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Refinaria de Manaus defende preço de importação e cita queda na demanda

acritica.com By Waldick Jr 2026-03-21 1132 words
Refino de petróleo

Para A CRÍTICA, Ream detalhou interrupção e retomada do refino e disse não poder garantir que recebimento de incentivos fiscais irá gerar redução de preços na bomba

Waldick Jr.

21/03/2026 às 14:06.

A refinaria retomou sua produção em novembro de 2025 (Fotos: Jeiza Russo)

Em meio à disparada mundial do preço do petróleo, a Refinaria da Amazônia (Ream) defendeu o repasse no valor dos combustíveis do Preço de Paridade de Importação (PPI) para conseguir manter sua participação no mercado local, sem desabastecimento. O mecanismo vincula os preços da refinaria ao mercado global de petróleo e ao dólar.

A empresa afirmou que a refinaria retomou sua produção em novembro de 2025, após interromper o refino por 10 meses entre abril de 2024 e janeiro de 2025, e depois de abril a outubro do mesmo ano. Hoje o refino está a 60% da capacidade em razão da queda na demanda local, argumenta a companhia (leia mais abaixo).

Na sexta-feira, a Ream abriu as portas à imprensa pela primeira vez desde a aquisição da refinaria, em 2022, pelo Grupo Atem. A empresa fez questão de mostrar as plantas de refino em funcionamento após políticos levantarem incertezas sobre o status de produção. A manutenção, diz a Ream, já estava prevista antes da privatização e se alongou por conta das estiagens de 2023 e 2024, entre outros fatores.

"A gente teve que fazer uma manutenção que incluiu desde a [área de] entrada e recebimento de barcaças e navios até a área dos dutos, tancagem, unidade de refino, fornos, caldeiras e unidade de tratamento de água", explicou o vice-presidente de refino e negócios logísticos, Fagner Jacques. "Tinha tanque operando na metade porque a parte de cima estava cheia de furos", disse.

Fagner Jacques, diretor de refino, explicou a necessidade da manutenção

CEO do Grupo Atem, Fernando Aguiar destacou que a Ream atua para garantir o abastecimento em meio à turbulência no mercado global. No processo, viram a necessidade de reajustar os preços para conseguirem manter a própria operação.

"Se o distribuidor que importa diretamente e se o trading que importa diretamente não puderem repassar o preço de paridade de importação, não vai ter importação. Acho fundamental as pessoas entenderem que estamos trabalhando com commodity. Para fazer um paralelo com a soja, se você tem lá 30 mil toneladas de soja e o preço está 100, você não vai vender por 70", disse para A CRÍTICA.

Desde fevereiro, o barril de petróleo do tipo Brent saltou de US$ 76 para US$ 119,5. Na última sexta, estava em US$ 106. Na refinaria de Manaus, a gasolina saiu de R$ 3,24 no dia 3 de março para R$ 4,32 neste sábado, uma alta de R$ 1,08. O diesel aumentou R$ 2,11, saindo de R$ 4,34 para R$ 6,45. Os valores ainda não incluem os impostos, que são adicionados nas distribuidoras antes de seguirem para os postos.

Fernando Aguiar, CEO do Grupo Atem, disse que o PPB vai permitir uma oferta competitiva para as distribuidoras

Apesar de o Amazonas ter o Polo de Urucu, em Coari, Fagner diz que a produção local não é suficiente para atender à demanda. "Quando nossa unidade de petróleo leve foi instalada, em 2000, Urucu produzia 48 mil barris por dia. Hoje produz menos de 12 mil barris por dia. Não têm condições de atender [toda] a refinaria", diz.

"Outro detalhe é que o petróleo de urucu é muito leve [...] não dá rendimento nobre, dá muita nafta e a região não consome", acrescenta. A complementação precisa ser feita com petróleo importado, explica. Hoje, há compras do Peru e do Golfo do México. Seja de Urucu ou outros países, todas baseadas no preço internacional em dólar.

Fernando Aguiar também afastou as acusações de que o Grupo Atem teria o monopólio do setor de combustíveis no estado. "Hoje o que a refinaria vende mensalmente é cerca de 30% do que é consumido nos postos de combustíveis do estado".

Segundo ele, outros 10% a 15% do mercado são abastecidos pela Petrobras, que embora não tenha mais refino local, ainda leva navios a Itacoatiara para vender combustível. O restante do mercado do Amazonas, cerca de 55%, é abastecido por importações realizadas pelas distribuidoras, sem passar pela refinaria, afirma.

O CEO do Grupo Atem citou este dado, inclusive, para explicar o porquê de a refinaria não estar operando com 100% da capacidade. "Se a gente comparar com o período em que a Petrobras operava a planta, essa demanda caiu. As distribuidoras, desde que o Grupo Atem adquiriu a refinaria, reduziram de maneira importante os pedidos".

Quando a refinaria foi adquirida por um grupo que já atuava na distribuição e com franquias de postos, havia um receio de que as empresas concorrentes fossem prejudicadas propositadamente. Fernando reforçou que isso nunca ocorreu, mas que as distribuidoras passaram a procurar mais alternativas de compra dos produtos.

Refinaria da Amazônia destacou que opera com 60% da capacidade

A reportagem questionou ao vice-presidente de refino e negócios logísticos, Fagner Jacques, se o desarranjo no mercado internacional do petróleo não seria um fator importante para aumentar a produção de combustíveis na Ream. "Não temos tido essa referência do mercado local para colocar mais pedidos", respondeu.

O CEO do Grupo Atem, Fernando Aguiar, afirmou que a publicação da portaria que define o Processo Produtivo Básico (PPB) para derivados do petróleo na Zona Franca de Manaus será essencial para o refino na região. O PPB é a 'receita' que define o que a empresa precisa fazer para receber os incentivos fiscais no modelo ZFM.

"Isso é importante, porque sem esse incentivo, a produção de combustíveis a partir do refino não é competitiva aqui. Então, o incentivo é importante para a indústria e vale, obviamente, para qualquer agente que se instalar aqui. Vale dizer que apesar de ter sido aprovado na reforma no final do ano retrasado, ele tem um processo longo até a gente poder de fato usufruir desse benefício", explicou.

Segundo o executivo, a próxima fase inclui a apresentação de um projeto, pelo Grupo Atem, à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Aprovado nas instâncias devidas, o incentivo poderá, então, ser aplicado.

Apesar deste futuro benefício, Fernando afirma que a empresa não pode garantir que a redução dos custos (considerando isenção de tributos) se refletirá na queda do preço dos combustíveis.

(Divulgação)

"O PPB vai permitir que a gente tenha uma oferta competitiva para as distribuidoras. Se essa oferta vai se transformar em preços menores no fim da cadeia, é uma afirmação que a gente não consegue fazer, porque a nossa venda acontece para as distribuidoras", disse, reforçando que a Ream não dita o preço final nas bombas.

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