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Estudo explica por que humanos têm pouco DNA neandertal no cromossomo X

revistaoeste.com By Vanessa Araujo 2026-03-23 434 words
Um estudo publicado recentemente na revista científica Science propõe uma nova explicação para um antigo mistério da evolução humana: por que quase não há traços de DNA neandertal no cromossomo X dos humanos modernos. As informações foram divulgadas pela emissora alemã Deutsche Welle.

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Pesquisas anteriores já demonstraram que Homo sapiens e neandertais se cruzaram há milhares de anos. Como resultado, grande parte da população atual possui pequenas porções de DNA herdadas dessa espécie extinta.

Apesar disso, cientistas observaram que o cromossomo X humano quase não apresenta fragmentos genéticos neandertais. Durante anos, a hipótese predominante era a de que a seleção natural teria eliminado esses genes por serem biologicamente desfavoráveis.

O novo estudo, conduzido por geneticistas da Universidade da Pensilvânia, sugere uma explicação diferente: fatores sociais e padrões de reprodução entre os dois grupos.

Cruzamentos entre neandertais e sapiens

Segundo os pesquisadores, a troca genética teria ocorrido principalmente entre homens neandertais e mulheres sapiens. Esse padrão de reprodução explicaria por que há pouca herança neandertal no cromossomo X humano.

De acordo com Alexander Platt, pesquisador envolvido no estudo, a análise genética encontrou uma quantidade significativa de DNA humano moderno no cromossomo X dos próprios neandertais — o inverso do que ocorre entre os humanos atuais.

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As mulheres têm dois cromossomos X, enquanto os homens possuem apenas um. Cruzamentos frequentes entre machos neandertais e fêmeas sapiens incorporaram mais cromossomos X humanos ao patrimônio genético dos neandertais. Ao mesmo tempo, as populações humanas herdaram menos cromossomos X de origem neandertal.

Para os autores do estudo, o resultado reforça a ideia de que a evolução humana não foi determinada apenas por seleção genética, mas também por interações sociais entre grupos pré-históricos.

Preferência ou outros fatores?

Os cientistas ainda buscam entender quais circunstâncias levaram a esse padrão de acasalamento. Entre as hipóteses estão dinâmicas sociais nas comunidades neandertais ou diferenças nos padrões de migração entre homens e mulheres.

Em entrevista, o paleogeneticista Carles Lalueza-Fox, do Instituto de Biologia Evolutiva da Espanha, afirmou que a hipótese pode fazer sentido no contexto de uma população em declínio, como a dos neandertais, que poderia ter enfrentado dificuldades para encontrar parceiros reprodutivos.

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Mesmo assim, especialistas destacam que não é possível determinar com precisão como essas interações ocorreram. Segundo a geneticista Sarah Tishkoff, também autora do estudo, não há evidências suficientes para afirmar se os contatos entre os grupos foram pacíficos ou se envolveram conflitos.

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