TSE condena Cláudio Castro à inelegibilidade até 2030
Decisão do Tribunal Superior Eleitoral ameaça planos políticos do ex-governador do Rio, que é pré-candidato ao Senado
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou nesta terça-feira, 24, o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Com a decisão, ele ficará inelegível até 2030. O placar terminou em 5 a 2.
A maioria foi formada com os votos de Isabel Gallotti (relatora), Antônio Carlos Ferreira, Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e Cármen Lúcia. Os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça foram os únicos que votaram a favor do ex-governador.
Cláudio Castro deixou o Palácio Guanabara na véspera da retomada do julgamento no TSE para escapar do desgaste da cassação, que já era prevista no entorno do ex-governador, e ao mesmo tempo evitar qualquer brecha para uma eleição-tampão direta no Rio. Ontem, na cerimônia de "encerramento de mandato", ele declarou que sai "de cabeça erguida".
Com a renúncia, a eleição-tampão no Rio tende a ser indireta, na Assembleia Legislativa do Rio, onde o PL, partido de Castro, tem a maior bancada. A situação jurídica do ex-governador, por sua vez, é mais complicada. Mesmo inelegível, ele poderá registrar candidatura ao Senado, como planeja, e disputar a eleição sub judice. Nesse cenário, se for eleito, precisará correr contra o tempo para conseguir uma decisão – ainda que liminar – do Supremo Tribunal Federal revertendo a inelegibilidade até a data da diplomação. Caso contrário, não poderá ser diplomado. Aliados do governador admitem que ele vai concorrer ao Senado contando com uma vitória no Supremo.
O processo que levou à condenação de Cláudio Castro gira em torno da contratação, por decreto, de 27,6 mil funcionários temporários na Fundação Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). As contratações custaram 519 milhões de reais apenas no primeiro semestre de 2022. Os funcionários teriam atuado como cabos-eleitorais nas eleições de 2022, segundo o Ministério Público. Castro nega irregularidades.
Prevaleceu no TSE a compreensão de que as contratações tiveram motivação exclusivamente eleitoral, sem respaldo técnico. Os ministros levaram em conta o aumento vertiginoso de repasses ao Ceperj e depoimentos que relataram coação a servidores para participarem de eventos políticos. O ex-governador foi considerado diretamente responsável pelos contratações porque assinou o decreto que autorizou o programa.
"Estarmos, mais uma vez, a votar um caso de práticas gravíssimas de governantes que receberam do bom povo do Rio de Janeiro a incumbência de representá-los. Tem sido continuados os casos em que governantes do Rio não terminam os mandatos ou saem dos cargos, como agora, tendo em vista o exame e a conclusão sobre práticas absolutamente contrárias a tudo que se põe na Constituição", criticou Cármen Lúcia.
A condenação também alcança o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União), que teve o mandato cassado pelo TSE e também ficará inelegível até 2030, e Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente do Ceperj. A Justiça Eleitoral deverá fazer a recontagem de votos para definir quem assume o mandato na Alerj.
O ex-vice-governador Thiago Pampolha, que hoje está no Tribunal de Contas do Estado, também foi condenado, mas poupado da inelegibilidade. O TSE considerou que ele foi beneficiado pelo esquema, mas não teve ingerência nele.
Os ministros ainda determinaram a notificação do Ministério Público do Rio para aprofundar as investigações, inclusive em relação a gestores da Uerj. A sugestão foi apresentada por André Mendonça.
O processo teve idas e vindas desde novembro, quando começou a ser julgado, com dois pedidos de vista (mais tempo para análise), mas engatou por esforços da ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, que acelerou a tramitação na reta final de sua gestão na Corte. Ela marcou até uma sessão extraordinária, algo inusual, para concluir a votação na quarta caso não houvesse tempo hábil de todos os ministros apresentaram os votos nesta terça.
O ex-governador tentou, ao máximo, engavetar o julgamento. Isso porque, segundo a Lei das Inelegibilidades, os critérios de elegibilidade são verificados no momento do registro das candidaturas. Se conseguisse postergar o desfecho da votação, ele poderia lançar candidatura ao Senado sem maiores preocupações. Com o ritmo imprimido por Cármen Lúcia, a estratégia não vingou.
EM ALTA
1O recado de Mendonça que escancarou o mal-estar no STF
2O que disseram os dois únicos ministros que votaram a favor de Castro no TSE
3O primeiro ato de desembargador à frente do governo do Rio
4A distância entre Flávio Bolsonaro e Lula no coração do agro brasileiro, segundo pesquisa
5Por que Mendonça mandou Alcolumbre prorrogar investigações da CPMI do INSS
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"Isabel Gallotti (relatora), Antônio Carlos Ferreira, Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e Cármen Lúcia"
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Named court officials who voted for Castro
Named source"a do Rio, Rodrigo Bacellar (União), que teve o mandato cass"
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"27,6 mil funcionários temporários"
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Statistic"custaram 519 milhões de reais apenas no primeiro semestre de 2022"
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Background"Com a renúncia, a eleição-tampão no Rio tende a ser indireta, na Assembleia Legislativa do Rio"
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Core Claims & Their Sources
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"TSE condenou Cláudio Castro por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022"
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"As contratações tiveram motivação exclusivamente eleitoral, sem respaldo técnico"
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"Castro nega irregularidades"
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ConsistentExtracted Propositions (9)
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P1
"TSE vote was 5-2 against Castro"
Factual -
P2
"27,600 temporary employees were hired"
Factual -
P3
"Cost was 519 million reais in first half of 2022"
Factual -
P4
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Factual -
P5
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Factual -
P6
"Hiring temporary employees causes electoral campaigning in 2022 elections"
Causal -
P7
"Castro signing decree causes direct responsibility for hirings"
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P8
"Carmen Lucia accelerating process causes strategy to delay failed"
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P9
"Resignation before verdict causes indirect election in legislature likely"
Causal
Claim Relationships Graph
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=== Propositions === P1 [factual]: TSE vote was 5-2 against Castro P2 [factual]: 27,600 temporary employees were hired P3 [factual]: Cost was 519 million reais in first half of 2022 P4 [factual]: Castro will be ineligible until 2030 P5 [factual]: Process began in November with two requests for more time P6 [causal]: Hiring temporary employees causes electoral campaigning in 2022 elections P7 [causal]: Castro signing decree causes direct responsibility for hirings P8 [causal]: Carmen Lucia accelerating process causes strategy to delay failed P9 [causal]: Resignation before verdict causes indirect election in legislature likely === Causal Graph === hiring temporary employees -> electoral campaigning in 2022 elections castro signing decree -> direct responsibility for hirings carmen lucia accelerating process -> strategy to delay failed resignation before verdict -> indirect election in legislature likely
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.