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Na era do ESG, segurança hídrica e saneamento básico entram na pauta das empresas

otempo.com.br By Gabriel Rodrigues 2026-04-04 797 words
Em um momento de pressão sobre os recursos naturais em todo o mundo e de corrida do Brasil para universalizar o acesso a água e a serviços de esgoto em menos de uma década, a segurança hídrica e o saneamento básico entram na pauta não apenas de governos, mas da iniciativa privada. Ela aumenta progressivamente sua participação no setor e, com esse crescimento, intensifica-se também a preocupação com a governança das empresas, que tem reflexos diretos no atendimento à população.

Esse é um dos temas que serão debatidos no Seminário Saneamento em Foco, organizado por O TEMPO em parceria com a Copasa, na quinta-feira (9/4). Em quatro painéis, serão discutidos os papéis de agentes públicos e privados, oportunidades e desafios do setor.

A discussão não escapa ao ESG – sigla em inglês para a política ambiental, social e de governança. Especialmente nas empresas de capital aberto, a responsabilidade socioambiental é um pilar importante para atrair e reter investidores. E o saneamento básico está na base dela, lembra a gerente do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), Gabriela Otero.

"O sane
amento dialoga com outros usos da água. Ele é o alicerce, porque, para ter acesso a água potável, temos que ter tratamento adequado de esgoto e uma rede de drenagem eficiente. Se esses serviços não forem bem-feitos, há risco à segurança hídrica, porque se contamina fontes de água e lençóis d'água usados pela indústria e pela população", diz.

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O Pacto Global é uma iniciativa global de sustentabilidade corporativa que define metas concretas para as empresas signatárias – quase 2.000 no Brasil. Entre os projetos do plano, está o projeto Movimenta + Água, que monitora ações de empresas para contribuir com as metas nacionais do Marco Legal do Saneamento Básico, que inicialmente precisam ser cumpridas até 2033.

"São dois compromissos no saneamento: alcançar 99% da população com água potável e 90% com acesso a esgotamento, em alinhamento com o Marco Legal. As empresas que estão no pacto assumem esse compromisso e vão reportando o avanço territorial delas. Há outros dois. Em um, a empresa precisa apoiar algum projeto que ajude a restaurar paisagens visando a recarga hídrica, como SOS Mata Atlântica e WWF. A última é reduzir em 25% o consumo de água em todo o processo produtivo", detalha.

Hoje, há 73 organizações comprometidas com a iniciativa, como a Copasa e a Sabesp – que atua em São Paulo. "O setor empresarial consegue mobilizar de forma mais rápida recursos para investimento e é quem acaba tendo mais agilidade e acesso a tecnologias descentralizadas para agir rápido. Muitas vezes, os entes públicos têm regras que não entendem ou não conseguem acompanhar o que temos hoje em termos de tecnologia e recursos", pontua Otero.

Ela menciona o exemplo de uma concessionária privada em Manaus, que instalou a tubulação de saneamento em uma comunidade de casas de palafita com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento. "Muitas vezes, ficamos com a cabeça só no saneamento tradicional, mas temos um contingente enorme de pessoas em ocupações irregulares ou áreas de vulnerabilidade geográfica. Vamos simplesmente não fazer nada porque as pessoas estão em localidades de difícil acesso ou não regularizadas? Tem que haver formas".

Sem 'água fácil' para empresas

Também há formas de incorporar o saneamento nas próprias políticas de ESG das organizações. Após a privatização em 2024, a Sabesp, em São Paulo, alterou a forma de bonificação dos executivos, que passou a ser atrelada ao cumprimento de metas de universalização do serviço, diz a integrante do Conselho de Administração da empresa Karla Bertocco.

"Não adianta ter bons resultados financeiros se não seguirem as metas estabelecidas em contrato. Os executivos não podem estar preocupados só em ter retorno financeiro, que também é importante", enfatiza.

A gerente do Pacto Global, Gabriela Otero, acrescenta que, além das próprias concessionárias, empresas que são grandes consumidoras de água também devem inovar nas soluções pela segurança hídrica. "Tenho visto um movimento de empresas de bebida, por exemplo, que não estão mais distribuindo bebidas já envasadas, e sim insumos para o preparo ser realizado no território de distribuição, evitando consumo de água em certas regiões e colocando menos carga no transporte, assim emitindo menos poluentes. A água é cada vez mais difícil de ser captada. Não existe mais água fácil", finaliza.

Serviço

O TEMPO Seminários: Saneamento em Foco Data: 9/4/2026 Horário: 8h Local: auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas (avenida João Pinheiro, 495 - Belo Horizonte)

Painéis:

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