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EUA relaxam sanções ao Irã para conter alta do petróleo

oantagonista.com.br By Gustavo Nogy 2026-03-21 480 words
EUA relaxam sanções ao Irã para conter alta do petróleo

Medida temporária libera venda de 140 milhões de barris em navegação, mas analistas veem impacto limitado nos preços

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira, 20, a suspensão das sanções sobre o petróleo iraniano que se encontra atualmente em trânsito marítimo. A licença temporária autoriza a venda dessas cargas à maioria dos países e tem validade até 19 de abril. A decisão foi antecipada na véspera pelo secretário Scott Bessent, que estimou o volume afetado em cerca de 140 milhões de barris.

A medida acompanha o afrouxamento das restrições ao petróleo russo, adotado na semana anterior, e integra um conjunto de ações do governo Donald Trump voltadas à redução dos preços internacionais do petróleo. O aumento do custo da gasolina nos Estados Unidos representa um problema político para os republicanos às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Pressão sobre preços motiva decisão

Segundo Bessent, os Estados Unidos têm trabalhado para colocar mais de 400 milhões de barris de petróleo no mercado desde o início de um conflito, há aproximadamente três semanas. O secretário afirmou que esse volume adicional está "minando a capacidade do Irã de tirar proveito das interrupções no Estreito de Ormuz".

A isenção não se aplica a vendas destinadas à Coreia do Norte, a Cuba ou a territórios ucranianos sob ocupação russa. Países como Malásia, Cingapura, Indonésia, Japão e Índia foram citados por Bessent como possíveis beneficiários da abertura.

Ao anunciar a medida, o secretário do Tesouro buscou atenuar a percepção de que se trata de concessão ao governo iraniano: "O Irã terá dificuldade em acessar qualquer receita gerada e os Estados Unidos continuarão a manter pressão máxima sobre o Irã e sua capacidade de acessar o sistema financeiro internacional", declarou.

Analistas questionam impacto efetivo

A despeito das projeções oficiais, especialistas do setor de energia avaliam que o efeito sobre os preços globais tende a ser limitado. A maior parte do petróleo iraniano é exportada para a China por meio de uma frota de navios que já opera à margem das sanções americanas, o que significa que esse fluxo comercial ocorre independentemente das restrições formais.

De acordo com o New York Times, analistas apontam que as cargas atualmente no mar já foram adquiridas e contabilizadas pelos compradores, o que reduziria a capacidade da licença de gerar oferta adicional de fato.

A participação do sistema bancário internacional é outro fator em aberto. Daniel Tannebaum, pesquisador do Atlantic Council e ex-integrante do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Federal Reserve de Nova York, ponderou que a disponibilidade das cargas é apenas parte do problema. "Qual banco global está financiando o comércio de petróleo iraniano, seja legal ou não", questionou.

Tannebaum descartou ainda qualquer cenário de importação direta pelos EUA: "Não vejo um cenário em que o petróleo bruto iraniano seja importado para os Estados Unidos", afirmou.

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