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A aposta da Ucrânia na guerra são 'robôs de combate': entenda

exame.com By Sofia Schuck 2026-04-04 476 words
Alguns modelos são equipados com metralhadoras e lançadores de granadas controlados à distância (Getty Images)

Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 4 de abril de 2026 às 19h24.

Última atualização em 4 de abril de 2026 às 19h25.

Parece cena do filme "O Exterminador do Futuro"
, mas é a guerra na Ucrânia entrando em uma nova fase: menos marcada por tanques e tropas e cada vez mais definida por robôs de combate.

Desde 2024, o uso de veículos terrestres não tripulados, conhecidos como UGVs, cresceu de forma acelerada no conflito. Hoje, essas máquinas já ocupam funções centrais no campo de batalha e ajudam a redesenhar a lógica da guerra moderna.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a Ucrânia se consolidou como um dos principais polos globais de inovação nesse tipo de tecnologia, combinando desenvolvimento rápido, testes em combate e produção em escala.

Na prática, os robôs assumem tarefas que antes eram executadas por soldados. São capazes de transportar munição, alimentos e materiais de construção, evacuam feridos e, em muitos casos, participam diretamente de operações ofensivas.

Alguns modelos são equipados com metralhadoras e lançadores de granadas controlados à distância, enquanto outros funcionam como dispositivos kamikaze, capazes de percorrer quilômetros carregando explosivos até atingir alvos estratégicos.

Hoje, cerca de 90% da logística do exército ucraniano depende de sistemas não tripulados. Em um cenário onde drones inimigos dominam o céu, a movimentação de tropas humanas se tornou mais arriscada e muitas vezes, inviável.

"É assim que a guerra moderna aparece. Os exércitos do mundo terão que se robotizar", afirmou ao Guardian o tenente ucraniano Victor Pavlov.

"É assim que a guerra moderna aparece. Os exércitos do mundo terão que se robotizar", afirmou ao Guardian o tenente ucraniano Victor Pavlov.

A capital Kiev passou a operar em um modelo ágil: engenheiros desenvolvem soluções, soldados testam diretamente na linha de frente e o retorno é quase imediato. Com isso, ajustes são feitos rapidamente e a produção é ampliada.

Esse ecossistema acelerado transformou o país em referência global. A expertise ucraniana já desperta interesse de outros países, com acordos para fornecimento de drones interceptadores de baixo custo em conflitos recentes.

No campo de batalha, o impacto é visível. Em um episódio recente, soldados russos se renderam a um robô terrestre armado, algo inédito na história militar.

Ao mesmo tempo, o uso dessas máquinas também revela uma nova dinâmica de custos. Os equipamentos são, em grande parte, descartáveis.

Unidades ucranianas relatam perder vários robôs por dia em ataques inimigos. Ainda assim, substituir máquinas custa menos do que perder soldados, ao mesmo tempo que gera uma montanha de lixo eletrônico.

A Rússia também investe em sistemas semelhantes, intensificando a corrida tecnológica. No entanto, as autoridades ucranianas afirmam ter vantagem nesse campo.

Após cinco anos de guerra, os robôs deixam de ser coadjuvantes e passam a ocupar o centro da estratégia militar da Ucrânia.

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