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Chanceler de Omã acusa ‘erro de cálculo’ dos EUA e pede fim da 'guerra ilegal' contra Irã

operamundi.uol.com.br By Tatiana Carlotti 2026-03-19 625 words
Chanceler de Omã acusa 'erro de cálculo' dos EUA e pede fim da 'guerra ilegal' contra Irã

Segundo Al Busaidi, Washington perdeu controle sobre política externa ao embarcar no argumento israelense de que haveria rendição rápida e incondicional do Estado iraniano

Os Estados Unidos não controlam mais sua política externa, afirma o
ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Al Busaidi, ao pedir o fim dos ataques contra a "guerra ilegal" no Irã, em artigo publicado nesta quarta-feira (18/03), no The Economist.

Em sua avaliação, deixar-se envolver no conflito foi "o maior erro de cálculo" da administração Trump. "Esta não é a guerra dos Estados Unidos" e "não há um cenário provável em que tanto Israel quanto os Estados Unidos consigam o que querem com ela", afirma.

"Essa é uma verdade desconfortável de se contar, porque envolve indicar até que ponto a América perdeu o controle de sua própria política externa. Mas precisa ser contado", afirma Al Busaidi, que esteve à frente da mediação nas negociações nucleares entre Washington e Teerã.

Sob o título "Os amigos da América devem ajudar a tirá-la de uma guerra ilegal", o chanceler fez um apelo pela retomada urgente dos diálogos bilaterais entre os dois países, convocando as nações aliadas aos Estados Unidos a se mobilizarem contra uma escalada ainda maior da guerra.

No artigo, ele avalia que a reação iraniana era "inevitável" e observa, no desenrolar do enclave, uma alteração da percepção estratégica dos países da região em relação a Washington.

"As nações do Golfo que dependem da cooperação militar com os Estados Unidos agora veem essa cooperação como uma vulnerabilidade séria que ameaça sua segurança atual e prosperidade futura", afirma.

'Erro de cálculo'

Al Busaidi conta que por duas vezes, ao longo de nove meses, os dois países estiveram prestes a firmar um acordo. "Foi um choque, mas não uma surpresa quando, em 28 de fevereiro, poucas horas após as mais recentes e substanciais conversas, Israel e os Estados Unidos lançaram novamente um ataque militar ilegal contra a paz que brevemente parecia realmente possível", relatou.

Segundo ele, os Estados Unidos foram convencidos pela liderança israelense de que o Irã estava enfraquecido e que uma rendição incondicional seguiria rapidamente ao ataque inicial e ao assassinato do líder supremo. No entanto, "para que Israel alcance seu objetivo declarado [de mudar o regime iraniano] será preciso uma longa campanha militar na qual os Estados Unidos teriam que comprometer tropas no terreno".

Al Busaidi também diz esperar que as ameaças de Washington pela mudança de regime no Irã, sejam apenas retórica, acrescentando que "Israel busca explicitamente a derrubada da República Islâmica e provavelmente pouco se importa como o país é governado, ou por quem, uma vez que isso tenha sido alcançado".

"A retaliação do Irã contra o que ele afirma serem alvos norte-americanos no território de seus vizinhos foi um resultado inevitável, embora profundamente lamentável e completamente inaceitável", escreveu o chanceler.

"Diante do que tanto Israel quanto os Estados Unidos descreveram como uma guerra destinada a acabar com a República Islâmica, essa provavelmente era a única opção racional disponível para a liderança iraniana", acrescentou.

Cessar-fogo

Segundo o chanceler de Omã, as duas partes nesta guerra "não têm nada a ganhar com ela", pelo contrário, "os interesses nacionais tanto do Irã quanto dos Estados Unidos estão no fim mais cedo possível das hostilidades", afirmou.

Al Busaidi mencionou que os efeitos da retaliação do Irã são sentidos globalmente, "já que o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz é severamente perturbado, elevando os preços da energia e ameaçando uma recessão profunda".

Ao analisar os impactos econômicos do conflito, ele reiterou as críticas aos responsáveis pela ofensiva: "se isso não tiver sido previsto pelos arquitetos desta guerra, certamente foi um grave erro de cálculo".

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