B
22/30
Good

Trump renova ameaças ao Irã, enquanto EUA buscam piloto desaparecido

valor.globo.com 2026-04-04 1286 words
Trump renova ameaças ao Irã, enquanto EUA buscam piloto desaparecido

O presidente americano deu um prazo de 48 horas para que o governo iraniano feche um acordo de paz ou reabra o Estreito de Ormuz senão o "inferno irá se abater" sobre o país do Oriente Médio

Em meio às buscas, pelas Forças Armadas dos EUA, de um tripulante desaparecido de um caça F-15 abatido pelo Irã, o presidente americano, Donald Trump, reafirmou sua ameaça à nação do Oriente Médio neste sábado (4), dando um prazo de 48 horas para que seja fechado um acordo com o governo americano sobre o desfecho da guerra ou para que o Estreito de Ormuz seja totalmente reaberto, "antes que o inferno se abata" sobre o país.

"Lembram-se de quando dei ao Irã dez dias para FAZER UM ACORDO ou ABRIR O ESTREITO DE ORMUZ? O tempo está se esgotando — 48 horas, antes que o inferno se abata sobre eles", escreveu Trump na sua rede social, Truth Social.

Trump não especificou quais medidas os EUA tomariam caso o Irã não cumprisse as exigências, mas a declaração surge em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e às preocupações com interrupções no fornecimento global de petróleo.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, por onde passa aproximadamente um quinto do abastecimento global de petróleo. Qualquer interrupção, ainda que parcial, nessa via navegável deverá ter impactos imediatos nos mercados globais de energia.

Após os comentários de Trump, Israel se prepara para atacar instalações de energia iranianas, mas aguarda a aprovação dos EUA, disse, neste sábado, um alto funcionário da defesa israelense à agência Reuters, acrescentando que quaisquer ataques desse tipo provavelmente ocorrerão na próxima semana.

Este não é o primeiro prazo de 48 horas que Donald Trump dá ao Irã. Desde o início da guerra, Trump estabeleceu diversos prazos para o regime iraniano aceitar os termos do governo americano para encerrar a guerra. Esta última ameaça coincide com a pausa de 10 dias nos ataques à infraestrutura energética do Irã que o presidente americano anunciou em 27 de março — em 21 de março, Trump também disse que "atacaria e destruiria as várias usinas de energia [do Irã], começando pelas maiores", caso o Irã não reabrisse o Estreito de Ormuz em 48 horas.

Já em 23 de março, ele afirmou que os dois países tiveram "conversas muito boas e produtivas" e que adiaria todos os ataques militares contra infraestrutura energética por cinco dias. O regime iraniano, no entanto, negou que houve negociações com os EUA.

Indústria iraniana é afetada por ataques

Neste sábado, o Irã afirmou que ataques conjuntos entre EUA e Israel atingiram fábricas petroquímicas e forçaram a evacuação de uma grande zona industrial. Outros ataques, direcionados ao perímetro da usina nuclear iraniana de Bushehr, deixaram um membro da equipe de segurança morto, informou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim.

As principais seções da instalação, onde a empresa estatal russa de energia nuclear Rosatom mantém funcionários, não foram afetadas, segundo a Tasnim.

O Irã continuou disparando mísseis e drones em grande parte do Oriente Médio. Autoridades de Dubai relataram à agência Bloomberg que destroços de uma interceptação aérea caíram na fachada de um prédio da Oracle Corp., na Dubai Internet City, na manhã deste sábado. Também relataram que destroços atingiram um prédio na área próxima de Dubai Marina. Não houve relatos de incêndios ou feridos.

O regime iraniano lançou mais mísseis contra Israel. Houve danos em um estacionamento em Tel Aviv e em prédios de várias cidades periféricas, disseram as autoridades, descrevendo os impactos como causados por destroços interceptados pelos mísseis. Não houve relatos imediatos de vítimas.

Militar americano desaparecido

Enquanto as tensões seguem escalando entre os países envolvidos e em meio às ameaças de seu presidente ao governo iraniano, as Forças Armadas dos EUA continuam as operações de busca e resgate de um membro da tripulação de um caça F-15E abatido pelo Irã na sexta-feira (3).

Um segundo avião de combate americano teria caído no Golfo Pérsico no mesmo dia. Os incidentes representam um duro golpe para Washington, enquanto a guerra entra em sua sexta semana, com o aumento dos preços da energia e poucos sinais de um fim para o conflito.

Em entrevista à NBC News, ontem, Trump se recusou a comentar as operações de busca e resgate. Segundo um repórter que conversou com ele por telefone, ele afirmou que os eventos não afetariam as negociações de paz com o Irã.

A derrubada do jato americano ocorreu após a afirmação de Trump, em um pronunciamento em horário nobre na quarta-feira (1), de que o Irã não possuía mais equipamentos antiaéreos. Seus comandantes militares, assim como o secretário de Defesa, Pete Hegseth, já haviam alardeado a superioridade aérea dos EUA sobre o território iraniano.

Esta é a primeira perda em combate conhecida de uma aeronave americana ou israelense desde que os dois países começaram a atacar o Irã em 28 de fevereiro. Três aeronaves americanas foram abatidas por fogo amigo no Kuwait no início da guerra, enquanto outras foram destruídas ou danificadas em bases aéreas por drones e mísseis iranianos.

Recompensa pelo piloto americano

Os EUA resgataram um dos tripulantes do F-15, segundo um oficial americano que pediu para não ser identificado por estar discutindo informações sensíveis. O paradeiro da segunda pessoa é incerto, e a mídia iraniana informou que Teerã ofereceu uma recompensa de cerca de US$ 66.000 a cidadãos que a capturarem com vida.

O único piloto do segundo avião — um A-10 Warthog — foi resgatado em segurança, informou o New York Times.

Um acordo ainda distante

O Irã demonstrou poucos sinais de aceitar as exigências de paz de Trump e apresentou suas próprias condições — a maioria delas inaceitáveis segundo os EUA e Israel.

O jornal The New York Times, citando relatórios da inteligência americana, afirmou que militares iranianos têm desenterrado bunkers e silos subterrâneos de mísseis atingidos por bombas americanas e israelenses, reativando-os poucas horas após os ataques. Isso levanta dúvidas sobre a capacidade dos EUA e de Israel de destruir o arsenal de mísseis do Irã — um de seus principais objetivos de guerra.

Apesar da ameaça de Trump neste sábado, o presidente sinalizou, esta semana, que pode estar disposto a retirar as forças americanas do conflito em duas ou três semanas, mesmo que o Estreito de Ormuz ainda esteja efetivamente fechado.

O exército iraniano afirmou, hoje, que o Iraque estaria isento das restrições de transporte marítimo na região, abrindo a possibilidade da passagem de até 3 milhões de barris de petróleo iraquiano por dia.

Os aliados dos EUA estão intensificando os esforços para garantir que a hidrovia seja reaberta em breve. Mais de 40 ministros das Relações Exteriores se reuniram virtualmente na quinta-feira (2) para discutir planos, sinalizando a Trump sua preocupação com o fechamento.

O grupo, convocado pelo Reino Unido, deixou claro que quaisquer negociações de cessar-fogo com o Irã precisavam incluir uma solução para o Estreito de Ormuz, disseram pessoas familiarizadas com as discussões à Bloomberg. Ainda assim, a reunião, da qual os EUA e o Irã não participaram, mostrou que a coalizão de países considera necessário se preparar para a possibilidade de reabrir o estreito sem a participação de Washington.

Nações como a França e o próprio Reino Unido afirmaram que as opções militares provavelmente não funcionarão enquanto não houver um cessar-fogo.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou, em uma publicação nas redes sociais, que conversou, hoje, por telefone com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, dizendo que a situação estava caminhando para um impasse e "exortando a comunidade internacional a intensificar os esforços para pôr fim à guerra".

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic