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Opinião - Celso Rocha de Barros: Flávio Bolsonaro quer comprar golpe com terras raras

www1.folha.uol.com.br 2026-04-04 516 words
Em discurso nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro prometeu a Donald Trump as terras raras brasileiras como pagamento se a Casa Branca melar as eleições desse ano e lhe entregar a Presidência da República.

O discurso foi feito na CPAC, uma reunião de extrema direita em que candidatos a Marechal Pétain apresentam seus currículos de golpista às autoridades americanas.

Além de Flávio Bolsonaro, Reza Pahlavi, filho do último Xá do Irã, foi à CPAC solicitar que os americanos o coloquem no poder na pátria que sua família saqueou e manteve submissa por décadas. Na CPAC do ano passado, militantes de extrema direita sul-coreanos andavam pela conferência defendendo Yoon Suk Yeol, presidente que, como Jair tentou fazer, declarou estado de sítio para instaurar uma ditadura. Como Jair, Yoon Suk Yeol mentia que havia sido vítima de fraude eleitoral. Como Jair, está preso.

Mas seria um erro reduzir a CPAC à defesa do golpe de Estado. A conferência teve painéis sobre outros assuntos: por exemplo, na sessão "Bifes, Charutos e Ivermectina", quatro malucos defendiam uma visão muito particular do que pode garantir a saúde dos americanos. Tomara que tenham razão, porque Trump cortou o acesso de milhões de cidadãos ao sistema de saúde tradicional.

Enfim, se Flávio frequentava as reuniões ministeriais do pai, uma reunião repleta de golpistas, ladrões e malucos defendendo remédio de piolho deve ter parecido só mais um dia no serviço.

Além das terras raras como suborno, Flávio também ofereceu a Trump um discurso para uma eventual intervenção. Com cara de pau que faria Daniel Vorcaro corar, Flávio ressuscitou o discurso bolsonarista sobre urnas eletrônicas.

O inquérito do golpe mostrou que os bolsonaristas não estavam apenas errados sobre as urnas eletrônicas: eles estavam mentindo.

No relatório n.º 4546344/2024, da Polícia Federal (disponível na internet), há prints de WhatsApp de Mauro Cid dizendo para outro oficial golpista em 4 de outubro de 2022, dois dias depois do primeiro turno: "Nada. Nenhum indício de fraude" (p. 98); print de mensagem do pai de Cid pedindo ao filho, em nome de outro golpista, que não seja divulgado relatório das Forças Armadas que não encontrou qualquer sinal de fraude (p. 145); várias provas de que o técnico encarregado pelo PL para investigar as denúncias contra as urnas eletrônicas informou o partido que as denúncias não se sustentavam (por exemplo, email nas páginas 203-204).

Ou seja, quando pediam golpe porque a eleição havia sido roubada, Jair e sua quadrilha sabiam que não era verdade.

Flávio também sabe. Dissemina mentiras sobre a democracia brasileira para convencer a maior superpotência da história do mundo a destruí-la. Nem é sua primeira vez: poucos meses atrás, apoiava o tarifaço. E na CPAC criticou assessores de Trump que, "movidos por seus próprios interesses", o levaram a negociar com Lula.

Se você entendeu o quão escandaloso foi o discurso de Flávio Bolsonaro, sugiro não criar expectativas sobre seus efeitos políticos.

É sua primeira eleição com golpistas de direita na disputa, filho? A minha é a terceira. Se Flávio prometer privatizar qualquer padaria continuará a ser tratado como um candidato normal, em que gente razoável pode perfeitamente votar.

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