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Quais caminhos podem ajudar a combater a obesidade infantil - Nexo Jornal

nexojornal.com.br By Vanessa Fajardo 2026-03-23 502 words
A fome e a obesidade deixaram de ser problemas opostos entre as crianças e adolescentes brasileiros. Famílias afetadas pela insegurança alimentar acabam consumindo mais alimentos ultraprocessados, que mais baratos, porém pouco nutritivos, o que ajuda a explicar por que o excesso de peso já supera a desnutrição.

Segundo o relatório "Alimentando o Lucro: Como os Ambientes Alimentares estão Falhando com as Crianças", divulgado pelo Unicef, no Brasil, a obesidade já tem índices maiores de desnutrição desde antes do ano 2000. Naquele ano, o percentual de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos com obesidade era de 5% – em 2022, o número triplicou atingindo 15%.

Sobrepeso na infância e na adolescência

O índice de sobrepeso nessa faixa etária também cresceu, dobrando de 18%, em 2000, para 36% em 2022. Já o número de meninos e meninas, em desnutrição aguda, que tinham baixo peso para altura, diminuiu de 4% para 3% no mesmo período.

Esta não é uma realidade exclusivamente brasileira. De acordo com o relatório, a obesidade supera a desnutrição em todas as regiões do mundo, exceto na África Subsaariana e no Sul da Ásia.

A pesquisa, que envolve 190 países, mostra que a prevalência de desnutrição entre crianças de 5 a 19 anos caiu desde 2000, de quase 13% para 9,2%, enquanto as taxas de obesidade aumentaram de 3% para 9,4%. Segundo o Unicef, 1 em cada 5 crianças e adolescentes de 5 a 19 anos no mundo, o equivalente a 391 milhões, está acima do peso, sendo que uma grande parte já é classificada como obesa.

Stephanie Amaral, especialista em Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, diz que atualmente nota-se um padrão que altera as taxas de desnutrição e maior mortalidade associada à ela para um maior número de crianças que sobrevivem, mas, ainda assim, há problemas.

Os ultraprocessados e os desertos alimentares

O coordenador de endocrinologia do Sabará Hospital Infantil, Matheus Alves Alvares, salienta que durante muito tempo, uma das grandes preocupações em relação ao desenvolvimento das crianças era a falta de comida, mas hoje o problema é a qualidade do que se come. "Muitas crianças estão consumindo muitas calorias, mas poucos nutrientes. O resultado é preocupante: estamos começando a ver doenças que antes apareciam apenas em adultos como pressão alta, resistência à insulina e diabetes surgindo cada vez mais cedo. Isso pode comprometer a saúde e a qualidade de vida dessas crianças no futuro."

Os alimentos ultraprocessados como bolachas, salgadinhos e achocolatados têm responsabilidade nisso. Produzidos a partir de ingredientes refinados e aditivos, com pouco ou nenhum alimento integral e geralmente com altos níveis de açúcares adicionados, amidos refinados, sal e gorduras não saudáveis, eles são encontrados facilmente e têm valor relativamente baixo, comparado aos alimentos frescos.

"O grande problema dos alimentos ultraprocessados é que eles são ricos em açúcar, sal, gordura e aditivos que estimulam muito o paladar da criança. Isso faz com que ela se acostume a sabores muito intensos e passe a rejeitar alimentos naturais, como frutas, verduras e comidas caseiras", afirma Alvares.

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