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Venda da BR Distribuidora domina discursos de Lula e Silveira em Betim: ‘crime de lesa-pátria’

otempo.com.br By Simon Nascimento 2026-03-20 606 words
A venda da BR Distribuidora, concretizada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), dominou os discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), durante agenda na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nesta sexta-feira, o governo anunciou, na unidade, um investimento de R$ 9 bilhões para aumentar a capacidade produtiva da Petrobras nos próximos anos. Leia também: Em Betim, Lula diz que governo vai recomprar refinaria privatizada por Bolsonaro

Tendo como pano de fundo os impactos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que geram desequilíbrios no preço dos combustíveis no Brasil, Lula e Silveira dedicaram grande parte dos discursos na Grande BH para criticar a gestão privada da distribuidora. Após a venda, a BR passou a se chamar Vibra, sendo responsável pelas redes de postos da Petrobras.

Atualmente, a Vibra é a maior distribuidora e comercializadora de combustíveis do país, com uma rede de mais de 8.000 postos e cerca de 22% de participação no mercado. Ao criticar a venda da distribuidora, Lula usou como exemplo também a negociação da Liquigás, em 2020, também na gestão de Jair Bolsonaro. "Eu comprei uma distribuidora de gás e eu comprei pra gente tentar ter controle do preço do gás entregue pela Petrobras, porque não é possível a Petrobras entregar um botijão de gás de 13 quilos por R$ 37 ou R$ 38, e ele chegar ao consumidor a R$ 150", disse Lula.

Segundo o presidente, o alto preço é fruto da atuação de 'atravessadores', ao citar os postos de venda. "Da mesma forma, eles privatizaram a BR sempre com aquele negócio de dizer que não é rentável. Mas se não fosse rentável, nenhuma empresa privada queria comprar", acrescentou o petista, ao lembrar a negociação concretizada por R$ 9,6 bilhões. Quando comentou o assunto, Lula deu uma 'bronca' a petroleiros que assistiam à cerimônia, alegando que não houve mobilização grevista para impedir a venda.

"Hoje a gente poderia ter, se a BR estivesse na nossa mão, a garantia de que o preço que a Petrobras aumenta ou não aumenta chegaria na bomba para o consumidor de etanol, para o consumidor de gasolina ou diesel. Mas como a gente não tem mais a distribuidora, a Petrobras determina o preço, esse preço sai no jornal, ganha o distribuidor e o consumidor que está chupando o dedo. Porque eles desmontaram aquilo que era uma fora de regulação da Petrobras, que era distribuidora tanto de gás, quanto de combustível", disparou o presidente.

Lesa-pátria

Ao comentar o assunto, o ministro Alexandre Silveira disse que negociação da BR pode ser classificada como um crime de 'lesa-pátria' - quando há ataques contra a soberania ou interesses fundamentais de um país. A declaração de Silveira se deu em meio às críticas a revendedores de combustíveis que, segundo ele, tem agido com irresponsabilidade ao elevar os preços de derivados de petróleo em meio à tensão no Oriente Médio.

"Se não fosse o crime lesa-pátria de vendas da nossa BR distribuidora, que se tornou uma empresa completamente privada, hoje nós teríamos condições de estar dando suprimento, de estar dando uma referência de preço muito mais confortável ao povo brasileiro", salientou o ministro. Durante o pronunciamento, Silveira destacou que o governo já multou 52 distribuidoras e 1.192 postos nos últimos três dias em ofensiva contra o encarecimento nos preços de vendas de combustíveis no país.

"Esperamos que os Procons se envolvam cada vez mais, para que a gente consiga continuar avançando na autuação aos postos de gasolina no Brasil, combatendo o cartel através dos inquéritos que já foram instalados", acrescentou.

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