Projeto usa arte e pesquisa para denunciar impactos da gestão privada nos parques do Recife - Marco Zero Conteúdo
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Um bingo em que as cartelas tinham opções como "Parque não é negócio", "Menos telas, mais árvores" e "Quem fiscaliza a concessão?", em pleno Parque da Jaqueira, na zona norte do Recife. Foi assim que a cineasta Cecília da Fonte e a comunicadora e ativista Manuela Arruda Galindo encerraram o projeto Viva sem concessão, que de julho de 2025 até este mês passou por três parques urbanos do Recife sob gestão privada há um ano. Com arte, diálogo e pesquisa, o projeto foi um dos dois únicos do Brasil aprovados ano passado no edital de exploração narrativa da organização Inspiratorio, do México.
A ideia para o projeto surgiu da cobertura sobre o tema feita pela Marco Zero. "As reportagens da Marco Zero nos deram uma outra dimensão da gravidade do que estava sendo colocado em jogo e dos efeitos da concessão, do quanto isso parecia ser uma decisão que não foi dialogada com a população e com efeitos muito duradouros. E isso também é algo que está acontecendo em várias cidades brasileiras", afirmou Manuela Galindo.
Além das atividades no domingo – que contou também com roda de conversa e estamparia com a arte do projeto, criada pela artista Luiza Morgado – o Parque da Jaqueira recebeu boa parte das ações do projeto. "Aqui foi onde os efeitos da concessão estão sendo percebidos de forma mais escandalosa, mais rápida e mais agressivamente. A cada vez que a gente visitava o parque, a gente já via uma outra coisa que estava sendo implementada pela concessionária", diz Manuela.
Antes das intervenções urbanas nos parques, a dupla se debruçou na pesquisa de vários documentos disponíveis sobre a concessão, como o edital do leilão, o contrato firmado com a prefeitura do Recife e o mídia kit que estava disponível no site da Viva Parques, a concessionária que ganhou a licitação – mas já foi retirado do ar. Mídia kit é uma apresentação que uma empresa faz dos seus produtos para o mercado publicitário.
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"No mídia kit, por exemplo, identificamos quais eram as ambições da concessionária em relação a espalhar publicidade dentro do parque da Jaqueira. Inclusive planos que ainda não estão em curso, mas que estão ali como proposta para as marcas, como recolher dados dos usuários, como biometria e identificação facial, para que eles possam saber, por exemplo, qual é a marca do tênis que alguém está usando. Tudo isso eram promessas do mídia kit da concessionária", lembra Manuela.
Um documento foi de suma importância para a realização das intervenções urbanas: os regulamentos dos parques. "A gente queria muito realizar as ações dentro dos parques. Então a gente adaptou tudo de acordo com o regulamento para não fazer nada que fosse entendido como infração e que ameaçasse a realização do projeto. A gente tinha uma preocupação muito grande de não descumprir nada para poder permanecer no parque", disseram.
Ao longo dos meses de ações, Cecília e Manuela acompanharam de perto as mudanças na Jaqueira. "A mais substancial foi a mudança da vocação do parque, do comércio e do consumo ser algo muito presente. Foi imediato após a concessão. Feirinhas e food trucks vendendo produtos com um valor completamente fora do que era o uso natural do parque, que já existe há 40 anos", disse Manuela.
"Outro ponto é a presença massiva de publicidade. Entendemos, a partir da análise dos documentos, quais os focos principais da concessão. O que ela está interessada em fomentar é comércio, publicidade e marketing. Fora disso não parece haver interesse em nenhum tipo de atividade. A demolição da pista de bicicross, que foi a intervenção mais agressiva, só um grande vazio e um tapume gigantesco no parque, porque nenhuma obra está acontecendo ainda", acrescentou Cecília.
As duas também conversaram com muitos frequentadores, ambulantes e comerciantes da Jaqueira. Pessoas que, inclusive, nem sabiam da entrega do parque para a iniciativa privada. "A principal queixa das pessoas é sobre a onipresença de telas. Da quantidade de publicidade e do fato de ter publicidade de casas de apostas. As pessoas também se queixam sobre a manutenção: há uma discrepância entre o investimento em espaços para publicidade e o investimento no parque de fato. Muitos jardins precisando de manutenção, mas um monte de placa de publicidade bem novinha. Há uma diferença de prioridades nas ações da concessão que mostram que é um projeto para ganhar dinheiro e não necessariamente para melhorar o parque. Já os comerciantes antigos se sentem acuados, sem espaço para o diálogo", afirma Manuela.
Com o final do projeto, o que as duas querem é que a fiscalização seja mais eficiente em relação às ações da concessionária. "A empresa tem a obrigação de trazer melhorias. Então quem define quais são as melhorias? Porque construção de restaurante, painel de LED não são melhorias. Quem define isso como melhorias?", questionam. Na roda de diálogo do fechamento do projeto, o que surgiu como um encaminhamento de desejo dos participantes foi a criação de um conselho com a participação da sociedade civil para fiscalizar e acompanhar as ações nos parques públicos do Recife, assim como acontece em vários parques mundo afora — e que inclusive já aconteceu aqui com a Associação do Parque da Jaqueira nos anos 1980.
AUTOR
Maria Carolina Santos
Jornalista pela UFPE. Fez carreira no Diario de Pernambuco, onde foi de estagiária a editora do site, com passagem pelo caderno de cultura. Contribuiu para veículos como Correio Braziliense, O Globo e Revista Continente. Contato: carolsantos@marcozero.org
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Good named sources with project leaders providing direct observations and document analysis, but lacks official or independent expert sources.
Specific Findings from the Article (2)
"entificamos quais eram as ambições da concessionária em relação"
Direct analysis of company documents
Primary source" conversaram com muitos frequentadores, ambulantes e comerciantes da Jaqueir"
Interviews with park users but not directly quoted by name
Secondary sourcePerspective Balance
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Primarily presents critical perspective of private management without including concessionaire's viewpoint or official responses.
Specific Findings from the Article (3)
" efeitos da concessão estão sendo percebidos de forma mais escandalosa, mais rápi"
Strongly negative framing without counterbalance
One sided" não parece haver interesse em nenhum tipo de atividade. A demoliç"
Unqualified negative assessment of concessionaire
One sided" projeto para ganhar dinheiro e não necessariamente para melhorar o parque. Já os com"
Critical claim without concessionaire response
One sidedContextual Depth
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Provides substantial background on project methodology, document analysis, and historical context of park management.
Specific Findings from the Article (4)
" projeto Viva sem concessão, que de julho de 2025 até este mês passou por"
Clear timeline of project duration
Background" parque, que já existe há 40 anos", disse Ma"
Historical context about park age
Context indicator" já aconteceu aqui com a Associação do Parque da Jaqueira nos anos 1980. AUTOR M"
Historical precedent for community involvement
Context indicator" contrato firmado com a prefeitura do Recife e o mídia "
Reference to official documents analyzed
Context indicatorLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Mostly factual reporting but includes some emotionally charged language and negative framing.
Specific Findings from the Article (1)
" projeto foi um dos dois únicos do Brasil aprovados ano passad"
Factual statement about project selection
Neutral languageTransparency
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Excellent transparency with clear author attribution, date, methodology description, and quote attribution.
Specific Findings from the Article (2)
"AUTOR Maria Carolina Santos"
Clear author identification with credentials
Author attribution" se debruçou na pesquisa de vários documentos disponíveis sobre a co"
Describes research methodology
MethodologyLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; claims are supported by described research and observations.
Core Claims & Their Sources
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"Private management of Recife parks has negative impacts including commercialization, excessive advertising, and reduced community access"
Source: Project leaders Manuela Galindo and Cecília da Fonte based on document analysis and observations Named secondary
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"The concessionaire prioritizes profit over park improvement"
Source: Manuela Galindo's assessment based on observed discrepancies in maintenance vs advertising investment Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (7)
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P1
"Project Viva sem concessão ran from July 2025 to March 2026"
Factual -
P2
"The project was one of two Brazilian projects approved by Mexican organization Inspiratorio"
Factual -
P3
"Parque da Jaqueira has existed for 40 years"
Factual -
P4
"The concessionaire's media kit proposed collecting biometric data from park users"
Factual -
P5
"Private concession causes increased commercialization and advertising in parks"
Causal -
P6
"Lack of community dialogue in concession decision causes negative public perception"
Causal -
P7
"Profit focus causes discrepancy between advertising investment and park maintenance"
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Project Viva sem concessão ran from July 2025 to March 2026 P2 [factual]: The project was one of two Brazilian projects approved by Mexican organization Inspiratorio P3 [factual]: Parque da Jaqueira has existed for 40 years P4 [factual]: The concessionaire's media kit proposed collecting biometric data from park users P5 [causal]: Private concession causes increased commercialization and advertising in parks P6 [causal]: Lack of community dialogue in concession decision causes negative public perception P7 [causal]: Profit focus causes discrepancy between advertising investment and park maintenance === Causal Graph === private concession -> increased commercialization and advertising in parks lack of community dialogue in concession decision -> negative public perception profit focus -> discrepancy between advertising investment and park maintenance
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.