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Moro fecha acordo com PL e deve deixar União Brasil para disputar governo do Paraná

jornalggn.com.br By Camila Bezerra 2026-03-19 637 words
O senador Sergio Moro (União Brasil) firmou compromisso nesta quarta-feira (18) para se filiar ao PL, e disputar o governo do Paraná. A filiação deve ser oficializada em uma solenidade em Brasília na próxima semana, após reunião do parlamentar com dirigentes do atual partido e do PL na capital federal.

"É uma grande alegria estar aqui com meu amigo Sergio Moro. Ele é o nosso pré-candidato a governador do Paraná. Uma pessoa que compartilha das mesmas pautas e entende o momento que o Brasil passa", afirmou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à presidência da República.

A movimentação, no entanto, está condicionada a um fator: o PL sinalizou com a filiação de Moro caso o União Brasil decida não lançar candidatura própria ao governo paranaense. O partido de Moro integra uma federação com o PP, cujo principal dirigente no Paraná, Ricardo Barros, ex-secretário de Ratinho Jr., já comunicou à direção nacional que rejeita a candidatura do ex-juiz e apoia o atual governador.

Racha

A ida de Moro para o PL representa um rompimento direto do partido com o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), pré-candidato ao Palácio do Planalto e que pretende definir seu próprio sucessor no estado. Ratinho analisa três nomes para a sucessão: Alexandre Curi (PSD), deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa; Guto Silva (PSD), secretário de Cidades; e Rafael Greca (PSD), ex-prefeito e atual secretário de Desenvolvimento Sustentável.

O governador chega a pontuar dois dígitos em pesquisas eleitorais, com desempenho especialmente positivo na região Sul, o que o torna um ator relevante em um eventual segundo turno da disputa presidencial.

Apesar do rompimento formal, aliados de Ratinho Jr. avaliam que Flávio Bolsonaro deve apoiar Moro de forma apenas "moderada". A leitura no entorno do governador é de que Flávio precisará do engajamento de Ratinho em um eventual segundo turno e, por isso, tentará não se indispor com ele.

A tensão entre o PL e o governador paranaense, aliás, não é nova: nas eleições municipais de Curitiba em 2024, o partido indicou Paulo Martins como vice do candidato apoiado por Ratinho, Eduardo Pimentel (PSD), que venceu o pleito, mas Jair Bolsonaro ignorou a aliança e declarou apoio a Cristina Graeml, do PMB, que terminou em segundo lugar.

Moro e o PL

A aproximação atual contrasta com um histórico de conflito aberto entre Moro e o PL. Após a eleição de Moro ao Senado em 2022, o partido pediu a cassação de seu mandato ao Ministério Público Eleitoral do Paraná, alegando abuso de poder político e econômico, argumentando que o senador teria se beneficiado indevidamente de recursos usados em sua pré-campanha à presidência. Na ocasião, o PL atuou ao lado do PT, do presidente Lula.

Após o TRE do Paraná inocentar Moro, Valdemar Costa Neto recorreu ao TSE. O ministro Floriano de Azevedo Marques, no entanto, manteve o mandato do ex-juiz da Lava Jato, entendendo que não houve irregularidades na corrida eleitoral, uma vez que não há limites estabelecidos para gastos de pré-candidatos.

Risco de inelegibilidade

O PL ainda pondera um risco concreto antes de consolidar a aliança: Moro é réu em ação penal por calúnia ao ministro Gilmar Mendes, do STF. O julgamento deve ocorrer ainda em 2026, e uma eventual condenação a mais de quatro anos de pena tornaria o senador inelegível para as eleições deste ano, cenário que o partido monitora com cautela.

Moro deixou o governo Bolsonaro em abril de 2020, após um ano e quatro meses como ministro da Justiça, em meio a uma série de críticas ao então presidente. O estopim foi a decisão de Bolsonaro de substituir o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, indicado por Moro para o cargo. Apesar do racha, Moro apoiou Bolsonaro nas eleições de 2022, quando o ex-presidente foi derrotado por Lula.

*Com informações do g1 e da CNN.

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