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Evangélicos não votam na esquerda, e Flávio Bolsonaro é favorito, diz Eduardo Cunha

www1.folha.uol.com.br By Gustavo Zeitel 2026-03-30 614 words
O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha afirma que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é o favorito para ganhar a eleição presidencial deste ano. Segundo o ex-parlamentar, o pleito será decidido no erro de um dos dois principais candidatos.

"Essa é uma eleição de rejeição, assim como foi a eleição de 2022. Só que agora inverteram os papéis. Quem está no poder agora não é Bolsonaro, é Lula. O resultado da eleição vai ser exatamente o mesmo da eleição de 2022, naquela diferença, e vai ser um detalhezinho mínimo", disse Cunha nesta segunda-feira (30), em entrevista ao Frente a Frente, programa de entrevistas da Folha e do UOL.

Cunha afirmou que apoiará Flávio ou qualquer nome que seja contra o PT. Segundo ele, o filho 01 de Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado, vai "apanhar do petismo até sangrar", assim que o prazo de descompatibilização dos cargos seja expirado, no próximo sábado (4).

Na entrevista, o ex-deputado, que se projetou na política com o apoio de igrejas, afirmou que os evangélicos de verdade jamais votarão na esquerda. "Não adianta a esquerda procurar voto nos evangélicos. Quem for evangélico e votar na esquerda não é evangélico de verdade."

Neste ano, Cunha tentará uma vez mais retomar a carreira política —em 2022, ele já havia concorrido, sem sucesso, ao cargo de deputado federal por São Paulo. Agora, se aproxima do eleitorado mineiro para disputar uma vaga na Câmara. Cunha disse que ainda não decidiu por qual partido vai se lançar.

Ele justificou a escolha de Minas Gerais, porque o estado representa "a mediana do país", um lugar que o "acolheu muito bem". Também afirmou que não rivalizaria com sua filha, a deputada Dani Cunha (União Brasil), eleita pelo Rio de Janeiro.

O ex-parlamentar contou ainda que já deu alguns conselhos ao atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que foi seu aliado próximo nos tempos em que chefiou a Casa. Também rebateu críticas ao trabalho do parlamentar, dizendo que Motta é um jovem competente e muito preparado. "Eu falo com ele alguma regularidade sobre algumas coisas normais e cotidianas, mas ele tem a opinião dele. Se eu estiver lá como deputado, votarei nele [para a reeleição a presidente da Câmara]."

Cunha foi presidente da Câmara dos Deputados, de 2015 a 2016. Durante o mandato, ele aceitou um dos pedidos de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), conduzindo o processo que culminou numa sessão de votação de mais de dez horas. Na ocasião, o ex-parlamentar foi elogiado por aliados e xingado de corrupto pela base governista, que via o impeachment como um ato de chantagem.

Afinal, o PT havia retirado o apoio a ele no Conselho de Ética. Cunha já era réu sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito da Lava Jato. Um mês depois da votação do impeachment, foi afastado da presidência da Câmara por decisão do então ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki. Mais tarde, teria o mandato cassado, tornando-se inelegível, e passaria quatro anos preso.

Em 2023, a Primeira Turma do STF anulou a condenação, entendendo que a Justiça Federal no Paraná não era competente para conduzir o caso, mas sim a Justiça Eleitoral, aonde o processo foi destinado.

Eduardo Cunha foi o terceiro entrevistado do Frente a Frente, que tem como proposta trazer uma abordagem analítica à cobertura eleitoral de 2026, entrevistando personagens de relevância política, sejam candidatos, presidentes de partidos, marqueteiros ou estrategistas. Apresentado por Fábio Zanini, editor da coluna Painel, e por Daniela Lima, colunista do UOL, o programa vai ao ar toda segunda, às 19h, no YouTube do UOL e no Canal UOL, com transmissão na home da Folha.

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