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Ida de Moro para o PL de Bolsonaro e resistência de família pesaram em decisão de Ratinho Jr, dizem aliados

www1.folha.uol.com.br By Raphael Di Cunto; Augusto Tenório; Catia Seabra e Catarina Scortecci 2026-03-23 627 words
A desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, de concorrer à Presidência da República pegou aliados de surpresa. Até então, ele era visto no PSD como favorito do partido para concorrer ao Planalto. Segundo interlocutores, a decisão anunciada nesta segunda-feira (23) foi influenciada pela filiação do senador Sergio Moro ao PL para disputar o governo paranaense e, também, por apelos de familiares.

Secretários próximos a Ratinho e dois aliados afirmaram à Folha que o fato principal para a desistência foi a resistência de familiares do governador, que eram contra a exposição que ocorreria de uma disputa nacional. O pai do governador é o apresentador de televisão e empresário Carlos Roberto Massa, o Ratinho, que se opunha a candidatura. As filhas dele também tentavam demovê-lo da ideia.

Horas antes de anunciar a mudança de planos, no entanto, Ratinho deu sinais contraditórios para sua base e comandou um almoço com deputados estaduais do seu grupo político em tom de despedida do Palácio Iguaçu.

O encontro já estava marcado há alguns dias, e contou com participação do vice-governador Darci Piana (PSD), que assumiria o governo caso o governador mantivesse o plano presidencial. Na reunião, de acordo com um deputado presente, ele chegou a dizer que Piana daria continuidade à gestão, o que foi interpretado pelos parlamentares como confirmação de que ele renunciaria para concorrer a outro cargo.

Cerca de 40 deputados estaduais participaram, inclusive alguns que apoiam a candidatura de Moro. No encontro, o governador não antecipou quem será seu candidato.

Segundo dirigentes do PSD, Ratinho comunicou a desistência ao presidente do PSD, Gilberto Kassab, horas antes de anunciá-la publicamente. Os outros pré-candidatos do partido à Presidência, os governadores Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS), não foram avisado previamente. A tendência é que a sigla escolha Caiado como seu candidato.

Aliados dizem que Ratinho apresentou dúvidas nas últimas semanas sobre seu projeto de candidatura à Presidência. Há duas semanas, contudo, ele se reuniu com o coordenador da campanha do PL, o senador Rogério Marinho, e rejeitou a possibilidade de desistir da candidatura presidencial em troca de um acordo para manter a aliança com os bolsonaristas em seu estado, visando a sucessão.

A situação ficou mais difícil quando Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, decidiu apoiar o senador Sergio Moro para a disputa pelo governo do Paraná, em decisão anunciada na última quarta (18). A jogada dificultou a vida do atual governador paranaense, que corre o risco de não fazer um sucessor. Moro se filiará nesta terça (24), às 11h.

A interlocutores Ratinho informou que, com a desistência, ele focaria na eleição no estado e trabalharia para entregar as chaves do Palácio Iguaçu a um sucessor aliado, ou seja, que precisará derrotar Sergio Moro. Ele ainda não anunciou quem é o escolhido, mas aliados afirmam que a decisão pode ser divulgada nesta terça (24). Entre os cotados estão o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD) –até então seu favorito–, e o presidente da assembleia legislativa, Alexandre Curi (PSD).

Em comunicado, o atual governador afirmou que não renunciará mais ao cargo, afastando também a possibilidade de concorrer a outro posto, como o Senado.

"O governador Ratinho Junior decidiu concluir seu mandato no Paraná até dezembro deste ano. Portanto, ele deixa de participar da discussão interna do PSD (Partido Social Democrático), que escolherá um candidato disposto a concorrer às eleições presidenciais deste ano. A decisão foi tomada na noite deste domingo, 22, após profunda reflexão com sua família", afirmou o comunicado.

A desistência deixou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (GO) mais próximo de ser o candidato do partido ao Planalto. A sigla de Gilberto Kassab tem ainda outro pré-candidato, o governador Eduardo Leite (RS), mas nos bastidores da legenda o goiano se tornou o amplo favorito para chegar às urnas.

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