: The company sold shares to Fundo Arllen on September 27, 2021. P4 [factual]: The remaining balance was sold to PHD Holding on February 21, 2025. P5 [factual]: The transaction value was approximately R$ 3.5 million. P6 [factual]: Toffoli was assigned the BRB's purchase case of Banco Master on November 28, 2025. P7 [causal]: Toffoli left the company before being assigned to the case causes to avoid conflict of interest P8 [causal]: Police found conversations on Vorcaro's phones causes revealing relationship between them === Constraints === P1 contradicts P6 Note: Conflicting values for 'toffoli': 21 vs 28 P3 contradicts P4 Note: Conflicting values for 'the': 27 vs 21 P3 contradicts P5 Note: Conflicting values for 'the': 27 vs 3.5 P4 contradicts P5 Note: Conflicting values for 'the': 21 vs 3.5 === Causal Graph === toffoli left the company before being assigned to the case -> to avoid conflict of interest police found conversations on vorcaros phones -> revealing relationship between them === Detected Contradictions === UNSAT: P1 AND P6 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P6 UNSAT: P3 AND P4 Proof: Heuristic: Values conflict between P3 and P4 UNSAT: P3 AND P5 Proof: Heuristic: Values conflict between P3 and P5 UNSAT: P4 AND P5 Proof: Heuristic: Values conflict between P4 and P5