Do ciclismo ao tênis: bancos ampliam presença nos esportes na briga pela alta renda
A cena, aparentemente casual, resume um movimento crescente no mercado financeiro brasileiro.
Grandes instituições têm ido além dos patrocínios tradicionais a torneios e clubes e passaram a investir em atletas e eventos como ferramentas estratégicas de acesso a clientes alta renda - muitos do quais hoje são praticantes amadores, além de fãs.
A tendência acompanha uma mudança de hábitos no país que prioriza um estilo de vida mais saudável, o que tem levado a um crescimento na prática por esportes.
Uma multidão começou a ocupar as ruas, pistas, clubes e academias. Só no universo da corrida, são mais de 15 milhões de participantes, de acordo com levantamento da Box 1824 feito a pedido da Olympikus.
Dados do Perfil do Atleta Brasileiro, levantamento da Ticket Sports, maior empresa de venda de ingressos para competições esportivas do país, mostra que o número de inscrições na plataforma saltou de 1,8 milhão para 2,9 milhões entre 2024 e 2025.
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Entre esses praticantes, está um perfil de cliente com quem a Av. Faria Lima têm muito interesse em dialogar - e ampliar as relações. Os bancos perceberam que estar onde os donos do dinheiro se divertem é mais eficaz do que estar onde eles trabalham.
A estratégia não é nova - instituições tradicionais como Itaú Unibanco, patrocinador do Miami Open 18 anos, Santander, com a Fórmula 1 e o circuito Track & Field, já percorrem esse caminho há alguns anos. A diferença está neste novo momento de prática esportiva e da busca por saúde no Brasil e no mundo.
"O esporte deixou de ser apenas atividade física e passou a fazer parte do estilo de vida, especialmente entre o público de alta renda. Ele combina saúde, experiência e socialização", afirma Ivan Martinho, professor de Marketing Esportivo na ESPM.
"O esporte virou uma plataforma muito eficiente de relacionamento, porque cria comunidade, pertencimento e experiências que são difíceis de replicar em outros ambientes."
As novas plataformas
Na XP, Benchimol, entusiasta do mundo dos esportes, é o principal fiador dos patrocínios. O próprio apoio ao João Fonseca, iniciado quando o tenista tinha 17 anos, começou após o executivo assistir a um jogo em Wimbledon.
Além disso, uma pesquisa com cerca de 10 mil clientes revelou que 84% assistem a algum tipo de esporte e 78% praticam, ilustrando a conexão entre os dois mundos.
Nos últimos cincos anos, a companhia transitou por diversos patrocínios, incluindo as Olímpiadas e a equipe de Fórmula 1 Aston Martin, apoiando o piloto brasileiro Felipe Drugovich. Hoje, os patrocínios estão focados em tênis, NFL Brasil, NBA House e corrida de rua, com o circuito XP Live!.
A estratégia é concentrar investimentos e energia em poucos ativos para ativá-los de forma profunda, em vez de pulverizar.
"Como o número de ingressos é finito em cada evento, o que nós pensamos é como criar múltiplas experiências para garantir que impactamos o máximo de pessoas, com ativações nas redes sociais, em shopping centers. Fazemos muitas ativações fora dos locais das atividades", disse Lisandro Lopez, CMO da XP desde 2021.
Como exemplo, o executivo cita a edição do Rio Open, que marcou a estreia da marca na competição. A XP criou o "Desafio Forehand do João", incentivando o público a superar a velocidade do golpe de direita do atleta para concorrer a brindes, cujo recorde é de 181 km/h - os mimos eram dados para quem conseguia atingir mais de 63 km/h.
"Cada vez mais, nós discutimos como, a partir de ativações itinerantes, eu impacto não 5, 10 ou 20.000 pessoas, mas sim centenas de milhares ou talvez milhões de pessoas", disse Lopez.
Numa estratégia mais enxuta e mais recente, iniciada nos últimos dois anos, o BTG Pactual tem investido no ciclismo como elemento de conexão com o público.
A decisão veio da identificação a partir de pesquisas que mostraram o interesse tanto dos clientes quanto dos próprios profissionais na prática do esporte, além de embaixadores como Rodrigo Hilbert e Manu Cit.
"Nós vimos no ciclismo uma oportunidade porque é um território no qual acreditamos que temos muito espaço para entrar e apoiar, de fato, com muita coisa", disse André Kliousoff, CMO (Chief Marketing Officer) da instituição.
O banco liderado por Roberto Sallouti anunciou recentemente o patrocínio oficial da Ciclovia do Rio Pinheiros, administrada pela Farah Service.
Os demais ativos incluem o Giro d'Italia Ride Like a Pro Brasil, uma prova de ciclismo amador do país, a BTG Pactual Bike Series, circuito em autódromos e estradas fechadas, e o La Vuelta Desafío Brasil by BTG Pactual, extensão da tradicional competição espanhola La Vuelta a España.
Os patrocínios, que contam as equipes Laguens RaceFit e Lulu Ciclismo, e cobrem uma agenda que percorre todo o ano. A entrada na ciclovia em São Paulo é o primeiro passo "urbano" na estratégia, além de um meio para falar com um público mais amplo, não necessariamente um ciclista de alta performance, a partir de ativações e ações com marcas parceiras.
"Hoje estamos mais em São Paulo. Já chegamos a fazer Sertões, mas estamos testando alguns circuitos fora do eixo Rio-São Paulo. A intenção é expandir ao longo do tempo", disse Kliousoff, que busca cruzar as experiências com outros territórios do BTG, como viagens, gastronomia e música brasileira.
O aprendizado local também será importante na estratégia de internacionalização do banco, em mercados como Estados Unidos, Uruguai e Chile. "A nossa visão é estar muito próximo localmente e, de certa forma, buscar conectar globalmente tudo que for comum aos países", disse.
Outra concorrente que também está de olho no mercado internacional é o Nubank. O mais recente anúncio da instituição foi o naming rights do estádio de Inter de Miami, nos Estados Unidos, antecedido pelo patrocínio à equipe da Mercedes, na Fórmula 1, e ao naming rights do IronMan no Brasil, ocupando uma posição deixada pelo Itaú BBA.
Entre um investimento e outro
Os investimentos para capturar os territórios ou ampliar a exposição em determinados setores regularmente se deparam com a pergunta sobre o retorno do investimento, o ROI - na sigla em inglês. No caso dos patrocínios, essa é uma métrica nem sempre tão evidente.
Para o BTG Pactual, segundo o CMO, a mensuração ocorre a partir de pesquisas de marca que monitoram como a percepção da instituição evolui em relação a valores como inovação, proximidade e alinhamento com o estilo de vida de seus clientes.
Há uma compreensão de que os apoios aos esportes precisam de paciência e constância para a entrega de resultados.
"Percebemos, a partir de alguns territórios nos quais entramos, que o ponteiro começa a mexer, às vezes, um ano depois. Temos provas das quais não participamos ainda da segunda edição", disse Kliousoff.
O caminho percorrido pela XP, cujos investimentos começaram há mais tempo, procura avançar para além do intangível e do "brand lift".
O CMO diz que a instituição traz para a conta a emissão de cartões, vinculados a um determinado projeto, e também o custo que pagaria por convites caso não fosse a patrocinadora.
Quando faz uma pré-venda de ingressos para um evento como a NFL, por exemplo, a XP rastreia quantos cartões foram emitidos durante a janela de vendas e calcula o custo de aquisição de cliente (CAC).
"Eu consigo identificar exatamente quantos cartões eu emiti naquela janela", diz Lopez. "Como eu consigo tirar da equação muitos valores bem racionais, a discussão do intangível, ela é muito menor e muito mais simples."
Nesta nova corrida dos bancos por patrocínios esportivos, a disputa não é sobre logos em uniformes, e sim sobre acesso estratégico à mentalidade de alta renda — e cada instituição escolheu seu próprio caminho.
"Quando uma marca escolhe bem o território em que quer atuar e constrói presença ao longo do tempo, ela deixa de competir apenas por visibilidade e passa a ocupar um espaço claro na mente e no estilo de vida do público", diz Martinho, da ESPM.
O sucesso da estratégia, portanto, não dependerá somente do volume do investimento, mas de entender que o cliente de alta renda não quer apenas um banco.
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
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Multiple named sources from companies and an academic expert, but no primary documents or direct interviews with clients.
Specific Findings from the Article (5)
"Ivan Martinho, professor de Marketing Esportivo na ESPM"
Named expert with academic credentials.
Named source"Lisandro Lopez, CMO da XP desde 2021"
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Named source"André Kliousoff, CMO (Chief Marketing Officer) da instituição"
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Named source"de acordo com levantamento da Box 1824 feito a pedido da Olympikus"
Cites a research study.
Secondary source"Dados do Perfil do Atleta Brasileiro, levantamento da Ticket Sports"
Cites data from a company report.
Secondary sourcePerspective Balance
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Article presents the trend positively from the banks' perspective, with minimal critical counterpoints.
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"Os bancos perceberam que estar onde os donos do dinheiro se divertem é mais eficaz"
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"são mais de 15 milhões de participantes"
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Statistic"saltou de 1,8 milhão para 2,9 milhões entre 2024 e 2025"
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Statistic"A estratégia não é nova - instituições tradicionais como Itaú Unibanco, patrocinador do Miami Open 18 anos"
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Background"Nos últimos cincos anos, a companhia transitou por diversos patrocínios"
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""O esporte deixou de ser apenas atividade física e passou a fazer parte do estilo de vida, especialmente entre o"
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Core Claims & Their Sources
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"Large Brazilian financial institutions are increasingly using sports sponsorships and investments as strategic tools to access high-income clients."
Source: Article's narrative supported by quotes from executives (Lisandro Lopez of XP, André Kliousoff of BTG Pactual) and expert Ivan Martinho. Named secondary
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"This trend aligns with a shift in Brazilian habits towards a healthier lifestyle and increased sports participation."
Source: Supported by data citations (Box 1824, Ticket Sports) and expert analysis from Ivan Martinho. Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (7)
-
P1
"João Fonseca won his first doubles title at the Rio Open in February."
Factual -
P2
"XP's research with ~10k clients showed 84% watch sports and 78% practice sports."
Factual -
P3
"The number of registrations on the Ticket Sports platform grew from 1.8 million to 2.9 million between 2024 and 2025."
Factual -
P4
"BTG Pactual recently became the official sponsor of the Ciclovia do Rio Pinheiros."
Factual -
P5
"Nubank secured naming rights for Inter de Miami's stadium."
Factual -
P6
"Increased sports participation (cause) causes creates a strategic platform for banks to access high-income clients (effect)."
Causal -
P7
"Choosing the right sponsorship territory and building long-term presence (cause) causes allows a brand to occupy a clear space in the target audien..."
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: João Fonseca won his first doubles title at the Rio Open in February. P2 [factual]: XP's research with ~10k clients showed 84% watch sports and 78% practice sports. P3 [factual]: The number of registrations on the Ticket Sports platform grew from 1.8 million to 2.9 million between 2024 and 2025. P4 [factual]: BTG Pactual recently became the official sponsor of the Ciclovia do Rio Pinheiros. P5 [factual]: Nubank secured naming rights for Inter de Miami's stadium. P6 [causal]: Increased sports participation (cause) causes creates a strategic platform for banks to access high-income clients (effect). P7 [causal]: Choosing the right sponsorship territory and building long-term presence (cause) causes allows a brand to occupy a clear space in the target audience's mindset and lifestyle (effect). === Causal Graph === increased sports participation cause -> creates a strategic platform for banks to access highincome clients effect choosing the right sponsorship territory and building longterm presence cause -> allows a brand to occupy a clear space in the target audiences mindset and lifestyle effect
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.