B
25/30
Good

Petrobras decide vacância na presidência do conselho na segunda-feira; Guilherme Mello deve assumir

valor.globo.com 2026-04-04 1026 words
Petrobras decide vacância na presidência do conselho na segunda-feira; Guilherme Mello deve assumir

Guilherme Mello deve ocupar vaga de Bruno Moretti, que renunciou para assumir como ministro do Planejamento e Orçamento no lugar de Simone Tebet

O conselho de administração da Petrobras se reúne nesta segunda-feira (6) para tratar da vacância da presidência do colegiado depois que Bruno Moretti deixou o cargo, em 31 de março, para assumir como ministro do Planejamento e Orçamento em substituição a Simone Tebet, que vai concorrer às eleições, em outubro.

O Valor confirmou que o economista Guilherme Mello, secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, deverá assumir como presidente do conselho da Petrobras no lugar de Moretti. A informação havia sido antecipada pelo jornal Folha de S. Paulo.

Uma possibilidade é que na própria segunda-feira (6) Mello seja referendado, pelos demais membros do conselho, como integrante do colegiado da Petrobras e, na sequência, como presidente do órgão para cumprir o restante do mandato de Moretti, até 16 de abril.

Nessa data haverá a assembleia geral ordinária e extraordinária (AGOE) da Petrobras, quando uma nova eleição vai escolher os integrantes dos conselhos de administração e fiscal da empresa para o período 2026-2028.

Uma fonte disse ao Valor que também haveria possibilidade de Marcelo Weick, secretário da Casa Civil e atual conselheiro da Petrobras, ocupar o cargo de presidente do conselho da empresa até a AGOE.

Vitória da Fazenda

Nos bastidores, a indicação de Mello é vista como uma vitória do ministério da Fazenda, uma vez que o secretário é próximo do ministro Dario Durigan e do próprio Moretti, que era secretário especial de análise governamental da Casa Civil da Presidência da República.

Moretti estava na presidência do conselho da petroleira desde agosto de 2025, quando substituiu Pietro Mendes, que renunciou ao cargo para assumir diretoria na Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP).

Política de combustíveis

Outro interlocutor próximo da Petrobras disse que havia preocupação, neste momento, de que a presidência do conselho da empresa seja exercida por uma pessoa que tenha boa interlocução com outras áreas do governo sobre a política de preços dos combustíveis.

Com o recrudescimento da guerra no Oriente Médio, o Brasil, assim como outros países, vem tomando uma série de medidas, via subsídios e redução de impostos, para tentar atenuar a alta do petróleo no mercado internacional, que subiu cerca de 50% desde o começo do conflito, e atingiu, na quinta-feira (2), US$ 108 por barril.

O diesel, do qual o Brasil importa cerca de 30% de suas necessidades, também está em alta no exterior pressionado por restrição de oferta e alta na demanda.

As medidas para os combustíveis anunciadas pelo governo vêm sendo capitaneadas pelos ministérios da Fazenda e Planejamento, pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A lista de medidas até agora inclui subvenções às importações de diesel, reduções de impostos sobre o produto, subsídios ao GLP (botijão de cozinha) e parcelamento de aumentos às distribuidoras no QAV (combustível de aviação).

De acordo com uma visão que circula nos bastidores, a escolha de Mello representaria, por outro lado, uma derrota para o ministro Alexandre Silveira, do MME, que teria interesse de fazer como presidente do conselho da Petrobras Renato Campos Galuppo, que já é conselheiro da empresa. Fontes próximas a Silveira e Galuppo negaram que houvesse essa intenção.

O grupo de Silveira tem maioria no conselho da Petrobras desde o começo do atual governo, em 2023. Cabe ao MME fazer as indicações da União ao conselho da Petrobras, que é uma empresa vinculada ao ministério de Minas e Energia.

Procurada, a assessoria de Silveira disse que o ministro tem estado totalmente alinhado com as medidas anunciadas e que participou de todas as decisões tomadas sobre os combustíveis. A Petrobras não respondeu até o momento desta publicação.

Como será a assembleia

Conforme a última divulgação dos indicados pelos acionistas para a disputa na AGOE da Petrobras, antes da renúncia de Moretti nesta semana, o, agora, ministro ainda constava como candidato do governo para recondução.

Na atual configuração, o colegiado da Petrobras é formado por 11 conselheiros, encarregados de definir as estratégias da companhia e indicar os rumos da empresa a médio e longo prazos.

No mandato em curso, seis dos 11 membros foram eleitos pela União, controladora da Petrobras, com mais de 50% do capital total da companhia. Outros quatro foram escolhidos por minoritários e um pelos representantes dos empregados.

Nesta eleição tende a se repetir o cenário em que haverá mais candidatos do que vagas, tanto nos indicados pela União como no caso dos minoritários, e nomes, inclusive do governo, devem ficar pelo caminho.

Na lista mais recente de indicados para a eleição do conselho da Petrobras constam para serem reconduzidos: Moretti, que agora será substituído; Magda Chambriard, presidente da Petrobras; Renato Galuppo, José Fernando Coura e Marcelo Weick Pogliese. Dos atuais conselheiros indicados pelo governo, apenas Rafael Dubeux, assessor especial do ministro da Fazenda, não foi indicado para recondução.

Além deles, a União também indicou: Fabio Henrique Bittes Terra, Benjamin Alves Rabello Filho e Ricardo Baldin.

São, portanto, oito candidatos da União para, potencialmente seis ou sete vagas. Isso ocorre porque acionistas da empresa devem pedir a adoção do voto múltiplo na AGO da Petrobras. Esse sistema, que vem se repetindo em todas as assembleias da empresa nos últimos anos, favorece os minoritários ao permitir concentrar votos em candidatos, aumentando as chances de eleição.

Entre as indicações de minoritários para possível disputa pelo voto múltiplo estão José João Abdalla Filho, que já atua como conselheiro, indicado pelo fundo de investimento Dinâmica Energia, administrado pelo Banco Clássico, fundado pelo próprio empresário; Marcelo Gasparino e Mauro Rodrigues da Cunha, este indicado pela Robeco, Franklin Templeton e Royal London Asset Management.

Na eleição em separado do controlador pelos detentores de ações ordinárias, os candidatos são Francisco Petros, membro do conselho, e Márcio Ellery Girão Barroso.

Na eleição em separado pelas ações preferenciais, os candidatos são Jeronimo Antunes, atual integrante do conselho; Rachel Maia e Thales Kroth de Souza.

Rosangela Buzanelli Torres foi reeleita representante dos empregados da Petrobras para o conselho, com mandato de 2026 a 2028.

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic