Como a crise climática encarece o cacau e está por trás do "sabor chocolate"
Na contramão, algumas marcas apostam em cacau brasileiro e cadeia sustentável mesmo com custos mais altos (Leandro Fonseca/Exame)
Sofia Schuck
Repórter de ESG
Publicado em 4 de abril de 2026 às 18h00.
Última atualização em 4 de abril de 2026 às 18h44.
A Páscoa de 2026 chega mais cara para os consumidores, e para muitos, também com uma mudança difícil de ignorar: chocolates mais gordurosos e com menos sabor.
O que está por trás é uma cadeia global pressionada pela crise climática, que encareceu o cacau e já começa a alterar a composição de produtos que chegam às prateleiras.
Se o mundo não conter o aquecimento global, projeções indicam para o risco de escassez do insumo até 2050.
Com eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos, o agronegócio é afetado pela queda de produtividade e aumento da volatilidade da oferta da matéria-prima.
É o que aconteceu na África Ocidental, responsável por cerca de 70% da produção mundial, onde houve uma redução de 70% no commodity nos últimos anos.
Secas, chuvas irregulares e pragas, como um fungo que afetou plantações na Costa do Marfim e em Gana, provocaram quebras de safra e pressionaram os preços desde 2022.
Entre o fim de 2024 e o início de 2025, o mercado global de cacau viveu um dos choques mais intensos da história recente, com preços que chegaram a superar US$ 10 mil por tonelada.
O impacto foi significativo e a tonelada de cacau saiu de cerca de US$ 2.500 para um pico de US$ 12.000, segundo dados da indústria.
Atualmente, os preços recuaram, mas ainda permanecem elevados na casa de US$ 5.000 e US$ 5.500 em um patamar considerado alto pelo setor, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab).
No Brasil, essa pressão já chegou ao consumidor. O preço do chocolate subiu quase 25% nos últimos 12 meses, segundo os dados da inflação do IPCA-15, levantamento que considera o período entre abril de 2025 e março de 2026.
Especialistas alertam que o desafio do país é ampliar a produtividade, visto que ainda não há uma autossuficiência do insumo, principalmente devido a falta de investimento, acesso a crédito e renovação das lavouras.
Ao mesmo tempo, o cenário abre espaço para crescimento da produção nacional, especialmente em um contexto de oferta global pressionada.
Com a matéria-prima mais cara, a indústria global de chocolate passou por uma reconfiguração. Parte das empresas reduziu gramatura, ajustou receitas e, em alguns casos, diminuiu o teor de cacau dos produtos para preservar margens de lucro.
É nesse contexto que ganha espaço o chamado "sabor chocolate": produtos com menor concentração de cacau e maior uso de açúcar, gorduras e aromatizantes.
É nesse contexto que ganha espaço o chamado "sabor chocolate": produtos com menor concentração de cacau e maior uso de açúcar, gorduras e aromatizantes.
Pela legislação brasileira, chocolates devem ter ao menos 25% de cacau. Abaixo disso, entram na categoria de "sabor chocolate", ainda que mantenham aparência, formato e preço semelhantes aos insumos tradicionais.
Para o consumidor, a mudança aparece na textura mais oleosa, gosto menos intenso e a sensação de um produto "diferente", mesmo com preços mais altos. Sem falar nos danos à dieta e saúde.
Enquanto parte da indústria busca alternativas para reduzir custos com menos cacau, algumas empresas seguem na direção oposta.
É o caso da Dengo, marca brasileira de chocolates premium fundada em 2017 por Guilherme Leal, cofundador da Natura. A empresa opta por manter alto teor de cacau e ingredientes naturais, mesmo diante da pressão de preços.
A estratégia inclui operar com cacau 100% brasileiro e uma cadeia integrada, comprando diretamente de pequenos e médios produtores no sul da Bahia, especialmente na região de Ilhéus.
Em entrevista recente à EXAME, a CEO da Dengo afirmou que, apesar da alta histórica da matéria-prima, a empresa não alterou suas receitas nem reduziu o teor do ingrediente e manteve seu posicionamento premium baseado em qualidade e origem.
Essa escolha aumenta a exposição ao preço, mas a Dengo busca compensar com eficiência operacional e fortalecimento da marca. A aposta é que qualidade e posicionamento sustentem a alta no valor, mesmo em um cenário adverso causado pelo clima.
Com o cacau mais caro, a tendência é que parte da indústria continue apostando no 'sabor chocolate', enquanto outras marcas caminham em prol da diferenciação, sustentabilidade e maior valor agregado.
A seguir, confira como funciona o mercado de R$ 42,5 bilhões do chocolate no Brasil, na série "Do campo ao concreto" da EXAME:
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Good mix of named institutional and expert sources, but lacks direct primary interviews or documents.
Specific Findings from the Article (4)
"rdo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab). No Bras"
Named industry association providing price data.
Named source"segundo os dados da inflação do IPCA-15"
Named official statistical source (Brazilian inflation index).
Named source"Especialistas alertam que o desafio do país é ampliar a produtividade"
References experts but doesn't name specific individuals.
Expert source"a CEO da Dengo afirmou que, apesar da alta histórica da matéria-prima, a empresa não alterou suas receitas"
Named company executive (CEO of Dengo) quoted from interview.
Named sourcePerspective Balance
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
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Clear acknowledgment of different industry responses to price pressures.
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"Parte das empresas reduziu gramatura, ajustou receitas e, em alguns casos, diminuiu o teor de cacau"
Describes one industry approach to cost pressures.
Balance indicator"Enquanto parte da indústria busca alternativas para reduzir custos com menos cacau, algumas empresas seguem na direção oposta."
Explicit contrast between different industry strategies.
Balance indicator"É o caso da Dengo, marca brasileira de chocolates premium fundada em 2017 por Guilherme Leal, cofundador da Natura. A empresa opta por manter alto teor de cacau"
Provides specific example of alternative approach.
Balance indicatorContextual Depth
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
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Provides historical context, statistical data, and explains industry changes.
Specific Findings from the Article (4)
"responsável por cerca de 70% da produção mundial, onde houve uma redução de 70% no commodity"
Provides specific production statistics.
Statistic"preços que chegaram a superar US$ 10 mil por tonelada"
Specific price data with historical context.
Statistic"Secas, chuvas irregulares e pragas, como um fungo que afetou plantações na Costa do Marfim e em Gana"
Explains specific climate-related causes.
Background"Pela legislação brasileira, chocolates devem ter ao menos 25% de cacau. Abaixo disso, entram na categoria de "sabor chocolate""
Provides regulatory context for product categories.
Context indicatorLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Completely neutral, factual language throughout with no sensationalism.
Specific Findings from the Article (3)
"A Páscoa de 2026 chega mais cara para os consumidores"
Factual statement about price increases.
Neutral language"Com eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos, o agronegócio é afetado"
Objective description of climate impacts.
Neutral language"Para o consumidor, a mudança aparece na textura mais oleosa, gosto menos intenso"
Neutral description of product changes.
Neutral languageTransparency
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Full attribution with author, date, updates, and clear source citations.
Specific Findings from the Article (2)
"Publicado em 4 de abril de 2026 às 18h00. Última atualização em 4 de abril de 2026 às 18h44."
Complete publication and update timestamps.
Date present"a CEO da Dengo afirmou que, apesar da alta histórica da matéria-prima, a empresa não alterou suas receitas"
Clear attribution of quote to specific source.
Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical issues detected; claims are consistent and well-supported.
Core Claims & Their Sources
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"Climate crisis is increasing cocoa prices and changing chocolate composition."
Source: Industry data from Abicab and statistical sources Named secondary
-
"Some companies are reducing cocoa content while others maintain premium quality."
Source: CEO interview and industry analysis Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (7)
-
P1
"Cocoa prices reached over $10,000 per ton between late 2024 and early 2025"
Factual -
P2
"West Africa produces about 70% of world's cocoa"
Factual -
P3
"Brazilian chocolate prices rose almost 25% in the last 12 months"
Factual -
P4
"Brazilian law requires at least 25% cocoa for products labeled chocolate"
Factual -
P5
"Climate extremes causes reduced cocoa productivity → higher prices"
Causal -
P6
"Higher cocoa prices causes industry reformulation → 'chocolate flavor' products"
Causal -
P7
"Premium positioning strategy causes maintains quality despite price pressures"
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Cocoa prices reached over $10,000 per ton between late 2024 and early 2025 P2 [factual]: West Africa produces about 70% of world's cocoa P3 [factual]: Brazilian chocolate prices rose almost 25% in the last 12 months P4 [factual]: Brazilian law requires at least 25% cocoa for products labeled chocolate P5 [causal]: Climate extremes causes reduced cocoa productivity → higher prices P6 [causal]: Higher cocoa prices causes industry reformulation → 'chocolate flavor' products P7 [causal]: Premium positioning strategy causes maintains quality despite price pressures === Causal Graph === climate extremes -> reduced cocoa productivity higher prices higher cocoa prices -> industry reformulation chocolate flavor products premium positioning strategy -> maintains quality despite price pressures
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.