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Localiza tem cultura da diversidade, feminino e social

otempo.com.br By Por Helenice Laguardia 2026-03-28 1871 words
Em entrevista ao Minas S/A Temporada Legados em todas as plataformas de O TEMPO, Suzana Fagundes Ribeiro de Oliveira, diretora-executiva jurídica e de relações institucionais da Localiza&Co – que participou do IPO da companhia em 2005 na B3 e hoje integra o conselho do Instituto Localiza –, destaca que o sucesso da gigante mineira vai muito além dos números bilionários.

Ela explica que esse sucesso se sustenta em uma cultura de diversidade, protagonismo feminino e um compromisso social, que já inseriu 10 mil pessoas no mercado de trabalho.

Desmistificando o modelo de negócio, Suzana reforça que a rentabilidade da companhia é movida pelo aluguel de veículos e pela tecnologia, consolidando o setor de locação como uma engrenagem vital que absorve mais de 26% da produção automotiva nacional.

Com 23 mil colaboradores, a Localiza está em quase mil pontos, incluindo agências, lojas de seminovos e centros de desativação.

A seguir, a entrevista de Suzana e a íntegra no vídeo:

Como você chegou à Localiza?

Eu sou mineira. Venho de uma família numerosa, principalmente do lado da minha mãe, majoritariamente de engenheiros e economistas. Eu sou a primeira advogada da família, então não tenho tradição na área... O curioso é que eu tinha trabalhado no IPO da Localiza em 2005 na Bolsa de Valores (B3 no Brasil), quando estava em um escritório de advocacia. Foi incrível ter dado essa volta toda para acabar voltando para um lugar que eu já conhecia e admirava. Vi uma evolução enorme, porque a empresa do IPO não é a mesma de quando me juntei ao time, em 2019. Venho acompanhando a trajetória da empresa e das lideranças desde então.

Quantos funcionários a Localiza tem atualmente?

São quase 23 mil funcionários no Brasil todo. Tive o privilégio de participar desde o início do programa de diversidade e inclusão, que foca em gênero, pessoas negras, com deficiência, LGBTQIAP+, 50+ e imigrantes.O que fazemos é capacitar a companhia nos vieses e preparar as mulheres que são potenciais para assumir novos níveis na hierarquia, ajudando a destravar o que as impede de evoluir mais rápido. O programa chama-se eLLas e eLLas+. Sou superentusiasta; os depoimentos são emocionantes e passam por mentoria. Também trabalhamos a intencionalidade: quando vamos contratar externamente para uma posição de liderança, pedimos para trazer mulheres para a lista de candidatos. Claro que a régua de competência é a mesma.

A empresa tem que performar e dar resultado na Bolsa a cada três meses, não dá para passar a mão na cabeça. E as mulheres nem querem isso, querem o reconhecimento pela competência.

Exatamente. No mundo dinâmico de hoje, trazer visões diferentes é essencial. Nossos clientes são diversos, então, se na mesa de decisão houver um público diverso, vamos entender melhor o cliente e trazer soluções melhores. A empresa ganha. Um estudo da McKinsey mostra que empresas com mulheres na liderança podem dar até 30% a mais de lucro.

Falando em números, a Localiza continua com resultados robustos apesar dos juros altos e desafios atuais. No ano passado, teve um lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões. Como a empresa está delineada hoje nesse escopo de 650 mil veículos?

Estamos em quase mil pontos, incluindo agências, lojas de seminovos e centros de desativação. Gerenciar 23 mil colaboradores e essa frota é complexo. Usamos muita tecnologia e inteligência para manter a padronização e o nível de serviço. Inclusive, nosso call center é com empregados próprios porque o atendimento tem que ter a nossa cultura de "paixão pelo cliente".

Muita gente pergunta se o lucro maior da Localiza vem da venda de seminovos e se o aluguel é "fachada". Explica isso, porque o pessoal repete muito essa história.

Isso acabou sendo repetido por muitos, mas a rentabilidade da Localiza vem do aluguel, não da venda. Precisamos de carros novos porque o cliente quer carro novo, e isso otimiza o custo de manutenção. O ideal no aluguel para pessoa física é um ciclo de 15 meses. Com a pandemia, a frota envelheceu pela falta de oferta, mas estamos escalando a renovação. A área de seminovos é para vender o carro desativado e reinvestir na compra de novos. Temos centros de desativação que funcionam como fábricas, checando mais de 360 itens antes da venda para garantir a reputação.

Sobre a jornada digital: antigamente havia filas nos aeroportos. Hoje a experiência pode ser 100% digital?

Sim. Temos muito orgulho do Localiza Fast, nossa retirada digital. O cliente faz tudo pelo app e, ao chegar na agência, abre o carro pelo celular com um clique, sem precisar ir ao balcão. O NPS (satisfação) é acima de 80%. Este ano atingimos 1 milhão de retiradas digitais. Também temos a Liza, nossa assistente virtual. Ela usa linguagem natural e informal; o cliente pode dizer "Liza, aluga um carro grande para mim porque estou com muita mala", e ela resolve. Muitos clientes já preferem ser atendidos por ela.

O crescimento da empresa continuará sendo orgânico ou por aquisições?

Estamos sempre atentos ao ecossistema. Em 2020, compramos a Mobi 7, de telemetria. Hoje temos quase 600 mil carros conectados. Isso permite não só rastreio, mas segurança: se houver uma frenagem brusca que indique batida, podemos ligar para o cliente e oferecer ajuda. Essa tecnologia também viabilizou o Localiza Fast. Nosso foco é o core business, mas o radar para oportunidades está ligado.

A Localiza compra cerca de 10% a 15% da produção nacional de veículos. Essa relação com as montadoras continua forte?

O setor de locação é fundamental para a indústria automotiva. Em 2024, as locadoras compraram 26% da produção nacional de veículos leves. A Localiza comprou 236 mil carros no ano passado. É uma relação de longo prazo que traz previsibilidade para as montadoras.

E qual a tendência para a frota: combustão, híbridos ou elétricos?

Queremos ter o carro que o cliente quer e que faça sentido financeiro. No Brasil, temos a solução única do etanol, que emite 90% menos CO2 que a gasolina por ser renovável. Nossa frota atual é cerca de 95% flex (600 mil carros) e temos cerca de 7.000 híbridos e elétricos. Vamos evoluir conforme a demanda e a viabilidade econômica, com uma tendência de aumento gradual dos híbridos. Principalmente no carro por assinatura ou na gestão e terceirização de frotas, alguns clientes querem o veículo 100% elétrico, mas ainda é uma parcela muito pequena do portfólio.

A empresa está em sete países da América Latina. Há muita oportunidade no mercado externo?

Operar fora do país sempre tem uma complexidade. Temos um modelo já consolidado, que é o de franquias. Estamos nos países mais relevantes da América do Sul, como Argentina, Uruguai, Paraguai, Colômbia e Equador, com parceiros de longa data. Em 2023, abrimos nossa primeira operação própria fora do Brasil: o México. É um país com grande potencial turístico e populacional, com um mercado de locação ainda fragmentado. Já temos entre 27 e 29 agências lá.

No mundo, a Localiza é uma das maiores; na Europa não há nenhuma maior e, nos Estados Unidos, parece haver apenas uma superior. Diante desse desafio externo, ainda há muito para crescer no Brasil ou a empresa já está consolidada em todos os estados?

Achamos que ainda há muita oportunidade, pois a relação do consumidor com o carro mudou. Não é apenas "locar mais ou menos". Muitas pessoas não querem mais a posse, preferem assinar um veículo ou alugar apenas para viagens. Como a mobilidade é uma necessidade básica e nem toda cidade brasileira possui uma malha de metrô ampla e eficiente, o carro sempre será necessário. Essa transição da propriedade para o uso ainda tem um mercado enorme a ser conquistado no Brasil.

Vocês possuem um número de clientes ativos que estão sempre fazendo negócios com a Localiza?

Temos um cuidado enorme com os dados e informações, e nossa base é muito robusta. O aluguel de carros dá muita visibilidade por causa das agências "verdinhas" nos aeroportos e cidades, mas o negócio de terceirização de frota e carro por assinatura é igualmente relevante para nós e muito equilibrado em termos de volume.

Como tem sido a atuação do Instituto Localiza?

Temos um enorme orgulho do Instituto Localiza, onde sou conselheira. Embora a Localiza sempre tenha trabalhado no social, o instituto completou 4 anos de atuação em 2025. É jovem, mas muito potente: já impactou mais de 60 mil pessoas. Focamos em educação, desenvolvimento de jovens e empreendedorismo em todo o Brasil. Temos uma responsabilidade muito grande em Minas Gerais, especialmente perto da nossa sede.

Quais seriam os projetos principais?

A inclusão no mercado de trabalho hoje depende muito do conhecimento tecnológico. Temos o projeto Garotas Tecnológicas, em que ensinamos jovens da nossa região a programar. Muitas chegam com pouquíssimo conhecimento, e os depoimentos são emocionantes. Após a capacitação, nós as contratamos ou as preparamos para o mercado. Temos também o projeto Na Rota, que capacita pessoas para trabalhar em call centers – uma área que ainda demanda muita mão de obra. Além disso, nosso voluntariado é incrível: no ano passado, tivemos mais de 850 colaboradores voluntários. Esse trabalho traz engajamento e um senso de pertencimento à companhia. Quando multiplicamos nossas ações por 850 voluntários, cada um dedicando sua competência com amor, o impacto é maravilhoso.Sem educação não dá. O país tem potencial, mas as pessoas precisam estar capacitadas para um mercado que migra para a tecnologia e a IA. Muitos temem que a IA tire empregos, mas, se a pessoa estiver preparada, ela será uma aliada.

Como vocês incentivam outras empresas a seguir esse caminho?

Fazemos muitos trabalhos em conjunto e, quando não conseguimos absorver todos os capacitados, oferecemos os currículos para outras empresas. Felizmente, vemos um movimento grande de empresas mineiras e brasileiras nessa linha. É importante estimular esse despertar; não podemos deixar o social apenas por conta do governo. Na Localiza, vemos que as pessoas querem ajudar, basta oferecermos a oportunidade e uma estrutura.

Como o ambiente de negócios do Brasil impacta uma empresa do porte da Localiza?

A empresa brasileira está acostumada a trabalhar em momentos propícios e difíceis. Em 50 anos, a Localiza passou por vários planos econômicos e crises. O segredo é olhar para dentro, ter estratégia clara, gestão eficiente, alocação de capital devida e investir em gente. Isso nos permite "surfar" tanto em momentos de bonança quanto de restrição.

E sobre os juros altos? Em um negócio de capital intensivo, como driblar esse custo do dinheiro?

A despesa financeira tem um impacto grande, por isso a importância de uma gestão operacional eficiente, sem desperdícios. A Localiza é uma empresa muito disciplinada. Ser disciplinada significa analisar profundamente antes de decidir comprar um volume de carros, entendendo o retorno e o momento certo, sem agir pelo impulso. É um investimento de tíquete alto, então somos responsáveis com o capital do acionista.

O cliente quer carro novo, preço, comodidade e tecnologia. Tudo isso tem um custo alto.

Exatamente. Focamos em eficiência para oferecer experiências encantadoras aos clientes e manter colaboradores satisfeitos e engajados. Nossos valores são: gente, cliente e resultado, tudo com atitude de dono, confiança e ética.

Qual conselho você daria para quem quer trabalhar na Localiza?

Adoramos gente com brilho nos olhos e vontade de se desenvolver. É preciso ter protagonismo, curiosidade para aprender novas tecnologias e ética acima de tudo.

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