Brasileiros no Líbano relatam drama da guerra: raiva, medo e incerteza
Brasileiros no Líbano relatam drama da guerra: raiva, medo e incerteza
Por JORNAL DO BRASIL [email protected]
Publicado em 21/03/2026 às 11:01
Alterado em 21/03/2026 às 11:01
Por Lucas Pordeus León - Milhares de pessoas, sob chuva e frio intenso nas ruas e estradas em cidades libanesas, compõem o cenário da guerra entre Israel e ogrupo político-militar Hezbollah. Em menos de três semanas, o conflito esvaziou o sul do Líbano, expulsou mais de 1 milhão de pessoas das próprias casas, deixou mil mortos e 2,5 mil feridos.
O libanês naturalizado brasileiro Hussein Melhem, 45 anos, mora com a família na cidade de Tiro (ou Tyre), no litoral sul do Líbano, onde os combates e bombardeios são mais intensos. Ele acordou na madrugada do dia 2 de março com o prédio tremendo e deixou a cidade.
Estava dormindo e a minha esposa me acordou assustada. Parece um terremoto os mísseis passando por cima do prédio direto para Israel. Aí saímos de casa imediatamente apenas com um pouco de roupa, conta.
Em entrevista à Agência Brasil, ele diz que a situação causa raiva, muita tristeza e incertezas.
"Estamos gastando tudo que a gente tem. Não posso voltar para trabalhar. Não consigo dormir direito por causa da preocupação. O pessoal está muito bravo com tudo isso. Estão cobrando US$ 2 mil dólares por um aluguel. Minha casa própria foi bombardeada", detalha.
O libanês-brasileiro tem uma padaria em Tiro, mas não pode mais voltar para trabalhar em razão do conflito. "No Sul, você não vê quase nenhum carro na rua. É muita destruição. Ontem bombardearam 12 pontes que acabaram com o movimento para o sul do Líbano. Tem uma ponte só", lamenta.
Pai de três filhas de 17, 15 e 7 anos, Hussein Melhem descreve o cenário das ruas cheias de famílias forçadas a abandonarem suas casas.
"As ruas, nem te falo, é muita tristeza. Você chora vendo as barracas, as pessoas embaixo da chuva, no frio", contou.
No momento, ele e a família estão em uma casa emprestada por um conhecido. Porém, precisa deixar a residência em 10 dias ou começar a pagar aluguel. Não sei o que eu vou fazer depois, estou perdido, completa.
MedoO também brasileiro-libanês Aly Bawab, de 58 anos, reside em Manaus (AM) e viajou para o Líbano para visitar a família. Ele chegou em 28 de fevereiro, primeiro dia dos ataques de Israel e Estados Unidos (EUA) contra o Irã.
A família dele também é do Sul do país. Bawab decidiu abandonar a região depois de presenciar um edifício desmoronando após ser atingido por um míssil israelense. Atualmente, está em Beirute, onde os bombardeios são diários.
"É dia e noite, não tem horário. Hoje tivemos alguns momentos de paz durante o dia, apesar dos aviões militares do inimigo ficarem ultrapassando a velocidade do som para fazer um tipo de explosão no ar e assustar as pessoas", relata.
Casado com uma libanesa e pai de três filhos, Aly conta que tenta não se desesperar para passar tranquilidade para a família.
"Medo com certeza, mas você tem que manter a calma. Mas as crianças em volta sentem. No último bombardeio, que atingiu dois apartamentos em um prédio alto aqui próximo, o corpo sentiu a vibração da explosão. O corpo treme sem você ter controle", descreve.
Aly Bawab relata que tem amigos que perderam familiares no conflito, e alguns não conseguiram sair do Sul.
"É bastante traumatizante, você vê essa situação em que você se encontra, em que as pessoas não sabem o que fazer ou quanto tempo vai durar essa guerra", completa.
Guerra se expande no LíbanoA historiadora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Beatriz Bissio, avalia que Israel vem adotando no Líbano uma estratégia semelhante à aplicada na Faixa de Gaza.
"É mais ou menos uma versão libanesa do genocídio em Gaza. O que Israel está propondo é repetir o genocídio, particularmente no sul do Líbano, uma vez que frustrou-se a expectativa da liderança israelense de ter aniquilado o Hezbollah", afirma a especialista.
Os bombardeios de Israel contra o Líbano foram intensificados com o início da guerra no Irã, depois que o Hezbollah voltou a promover ataques contra Israel, no dia 2 de março.
O Hezbollah alegou agir em retaliação aos ataques de Israel contra o Líbano nos últimos meses, e em resposta ao assassinato do líder Supremo do Irã, Ali Khamenei. Desde então, o conflito vem escalando a guerra no Oriente Médio.
Beatriz Bissio destaca que o Sul do Líbano está arrasado pelo conflito, com aldeias destruídas e colheitas paralisadas, trazendo um grande sofrimento à população civil.
"É indescritível o sofrimento da população, mas também é indescritível, no sentido inverso: a resiliência e a decisão de não abandonar essa terra. Isso porque essas populações estão lá desde tempos imemoriais, já no Império Romano eles estavam lá", pontua.
AtaquesA Força de Defesa de Israel (FDI) disse ter atingido 2 mil alvos no Líbano desde 2 de março, alegando ter assassinado ainda 570 membros do Hezbollah.
Como parte do esforço defensivo avançado, as tropas das FDI continuam as operações terrestres direcionadas no sul do Líbano, diz o comunicado do Exército israelense.
Por sua vez, o Hezbollah informa diariamente que realiza ataques e lançamentos contra alvos de Israel, tanto dentro do Líbano, quanto no Norte israelense. Somente nesta sexta-feira (20), o grupo informou ter realizado 39 operações militares.
Os mujahidin[combatentes] da Resistência Islâmica alvejaram um tanque Merkava em Baydar al-Fuqa'ani, na cidade de Taybeh, com um míssil. Eles miraram e acertaram em cheio, diz um dos comunicados do grupo libanês.
EntendaO conflito entre Israel e Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi criada em reação à invasão e ocupação de Israel no Líbano para perseguição dos grupos palestinos que buscavam refúgio no país vizinho.
Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar os israelenses do país. Ao longo dos anos, o grupo se torna um partido político com assentos no parlamento e participação nos governos.
A atual fase do conflito entre Israel e Hezbollah tem relação com a destruição da Faixa de Gaza a partir de 2023. O Hezbollah passou a lançar foguetes contra o Norte de Israel em solidariedade aos palestinos e para desgastar a Defesa israelense.
Em novembro de 2024, foi costurado um acordo de cessar fogo entre o grupo xiita e o governo do primeiro-ministro Benajmin Netanyahu, depois que Israel conseguiu matar lideranças do Hezbollah. Porém, Israel seguiu com ataques e bombardeios periódicos contra o Líbano, alegando atingir infraestrutura do Hezbollah, que evitava reagir.
O Líbano ainda foi atacado pelo governo de Israel em 2006, 2009 e 2011. (com Agência Brasil)
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Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
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Specific Findings from the Article (4)
" Estava dormindo e a minha esposa me acordou assustada. Parece um terremoto os mísseis passando por cima do prédio direto para Israel. Aí saímos "
Direct quote from a named individual (Hussein Melhem) describing personal experience.
Primary source""É dia e noite, não tem horário. Hoje tivemos alguns momentos de paz durante o dia, ap"
Direct quote from a named individual (Aly Bawab) describing current conditions.
Primary source"oA historiadora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Beatriz Bissio, avalia que Israel vem adotando no Líbano uma estratégia semelhante à aplicada na"
Named expert with credentials provided.
Expert source"sA Força de Defesa de Israel (FDI) disse ter atingido 2 mil alvos no Líbano desde 2 de março, alegando ter"
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Tertiary sourcePerspective Balance
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Specific Findings from the Article (3)
"de Gaza. "É mais ou menos uma versão libanesa do genocídio em Gaza. "
Expert uses highly charged, one-sided framing without presenting Israeli justification.
One sided" Os mujahidin[combatentes] da Resistência Islâmica alvejaram um tanque Merkava em Baydar al-Fuqa'ani, na cidade de Taybeh, com"
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One sided" alegando ter assassinado ainda 570 membros do Hezbollah. Como part"
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Statistic"aO conflito entre Israel e Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi criada em reação à i"
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Background" A atual fase do conflito entre Israel e Hezbollah tem relação com a destruição da Faixa de Gaza a partir de 2023. O Hezbolla"
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" Publicado em 21/03/2026 às 11:01 Alterado "
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Quote attribution" diz um dos comunicados do grupo libanês. EntendaO "
Attribution for Hezbollah statement.
Quote attributionLogical Coherence
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Summary
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Specific Findings from the Article (3)
" frustrou-se a expectativa da liderança israelense de ter aniquilado o Hezbollah", afirma a"
Expert claim about Israeli leadership expectations presented as fact without evidence.
Unsupported cause" frustrou-se a expectativa da liderança israelense de ter aniquilado o Hezbollah", afirma a"
Expert makes a claim about Israeli leadership's expectations and frustrations without providing evidence or source.
Logic unsupported cause" chegou em 28 de fevereiro, primeiro dia dos ataques de Israel e Estados Unidos (EUA)"
Minor inconsistency in conflict timeline: mentions March 2 as key date but also references Iran war starting February 28.
Logic temporal inconsistencyLogic Issues Detected
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Unsupported cause (medium)
Expert makes a claim about Israeli leadership's expectations and frustrations without providing evidence or source.
""frustrou-se a expectativa da liderança israelense de ter aniquilado o Hezbollah""
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Temporal inconsistency (low)
Minor inconsistency in conflict timeline: mentions March 2 as key date but also references Iran war starting February 28.
""chegou em 28 de fevereiro, primeiro dia dos ataques" vs "desde 2 de março""
-
Contradiction (high)
Conflicting values for 'the': 2 vs 1980
"Heuristic: Values conflict between P3 and P5"
Core Claims & Their Sources
-
"Brazilians in Lebanon are experiencing anger, fear, and uncertainty due to the Israel-Hezbollah conflict."
Source: Direct interviews with named Brazilian-Lebanese individuals Hussein Melhem and Aly Bawab Primary
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"Israel is applying a strategy in Lebanon similar to Gaza, described as a version of genocide."
Source: Historian and professor Beatriz Bissio from UFRJ Named secondary
-
"The conflict has displaced over 1 million people, killed 1,000, and injured 2,500."
Source: Unspecified source for casualty statistics Unattributed
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (8)
-
P1
"Hussein Melhem owns a bakery in Tyre and had to flee with his family."
Factual -
P2
"Aly Bawab witnessed a building collapse after an Israeli missile strike."
Factual -
P3
"The IDF says it has hit 2,000 targets in Lebanon since March 2."
Factual In contradiction -
P4
"Hezbollah reports 39 military operations on Friday, March 20."
Factual -
P5
"The conflict between Israel and Hezbollah dates back to the 1980s."
Factual In contradiction -
P6
"Hezbollah attacks are retaliation for Israeli attacks causes and the assassination of Iranian leader Ali Khamenei."
Causal -
P7
"Current conflict phase relates to the causes destruction of Gaza starting in 2023."
Causal -
P8
"Hezbollah began rocket attacks against causes northern Israel in solidarity with Palestinians."
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (1)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Hussein Melhem owns a bakery in Tyre and had to flee with his family. P2 [factual]: Aly Bawab witnessed a building collapse after an Israeli missile strike. P3 [factual]: The IDF says it has hit 2,000 targets in Lebanon since March 2. P4 [factual]: Hezbollah reports 39 military operations on Friday, March 20. P5 [factual]: The conflict between Israel and Hezbollah dates back to the 1980s. P6 [causal]: Hezbollah attacks are retaliation for Israeli attacks causes and the assassination of Iranian leader Ali Khamenei. P7 [causal]: Current conflict phase relates to the causes destruction of Gaza starting in 2023. P8 [causal]: Hezbollah began rocket attacks against causes northern Israel in solidarity with Palestinians. === Constraints === P3 contradicts P5 Note: Conflicting values for 'the': 2 vs 1980 === Causal Graph === hezbollah attacks are retaliation for israeli attacks -> and the assassination of iranian leader ali khamenei current conflict phase relates to the -> destruction of gaza starting in 2023 hezbollah began rocket attacks against -> northern israel in solidarity with palestinians === Detected Contradictions === UNSAT: P3 AND P5 Proof: Heuristic: Values conflict between P3 and P5