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Focus, dados do Japão e petróleo sob pressão: o que move os mercados

exame.com By Clara Assunção 2026-03-23 649 words
O que move os mercados: agenda econômica com dados no Brasil, Europa e Ásia, mas sob um pano de fundo que deve ditar o ritmo dos mercados desde a abertura: a nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã

Clara Assunção

Repórter

Publicado em 23 de março de 2026 às 05h30.

A segunda-feira, 23, começa com uma agenda econômica com dados no Brasil, Europa e Ásia, mas sob um pano de fundo que deve ditar o ritmo dos mercados desde a abertura: a nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Com o petróleo no centro das atenções, os indicadores do dia entram mais como termômetro do que como gatilho para os ativos.

Logo pela manhã, às 8h25, o Banco Central do Brasil divulga a Boletim Focus, termômetro das projeções do mercado para inflação, juros e crescimento — variáveis que ganharam ainda mais importância em meio à recente piora das expectativas.

À tarde, às 15h, sai a balança comercial semanal, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) publica a sondagem da construção, indicador relevante para medir o pulso da atividade doméstica.

No exterior, o destaque do dia fica com a Comissão Europeia, que divulga, ao meio-dia, a confiança do consumidor da zona do euro referente a março.

Já à noite, às 21h30, a agenda asiática ganha peso com dados do Japão, que divulga a inflação ao consumidor (CPI) e uma bateria de índices PMI — industrial, de serviços e composto — divulgados pela S&P Global, oferecendo sinais sobre o ritmo da atividade na terceira maior economia do mundo.

Apesar da agenda cheia, o pano de fundo segue sendo geopolítico — e com potencial direto sobre os mercados. Após uma semana marcada por forte volatilidade, impulsionada pela disparada do petróleo, os investidores entram em modo defensivo. O ponto central é o risco de interrupção no fornecimento global de energia.

No fim de semana, a tensão aumentou com o ultimato do presidente Donald Trump para a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

Em resposta, o Irã sinalizou que pode fechar a passagem por tempo indeterminado e ampliar ataques à infraestrutura energética na região. Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito global passa pelo estreito, o que eleva o risco de um choque relevante de oferta.

Com isso, a expectativa é de nova alta do petróleo nesta segunda-feira, após o Brent já ter encerrado a última sessão acima de US$ 112 por barril, no maior nível em quase quatro anos. Esse movimento amplia o risco de inflação global e já influencia a leitura dos mercados sobre política monetária, especialmente nos Estados Unidos.

Na última sexta-feira, ativos americanos recuaram com o aumento das apostas de que o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) pode precisar retomar o ciclo de alta de juros ainda neste ano. O movimento levou a uma queda simultânea de ações e títulos, com o S&P 500 acumulando a quarta semana consecutiva de perdas.

No Brasil, o impacto desse cenário já foi sentido. O Ibovespa encerrou a sexta-feira em queda de 2,25%, aos 176.219 pontos, ampliando o movimento negativo em um ambiente de aversão a risco. Na semana, o índice acumulou baixa de 0,81%, também registrando a quarta semana seguida de perdas.

Segundo o analista Renato Reis, da Blue3 Investimentos, a deterioração das expectativas para inflação e juros ajuda a explicar o desempenho da bolsa. A alta do petróleo, impulsionada pelo conflito, tende a pressionar preços globalmente e reduzir o espaço para cortes de juros, afetando especialmente empresas mais sensíveis ao ciclo econômico e ao custo do crédito.

No campo político doméstico, o dia também traz um evento no radar. A CPMI do INSS ouve Martha Graeff, em depoimento que se insere nas investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, após o vazamento de mensagens com citações a políticos, ministros e integrantes do mercado financeiro.

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