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Divisisão entre potências trava resposta da ONU à crise no Estreito de Ormuz

jornalggn.com.br By Milleny Ferreira 2026-04-03 516 words
O Conselho de Segurança da ONU deve votar uma resolução que pode autorizar o uso da força para proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores de petróleo do mundo.

A proposta, apresentada pelo Bahrein, enfrenta forte resistência de potências como China, Rússia e França, que têm poder de veto e colocam em dúvida a aprovação do texto.

Segundo diplomatas, a votação inicialmente prevista pa
ra esta sexta-feira (3) pode ser adiada para sábado (4), devido a um feriado nas Nações Unidas, embora a mudança ainda não tenha sido oficialmente confirmada.

Localizado na costa do Irã, o Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos globalmente. A região se tornou um dos principais focos de tensão na guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que controla grande parte da passagem e tem atacado embarcações, além de implantar minas navais.

A escalada do conflito já impacta diretamente a economia global. O preço do barril de petróleo atingiu US$ 109 na última quinta-feira (2), refletindo as preocupações com a segurança da rota e possíveis interrupções no fornecimento.

O projeto de resolução elaborado pelo Bahrein prevê a autorização de "todos os meios defensivos necessários" para garantir a navegação comercial por pelo menos seis meses. No entanto, o ponto central da discordância está justamente nesse trecho, que permitiria o uso amplo da força para impedir bloqueios no estreito.

De acordo com fontes diplomáticas, uma versão anterior do texto já havia sido rejeitada no chamado "procedimento de silêncio" por China, França e Rússia — um sinal claro de oposição. Esses países também pressionaram pela retirada de termos considerados mais duros.

O embaixador da China na ONU, Fu Cong, criticou a proposta e afirmou que a autorização poderia "legitimar o uso ilegal e indiscriminado da força", além de provocar uma escalada com "graves consequências".

O chanceler do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, por outro lado, defendeu a medida, classificando como "ilegal e injustificada" a tentativa do Irã de controlar a navegação. Segundo ele, ações iranianas já atingiram estruturas civis, como aeroportos e portos, o que exigiria uma resposta internacional mais firme.

Enquanto isso, o Irã sinalizou que pretende manter a supervisão do tráfego no Estreito de Ormuz mesmo após o fim da guerra. O bloqueio da via tem elevado custos globais de energia, transporte e seguros, ampliando os impactos econômicos do conflito.

A proposta também expõe uma deterioração nas relações entre países árabes e o Irã, após anos de tentativa de aproximação diplomática. Ainda assim, analistas avaliam que a resolução tem mais peso simbólico do que prático, já que os países do Golfo dependem fortemente do apoio militar dos Estados Unidos.

O presidente da França, Emmanuel Macron, também se posicionou contra a iniciativa, classificando como "irrealista" a ideia de reabrir o estreito pela força, diante dos riscos militares na região, incluindo a presença de mísseis e forças iranianas.

Os Estados Unidos afirmaram que continuarão os ataques, mas ainda não apresentaram um plano claro para garantir a reabertura da rota, o que mantém a instabilidade e a pressão sobre os preços do petróleo.

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