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EUA mobilizam maior parte de míssil furtivo de longo alcance para a guerra contra o Irã

valor.globo.com 2026-04-04 861 words
EUA mobilizam maior parte de míssil furtivo de longo alcance para a guerra contra o Irã

Os estoques de interceptadores de mísseis e armas de ataque de longo alcance vêm sendo um ponto crítico desde que os EUA e Israel iniciaram sua campanha contra o regime iraniano

Os próximos passos da campanha militar dos Estados Unidos contra o Irã devem mobilizar quase todo o seu estoque de mísseis de cruzeiro furtivos JASSM-ER, retirando-os de reservas destinadas a outras regiões.

A ordem para deslocar a arma, avaliada em US$ 1,5 milhão, de estoques no Pacífico foi dada no fim de março. Mísseis em outras instalações dos EUA, incluindo no território continental, serão transferidos para bases do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês) ou para Fairford, no Reino Unido, disse a fonte à agência, que pediu anonimato por se tratar de informações sensíveis.

Após essas movimentações, restariam cerca de 425 unidades do JASSM-ER, de um total de 2.300 antes da guerra, para o restante do mundo. Isso seria suficiente para equipar aproximadamente 17 bombardeiros B-1B Lancer em uma única missão. Outras cerca de 75 unidades estão "inoperantes" devido a danos ou falhas técnicas.

O JASSM-ER (Míssil Conjunto Ar-Superfície de Alcance Estendido) tem alcance de 966 quilômetros (km) e foi projetado para atingir alvos a distâncias seguras, evitando as defesas aéreas inimigas.

Junto com o JASSM de menor alcance — cerca de 400 km — aproximadamente dois terços dos estoques americanos já foram destinados à guerra contra o Irã.

Os estoques de interceptadores de mísseis e armas de ataque de longo alcance vêm sendo um ponto crítico desde que os EUA e Israel iniciaram sua campanha aérea em 28 de fevereiro. Repor o que já foi utilizado levaria muitos anos com os níveis atuais de produção.

Os EUA têm utilizado grandes quantidades de armas de longo alcance como o JASSM-ER para ataques, reduzindo o risco para militares, mas diminuindo os estoques destinados a adversários mais poderosos, como a China.

EUA e Israel afirmam ter destruído uma parte significativa das defesas aéreas iranianas, permitindo o uso de armas mais baratas. Ainda assim, um caça F-15E Strike Eagle foi abatido na sexta-feira. Logo depois, um avião de ataque A-10 Thunderbolt II também caiu, e dois helicópteros de busca e resgate foram atingidos por fogo iraniano, segundo o jornal The New York Times.

As operações americanas nas primeiras quatro semanas da guerra consumiram mais de 1.000 mísseis JASSM-ER, disse a fonte à agência. Aeronaves dos EUA também dispararam 47 durante uma operação para capturar o então presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Os EUA já destinaram recursos para comprar mais de 6.200 JASSMs desde 2009, e a produção da versão básica foi encerrada há cerca de 10 anos.

A Lockheed Martin planeja produzir 396 unidades da versão de longo alcance em 2026, embora esse número possa chegar a 860 caso a linha de produção — que também fabrica o míssil antinavio LRASM — seja totalmente dedicada aos JASSMs.

O envio massivo desses mísseis não significa que todos serão utilizados. Até agora, eles foram lançados por bombardeiros B-52 Stratofortress e B-1B, além de caças.

O Comando Central dos EUA e o Departamento de Defesa não comentaram o assunto.

Não está claro qual será o próximo passo do presidente americano, Donald Trump, na campanha militar. Com tropas terrestres, incluindo fuzileiros navais e paraquedistas, sendo deslocadas para a região, surgem especulações sobre a tomada da Ilha de Kharg, onde ficam importantes terminais de petróleo do Irã.

Trump afirmou em discurso na quarta-feira à noite que "nas próximas duas a três semanas, vamos levá-los de volta à Idade da Pedra", sem especificar o impacto para civis, militares ou o governo iraniano.

Na terça-feira, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, disse que os EUA começaram a enviar bombardeiros B-52 sobre o Irã, indicando que o espaço aéreo estaria mais seguro para ataques com bombas de precisão JDAM, mais baratas e disponíveis.

Mesmo assim, além das duas aeronaves americanas abatidas na sexta-feira, o Irã também destruiu mais de 12 drones de ataque MQ-9 ao longo da guerra.

O fato de bombardeiros mais antigos e lentos como o B-52 só agora estarem operando sobre o Irã "levanta dúvidas sobre o quanto os EUA ainda dependem de capacidades de ataque à distância", disse Kelly Grieco, do Stimson Center.

Segundo dados oficiais de países do Golfo, o Irã já lançou mais de 1.600 mísseis balísticos na região, além de cerca de 4.000 mísseis de cruzeiro do tipo Shahed. A defesa contra mísseis balísticos, por si só, exigiria pelo menos 3.200 interceptadores.

Enquanto a Lockheed Martin produz cerca de 650 interceptadores Patriot PAC-3 por ano, a empresa assinou um acordo em janeiro para elevar esse número para 2.000 até 2030. Ela também fabrica cerca de 96 interceptadores Thaad por ano, com planos de aumentar para 400.

Os EUA também dispararam centenas de mísseis de cruzeiro Tomahawk durante os ataques. Antes da guerra, havia cerca de 4.000 unidades em estoque — incluindo modelos mais antigos e versões antinavio. A empresa RTX Corporation produziu cerca de 100 novos mísseis em 2025, enquanto aproximadamente 240 unidades antigas foram modernizadas para o padrão mais recente, Block V.

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