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Trump promete continuar com ataques contra o Irã

valor.globo.com 2026-04-01 760 words
Trump promete continuar com ataques contra o Irã

Em pronunciamento à nação, o presidente americano afirmou que os objetivos estratégicos do país na guerra contra o Irã estão perto de serem atingidos

Por Valor — São Paulo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em discurso na noite desta quarta-feira (1) que os objetivos do país na guerra contra o Irã estão perto de serem concluídos, mas enviou mensagens contraditórias sobre a possibilidade de um fim rápido para o conflito, que está prestes a completar cinco semanas.

Em um pronunciamento em rede nacional de TV, o primeiro desde o início da guerra, Trump não citou um possível cessar-fogo contra o Irã e prometeu manter os ataques contra o país pelas próximas duas a três semanas. Sugeriu também que os EUA poderão atacar a infraestrutura energética do Irã caso o novo regime do país não busque um acordo com Washington.

"Vamos atingi-los com extrema força nas próximas duas a três semanas. Vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, onde pertencem", disse o presidente americano.

Trump reciclou no pronunciamento declarações que tem feito desde o início da guerra, exaltando o que considera como vitórias militares dos EUA, apesar de o Irã seguir atacando aliados americanos no Oriente Médio e Israel.

"A Marinha do Irã acabou. Sua Força Aérea acabou. Seus mísseis estão praticamente esgotados ou neutralizados. Em conjunto, essas ações vão incapacitar militarmente o Irã, esmagar sua capacidade de apoiar grupos terroristas aliados e impedir que desenvolvam uma bomba nuclear", disse Trump, reciclando um discurso vitorioso repetido desde o início da guerra. "Esses objetivos estratégicos estão próximos de serem concluídos."

No entanto, Trump levantou dúvidas sobre o que parecia ser um cronograma para o fim da guerra, ao afirmar que "completaria o trabalho" no Irã, sem deixar claro o que isso significa para a Casa Branca, e fazer comparações com a duração de outras guerras travadas pelos EUA na história.

Com as mensagens mais uma vez contraditórias sobre um possível fim do conflito, os mercados reagiram negativamente. O petróleo Brent, referência mundial, passou a subir 4% após o discurso, sendo negociado a US$ 105 por barril. Os principais índices das bolsas de valores no Japão e na Coreia do Sul também passaram a cair, com quedas de 0,4% e 2,1%, em reação às declarações de Trump.

Embora sem citar específicamente países, Trump também reiterou as ameaças aos aliados europeus, criticados por ele nos últimos dias por se recusarem a lançar uma missão militar para retomar a navegação pelo Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã em meio à guerra. Segundo o presidente americano, os EUA não dependem do petróleo do Oriente Médio e caberá agora a esses países trabalhem para a reabrir a passagem, crucial para o petróleo e gás.

"Aos países que não conseguem obter combustível, muitos dos quais se recusaram a se envolver na decapitação do Irã... tenho uma sugestão: primeiro, comprem petróleo dos EUA. Temos muito. Temos muito mesmo", disse. "E segundo... vão até o Estreito e simplesmente tomem o controle, protejam-no, usem-no para vocês".

Havia a expectativa que Trump falasse abertamente no discurso sobre a saída da Otan, o que não ocorreu. Como parte da campanha de pressão sobre os europeus, o presidente americano voltou a cogitar abandonar a aliança militar fundada pelos EUA após a Segunda Guerra Mundial, por considerar que os países-membros não apoiam os americanos no Irã.

Antes do discurso, Trump afirmou nas redes sociais que o Irã havia pedido por um cessar-fogo no confronto, o que foi negado por Teerã. O Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que a alegação sobre a trégua é "falsa e infundada", segundo a TV estatal.

Em resposta, o presidente do país, Masoud Pezeshkian, divulgou uma carta dirigida ao povo americano, na qual argumentou que seu país não tem inimizade com os EUA e agiu em legítima defesa. Ele alertou que "continuar no caminho da confrontação é mais custoso e inútil do que nunca" e observou que ataques à infraestrutura atingem diretamente o povo iraniano.

o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que o futuro de Ormuz será decidido pelo país e por Omã, segundo a emissora estatal Press TV. A Guarda Revolucionária, por sua vez, afirmou que o estreito não será reaberto com base nas "demonstrações absurdas" de Trump.

Mais de 5 mil pessoas já morreram na guerra, a grande maioria delas no Irã, segundo organizações governamentais e a Human Rights Activists News Agency. Mais de 1.300 pessoas morreram no Líbano, onde Israel trava uma guerra paralela contra o Hezbollah, aliado do Irã.

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