TSE condena Cláudio Castro por 5 a 2 e torna ex-governador inelegível
Os ministros Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e Cármen Lúcia acompanharam os votos de Isabel Galloti e Antônio Carlos, somando cinco votos contra o ex-governador.
O ministro Kassio Nunes Marques votou para absolver Castro, por considerar que não foi comprovado impacto no resultado do pleito. Já André Mendonça considerou que o ex-governador teve benefícios eleitorais, mas não teve sua participação comprovada nas infrações apontadas.
Em relação ao presidente afastado da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Rodrigo Bacellar (União Brasil), Mendonça votou pela condenação, registrando o placar de 6 a 1.
Em nota, Castro afirmou que recebeu "com grande inconformismo a decisão". "Reitero meu absoluto respeito aos ministros do TSE e ao devido processo legal, mas é importante que se diga que todas as acusações apontadas no processo se referem a questões anteriores ao período eleitoral de 2022 e não tiveram qualquer influência na expressiva votação que recebi", afirmou ele.
A condenação à inelegibilidade por oito anos, a contar a partir de 2022, deve afetar os planos de Castro de concorrer ao Senado. Aliados afirmam que ele tentará recorrer por meio de recursos ou liminar.
Ele renunciou ao cargo de governador nesta segunda-feira (23), véspera da retomada do julgamento, a fim de evitar a pena de cassação. O objetivo foi garantir a realização de uma eleição indireta para o mandato-tampão no estado, que vai até o fim deste ano. A retirada do cargo pelo TSE poderia levar à realização de um pleito direto, reduzindo o poder de influência do governador sobre sua sucessão imediata.
O julgamento no TSE foi retomado após Kassio pedir vista na sessão do último dia 10, quando o processo voltava à pauta após quatro meses parado para vista do ministro Antônio Carlos.
Cármen Lúcia, criticou o fato de Castro ter renunciado na véspera da retomada do julgamento —o prazo de desincompatibilização para disputar as eleições se encerra apenas em 4 de abril.
"Tem sido continuado os casos em que governantes do Rio não terminam, ou saem dos cargos como agora, na véspera de um julgamento iniciado desde o ano passado, tendo em vista exatamente o exame e a conclusão sobre práticas absolutamente contrárias ao que se põe na Constituição, na minha compreensão", disse ela.
Em seu voto, Mendonça afirmou que votaria pela cassação de Castro, mas não aplicou a pena em razão da renúncia.
"Embora tenha colhido os dividendos eleitorais, o que de fato justificaria a sua cassação caso não tivesse havido a renúncia ocorrida na data de ontem, não se aplica aqui a sanção de inelegibilidade por insuficiência probatória da sua efetiva participação nas condutas ilícitas", disse ele.
A ação eleitoral teve como origem o chamado escândalo da "folha secreta de pagamento", revelado pelo UOL em junho de 2022. O caso se refere ao uso da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e da Fundação Ceperj para o pagamento de funcionários de projetos sociais em dinheiro vivo e sem a divulgação de seus nomes.
Uma investigação do Ministério Público do Rio descobriu saques de dinheiro vivo na "boca do caixa". Ao todo, R$ 248 milhões foram retirados em agências bancárias por dezenas de milhares de pessoas que integrariam o suposto esquema. As contratações só foram interrompidas em agosto, após a ação civil pública do Ministério Público estadual.
O caso gerou duas ações de investigação judicial eleitoral, uma movida pela chapa de Marcelo Freixo (PT), derrotado na eleição, e outra pela Procuradoria Eleitoral. Castro foi absolvido no TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) em maio de 2024 em votação apertada, por 4 a 3. O Ministério Público Eleitoral levou o caso ao TSE, ao recorrer da decisão.
Na retomada do julgamento, Kassio afirmou também que não foi comprovado que a reeleição de Castro ocorreu em razão do esquema. O ex-governador foi eleito no primeiro turno com 58,67% dos votos válidos.
"É extremo de dúvida que as cifras envolvidas neste caso concreto são superlativas. [...] Ocorre que os elementos existentes não se traduzem em um grau de certeza que permita apenar os integrantes da chapa eleita no pleito de 2022 para o governo do estado do Rio de Janeiro, tampouco demais recorridos, com as duras penas", declarou o ministro.
Floriano, logo em seguida, questionou a necessidade de comprovação direta sobre o resultado.
"O abuso é ilícito em si. Independe da obtenção de eventual resultado ou da necessidade deste resultado para a disputa eleitoral. Já se decidiu nesta corte que a margem de votos daquele vencedor que praticou um abuso é irrelevante para desnaturar a característica ou o atributo de abusividade das condutas", declarou o ministro.
Kassio, por sua vez, considerou que não há prova suficiente no processo que permita a condenação de Castro e os demais acusados na ação eleitoral sobre o chamado escândalo da "folha secreta de pagamento". Ele considerou como "relatos pontuais" testemunhas que apontaram o uso eleitoreiro de projetos sociais do governo.
"É de se indagar como a existência de apenas três depoimentos em um universo de 27 mil contratações seria suficiente para comprovar a intenção de impactar o pleito que ocorreria em 2022", disse o ministro.
Floriano, porém, considerou que "as irregularidades abundam" e que "há elementos de prova sólidos e harmônicos" no processo para demonstrar um "mecanismo para alavancar candidaturas dos investigados e das alianças políticas no pleito de 2022".
"O descaso administrativo, marcado pela informalidade dos procedimentos adotados, falta de critério na contratação e definição das atribuições, caráter genérico dos projetos a serem desenvolvidos, pagamento na boca do caixa, serviu ao propósito de escamotear a verdadeira finalidade das ações, que era o benefício eleitoral", afirmou o ministro.
Mendonça, por sua vez, afirmou que Castro obteve dividendos eleitorais, mas não pode ser responsabilizado por atos que não cometeu.
"Embora tenha colhido os dividendos eleitorais, o que de fato justificaria a sua cassação, caso não tivesse havido a renúncia ocorrida na data de ontem, não se aplica aqui a sanção de inelegibilidade, por insuficiência probatória da sua efetiva participação nas condutas ilícitas."
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Quote attributionLogical Coherence
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Summary
Article presents a logically consistent narrative of the court ruling, the legal arguments for and against, and the background of the case.
Logic Issues Detected
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Contradiction (high)
Conflicting values for 'the': 5 vs 2022
"Heuristic: Values conflict between P1 and P3"
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Contradiction (high)
Conflicting values for 'castro': 23 vs 58.67%
"Heuristic: Values conflict between P2 and P5"
Core Claims & Their Sources
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"The Superior Electoral Court (TSE) ruled to make ex-governor Cláudio Castro ineligible for office."
Source: The ruling of the TSE court, as reported via the votes of its named ministers. Primary
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"Castro was accused of abuse of political and economic power in the 2022 elections related to a 'secret payroll' scandal."
Source: The formal charges in the electoral court case, as detailed in the article's description of the proceedings. Primary
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"Minister Kassio Nunes Marques voted for acquittal, arguing impact on the election result was not proven."
Source: Direct quote and attribution of the dissenting minister's legal opinion. Primary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (7)
-
P1
"The vote count was 5 to 2 for condemnation."
Factual In contradiction -
P2
"Castro resigned as governor on March 23, 2026."
Factual In contradiction -
P3
"The 'secret payroll' scandal was revealed by UOL in June 2022."
Factual In contradiction -
P4
"R$ 248 million was withdrawn in cash from bank branches."
Factual -
P5
"Castro was elected in the first round with 58.67% of valid votes."
Factual In contradiction -
P6
"Castro resigned to avoid the causes penalty of removal from office (cassação)."
Causal -
P7
"The administrative negligence served the purpose of causes concealing the true aim, which was electoral benefit."
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (2)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: The vote count was 5 to 2 for condemnation. P2 [factual]: Castro resigned as governor on March 23, 2026. P3 [factual]: The 'secret payroll' scandal was revealed by UOL in June 2022. P4 [factual]: R$ 248 million was withdrawn in cash from bank branches. P5 [factual]: Castro was elected in the first round with 58.67% of valid votes. P6 [causal]: Castro resigned to avoid the causes penalty of removal from office (cassação). P7 [causal]: The administrative negligence served the purpose of causes concealing the true aim, which was electoral benefit. === Constraints === P1 contradicts P3 Note: Conflicting values for 'the': 5 vs 2022 P2 contradicts P5 Note: Conflicting values for 'castro': 23 vs 58.67% === Causal Graph === castro resigned to avoid the -> penalty of removal from office cassação the administrative negligence served the purpose of -> concealing the true aim which was electoral benefit === Detected Contradictions === UNSAT: P1 AND P3 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P3 UNSAT: P2 AND P5 Proof: Heuristic: Values conflict between P2 and P5