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Chappell Roan transforma Lolla em conto de fadas gótico; como foi o 2º dia

uol.com.br By Tiago Dias Do TOCA 2026-03-22 549 words
Chappell Roan transforma Lolla em conto de fadas gótico; como foi o 2º dia

Resumo

O segundo dia do Lollapalooza Brasil 2026 encontrou seu ápice em Chappell Roan, que não apenas fez frente ao público arrebatado na véspera por Sabrina Carpenter, como arrastou uma multidão própria para um espetáculo entre o burlesco e o romance gótico.

Com uma banda formada majoritariamente por mulheres, Roan apresentou um show concebido como um conto de fadas — com cenário que remetia a um castelo medieval e a própria cantora encarnando uma espécie de guerreira feminista.

Se há paralelos possíveis com o pop encenado de Carpenter, Roan se diferencia ao injetar uma pulsão roqueira em seu espetáculo. Prova disso foi a versão de "Barracuda", clássico da banda de rock norte-americana Heart.

A resposta do público veio em um mar de leques, que parece substituir de vez as palmas, enquanto a plateia cantava em uníssono faixas que vão do drama de "Picture You" ao orgasmo feminino de "Femininomenon". Inspirada também pela arte drag, a cantora se declarou: "Eu amo os gays. O Brasil tem as melhores drags", disse.

Autora da maior parte do repertório, Roan sustenta o show com composições mais robustas, cheias de pontes e refrões que se fixam com facilidade — caso de "Good Luck, Babe!", um dos pontos altos da noite.

O show deste sábado (21) também não passou ileso às tensões do dia. Antes mesmo de subir ao palco, um coro de "Foda-se o Flamengo" ecoou na grade, em reação a relatos de uma abordagem agressiva de um segurança ligado à artista contra familiares do jogador Jorginho.

Já no palco, Roan anunciou que aquela apresentação marcava o encerramento da turnê "Visions of Damsels & Other Dangerous Things". "Não sei se vou sair em turnê de novo, então queria agradecer minha equipe e meus seguranças", disse, incendiando ainda mais o público.

Antes dela, o sábado já tinha entregado um de seus shows mais potentes. Cypress Hill equilibrou boom bap clássico, músicas novas e até uma versão de 'Boomtrack", do Rage Against the Machine. Por transitar entre o rap e o rock, conquistou tanto fãs quanto curiosos.

Pouco depois, uma cena inusitada aconteceu no palco principal, antes do show de Lewis Capaldi. O cacique Raoni Metuktire, voz influente na defesa dos povos indígenas, subiu ao palco a convite de Perry Farrell, líder do Jane's Addiction e criador do Lollapalooza. Ao apresentá-lo, Farrell relembrou uma visita recente à Amazônia e a gravidade das ameaças enfrentadas pelas comunidades indígenas.

Ao longo do dia, Artistas brasileiros, que por vezes passam ao largo do grande público, como Jadsa e a banda Varanda fizeram shows que lembraram a vocação e festivais em ser vitrine para outros públicos.

Foi o caso também da estreia ao vivo da banda Foto em Grupo, formado por Ana Caetano (do duo AnaVitória), Pedro Calais (vocalista do Lagum), Otavio Cardoso, o Zani (guitarrista do Lagum) e João Ferreira (guitarra e vocais na Daparte). Em tom político, Calais disparou: "Coisas que eu odeio: galera que fala que é patriota e bate continência pra bandeira dos EUA".

A estreia de Agnes Nunes no festival também foi marcada por emoção. "Uma artista negra, nordestina, em um dos maiores palcos de um dos maiores festivais. Isso é muito gratificante. Nunca vou esquecer disso", disse, ovacionada pelo público.

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