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Fazenda propõe aos bancos novo programa de renegociação de dívidas para as famílias

exame.com By Mateus Omena 2026-03-30 491 words
Dario Durigan: novo ministro da Fazenda (Diogo Zacarias/Divulgação)

Mateus Omena

Repórter

Publicado em 30 de março de 2026 às 19h32.

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O Ministério da Fazenda apresentou aos bancos uma proposta inicial para criação de um novo programa de renegociação de dívidas voltado às famílias. A iniciativa busca reduzir o comprometimento da renda com empréstimos, que atingiu nível recorde no país. A proposta difere do modelo do Desenrola, lançado em 2023, e deve adotar outro formato e nome.

Atualmente, 29,3% da renda das famílias está comprometida com o pagamento de dívidas, maior patamar da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. O dado é tratado como principal ponto de atenção em relação ao endividamento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou preocupação com o tema durante evento na última quinta-feira, ao mencionar impactos no orçamento das famílias. Ele afirmou ter solicitado ao novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, a formulação de uma solução para o problema.

Na ocasião, Lula destacou que parte das dívidas pode estar associada à formação de patrimônio, como aquisição de imóveis, mas apontou que despesas recorrentes com compras de menor valor podem gerar acúmulo ao fim do mês.

"Aí a gente começa a ficar zangado:
"Pô, trabalhei o mês inteiro, peguei meu salário e não sobrou nada". Aí quem que você xinga? O governo. É lógico. Porque o mundo é assim. Sabe, primeiro é Deus, porque tudo que dá errado ou dá certo é culpa de Deus também. E no governo é só o que dá errado. Eu sei que a cabeça das pessoas funciona assim", afirmou Lula, ao participar da inauguração de uma fábrica em Anápolis (GO).

Dario Durigan se reuniu nesta segunda-feira com representantes de entidades do setor financeiro, como Febraban, Federação Brasileira de Bancos, ABBC, Associação Brasileira de Bancos, Abecs, Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, Zetta e Acrefi, Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento.

Durante o encontro, foi apresentada uma proposta preliminar para o programa, com foco em um processo mais rápido em comparação ao Desenrola, que exigiu leilão entre credores e adesão posterior dos clientes em plataforma digital.

A nova estrutura prevê renegociação direta entre clientes e instituições financeiras. O desenho também considera a adoção de um nome diferente, para evitar a percepção de recorrência do mecanismo, o que poderia influenciar o comportamento de inadimplência.

Assim como no Desenrola, a proposta deve incluir incentivos para estimular a participação dos bancos e viabilizar condições mais favoráveis, como taxas de juros reduzidas. No programa anterior, parte dos contratos contou com garantia do Fundo Garantidor de Operações, FGO.

Os representantes do setor financeiro ficaram responsáveis por avaliar a proposta e apresentar sugestões ao Ministério da Fazenda, que indicou urgência na implementação.

No momento, a equipe econômica não considera adotar medidas como o tabelamento de juros, incluindo a definição de teto para o rotativo do cartão de crédito.

*Com informações da Agência O Globo.

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