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Ginastas brasileiras não foram expulsas da Dinamarca • Lupa

lupa.uol.com.br By Carol Macário 2026-02-09 521 words
Publicações virais no WhatsApp e no Threads sugerem que ginastas brasileiras foram expulsas da Dinamarca. O motivo seria o uso de uma música de "protesto woke" durante a apresentação em uma competição recente no país europeu. Ainda segundo os posts, elas teriam "violado" uma lei local que proíbe ataques à "sociedade hétero". É falso.

Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

"GINASTAS DO BRASIL EXPULSAS DA DINAMARCA.
Em recente competição na Dinamarca, as ginastas do Brasil apresentaram-se com música de protesto woke e foram expulsas do país por violação de uma lei local que proíbe apologia a movimentos que atacam a sociedade hétero."
– Conteúdo de post que circula no WhatsApp e no Threads que, até 6 de fevereiro de 2026, tinha 1,3 mil comentários

"GINASTAS DO BRASIL EXPULSAS DA DINAMARCA.

Em recente competição na Dinamarca, as ginastas do Brasil apresentaram-se com música de protesto woke e foram expulsas do país por violação de uma lei local que proíbe apologia a movimentos que atacam a sociedade hétero."

– Conteúdo de post que circula no WhatsApp e no Threads que, até 6 de fevereiro de 2026, tinha 1,3 mil comentários

Nenhuma equipe de ginastas que integra a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) foi expulsa recentemente da Dinamarca. Pelo calendário oficial da CBG, brasileiras não participaram de competições naquele país em 2026 nem em 2025.

Não há qualquer registro público na imprensa brasileira ou internacional sobre problemas envolvendo atletas da ginástica do Brasil na Dinamarca. Além disso, as trilhas sonoras recentes das equipes oficiais de ginastas brasileiras não tinham conotação de protesto ou em sintonia com a "agenda woke" — o termo, que em inglês significa "desperto", é usado para se referir às pautas identitárias e de diversidade. A expressão surgiu na comunidade negra dos Estados Unidos e tem sido alvo de ataques da extrema-direita.

Em 2025, por exemplo, no Mundial de Ginástica Rítmica realizado no Rio de Janeiro, as atletas brasileiras escolheram Evidências, canção de amor que ficou conhecida pela interpretação de Chitãozinho e Xororó; e Aquele Abraço, música de Gilberto Gil que homenageia a cidade do Rio.

Já as ginastas convocadas para 2026 anunciaram que vão usar o hit Abracadabra, de Lady Gaga, para defender o país nas competições deste ano. Essa música fala sobre resiliência e autossuperação — e não um protesto contra heterossexuais.

Além disso, a Dinamarca não tem em seu corpo de leis qualquer norma que proíba "ataques à sociedade heterossexual", como sugerem as publicações. Na verdade, o país tem uma das legislações mais abrangentes do mundo no que diz respeito a assegurar os direitos de pessoas LGBTQIAPN+. A Dinamarca foi a primeira nação no mundo a estabelecer, em 1989, o direito à união civil aos casais do mesmo sexo.

Calendário de competições

No calendário oficial de competições da Confederação Dinamarquesa de Ginástica (GymDanmark), não foram encontrados torneios recentes nos quais alguma equipe brasileira tenha participado.

A Federação Internacional de Ginástica (FIG,
na sigla em inglês) também não tem qualquer registro de competições recentes envolvendo diferentes países na Dinamarca.

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