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Irã aprova passagem de navios com 'bens essenciais e cargas humanitárias' pelo Estreito de Ormuz

oglobo.globo.com 2026-04-04 782 words
Irã aprova passagem de navios com 'bens essenciais e cargas humanitárias' pelo Estreito de Ormuz

Segundo agência semioficial, permissão só será concedida a embarcações que se dirijam a portos iranianos ou no Mar de Omã

Por O Globo e agências internacionais — Teerã

RESUMO

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GERADO EM: 04/04/2026 - 15:07

Irã Reabre Estreito de Ormuz para Navios com Ajuda Humanitária

O Irã reabriu o Estreito de Ormuz para navios com "bens essenciais e ajuda humanitária", restrito a embarcações que se dirijam a portos iranianos ou no Mar de Omã. A medida, em resposta à guerra com EUA e Israel, visa aliviar a pressão internacional. Cerca de 20% das exportações globais de petróleo passam por Ormuz, agora altamente militarizado e com tráfego reduzido em 95%.

Autoridades iranianas passaram a permitir a travessia de navios com "bens essenciais e ajuda humanitária" pelo Estreito de Ormuz, fechado desde o mês passado pelo Irã, como resposta à guerra lançada por EUA e Israel. Segundo a agência Tasnim, a liberação é válida apenas para embarcações que se destinem a portos iranianos ou localizados no Mar de Omã, na entrada do Golfo Pérsico. A decisão se soma a outras autorizações pontuais de tráfego na área, em meio à crescente pressão internacional sobre Teerã.

A reportagem da Tasnim cita uma carta, datada do dia 1º de abril, na qual o vice-ministro de Agricultura, Hooman Fathi, pede à Organização Marítima e de Portos do Irã libere a passagem às embarcações que transportem bens essenciais, cargas vivas e ajuda humanitária a terminais no país — ele cita portos no Mar (ou Golfo) de Omã, o que poderia beneficiar o Sultanato de Omã e os Emirados Árabes Unidos.

A administração portuária do país, o Ministério da Agricultura ou o governo iraniano não se pronunciaram.

No final de março, Teerã havia prometido à ONU "facilitar" a passagem de navios com cargas humanitárias e agrícolas por Ormuz. O embaixador iraniano junto às Nações Unidas em Genebra, Ali Bahreini, disse na ocasião que "a medida reflete o compromisso contínuo do Irã em apoiar os esforços humanitários e garantir que a ajuda essencial chegue a quem precisa sem demora".

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O Estreito de Ormuz é uma das mais importantes passagens navais do planeta, por onde trafegam cerca de 20% das exportações de petróleo e gás, e cujo fechamento se mostrou a mais poderosa ferramenta de guerra do Irã no atual conflito. O local é vigiado por barcos de ação rápida, e relatos de agências de inteligência apontam que há minas navais instaladas na área, além de lanchas carregadas com explosivos prontas para serem lançadas. Na margem iraniana, mísseis e drones são outro fator de elevado risco. Cerca de 20 navios foram danificados ou afundados desde o fim de fevereiro.

Videográfico: como minas marítimas do Irã podem bloquear o Estreito de Ormuz

O tráfego caiu quase 95% em comparação com o período anterior à guerra, e permissões são dadas a um número restrito de países, como China, Paquistão e Índia. Ao mesmo tempo, o governo quer cobrar um pedágio para quem quiser passar. Segundo um texto que está prestes a se tornar lei, os petroleiros terão que pagar US$ 1 por cada barril transportado, um valor que pode chegar a US$ 2 milhões, e o desembolso poderá ser feito em criptomoedas ou nas moedas iraniana ou chinesa. Neste cenário, empresas seguradoras se recusam a fazer apólices para travessias em Ormuz, e marinheiros recusam trabalhos na região. Quase duas mil embarcações estão hoje na área sem saber quando partirão.

Neste sábado, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou que os navios do Iraque terão passagem livre por Ormuz. Desde o fechamento do estreito, o governo iraquiano negociava com os iranianos algum tipo de permissão, ao mesmo tempo em que estudava rotas alternativas para escoar sua produção de petróleo.

— O Irã obviamente quer manter o Iraque de certa forma em seu campo, ou pelo menos não do outro lado, alinhado com os EUA e os estados do Golfo — disse à rede al-Jazeera Kenneth Katzman, pesquisador do Centro Soufan. — E o Iraque tem, na verdade, poucas alternativas para exportar petróleo do sul.

O país árabe, que mantém boas relações com Teerã, teme os efeitos econômicos da guerra e quer evitar ser arrastado para o conflito — bombardeios em seu território são recorrentes e, na semana passada, Bagdá acusou os EUA de matarem sete soldados em uma clínica militar no oeste do país. O Pentágono negou a responsabilidade, mas a aeronave usada na ação, um A-10 Thunderbolt II, só é operada pelos americanos.

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