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Cláudio Castro renuncia às vésperas de TSE retomar julgamento que poderia cassá-lo

otempo.com.br By Gabriel Ferreira Borges 2026-03-23 595 words
BRASÍLIA - Às vésperas de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento que poderia cassá-lo, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), renunciou nesta segunda-feira (23/3). Com dois votos favoráveis à cassação por suspeitas de abuso de poder político e econômico, o pleno retomará o julgamento nesta terça, às 19h.

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O governador formalizou sua renúncia em uma cerimônia no Palácio Guanabara. "Saio com a cabeça completamente erguida. Saio com a minha maior aprovação. Saio, segundo as pesquisas de opinião, liderando todas as pesquisas para o Senado, mas, acima de tudo, saio extremamente grato a Deus", afirmou.

Apesar da renúncia de Castro, o TSE ainda pode declará-lo inelegível caso alcance os votos necessários para condená-lo. A saída do governo não livra o governador das acusações de abuso de poder político e econômico em sua campanha à reeleição, mas só da cassação. A condenação tornaria o governador inelegível por oito anos.

O governador é pré-candidato ao Senado da chapa do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Rio de Janeiro. O deputado estadual e ex-secretário de Cidades, Douglas Ruas (PL), é o pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), o outro pré-candidato ao Senado.

Mais dois votos alinhados à relatora Isabel Gallotti são suficientes para declarar Castro inelegível por oito anos. O julgamento será retomado com o ministro Kassio Nunes Marques. Restam ainda as manifestações da presidente do TSE, Cármen Lúcia, da ministra Estela Aranha e dos ministros André Mendonça e Floriano Marques.

Iniciado há quatro meses, em novembro de 2025, o julgamento foi retomado no último dia 10, mas interrompido por um pedido de vista de Nunes Marques. O movimento do ministro indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deu fôlego a Castro para buscar uma saída para evitar sua cassação.

O ministro Antonio Carlos Ferreira já havia pedido vista quando o TSE iniciou o julgamento em novembro de 2025. À época, Ferreira interrompeu a sessão porque Isabel não disponibilizou a íntegra do voto antes de proferi-lo no pleno. O ministro até estendeu a vista, mas acompanhou a relatora quando o julgamento foi retomado.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) acusa Castro de realizar, em troca de apoio à sua reeleição, ao menos 27 mil contratações temporárias para a Fundação Centro de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores do Rio de Janeiro (Ceperj) e para a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) durante a pré-campanha ao governo.

Os servidores temporários teriam recebido os salários através de recibos de pagamento autônomo (RPAs). Os recursos eram sacados em espécie, na boca de caixas eletrônicos. Entre janeiro e agosto de 2022, o governo do Rio de Janeiro teria emitido cerca de 92 mil ordens de pagamento, cujo valor teria alcançado R$ 250 milhões.

O presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Castro, assume interinamente o governo até a eleição indireta para um mandato-tampão. O ex-vice-governador Thiago Pampolha foi indicado para o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), está afastado.

A indicação de Pampolha para o TCE-RJ foi uma manobra de Castro em busca de abrir caminho para Bacellar assumir o governo, já que o presidente da Alerj era o favorito para sucedê-lo. Porém, a prisão do deputado estadual por vazar a investigação da Polícia Federal (PF) contra o ex-deputado estadual TH Jóias (MDB) minou sua pré-candidatura ao Palácio Guanabara.

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