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MPSP manda polícia ouvir dono da Cimed sobre desobediência em obra de mansão

metropoles.com By Artur Rodrigues 2026-04-05 1036 words
MPSP manda polícia ouvir dono da Cimed sobre desobediência em obra de mansão

João Adibe, presidente da Cimed, rejeitou acordo penal de pagamento de R$ 81 mil por desobediência a embargo a mansão nos Jardins

atualizado

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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) mandou a Polícia Civil ouvir o dono da Cimed, João Adibe, em um inquérito que investiga a suspeita do crime de desobediência a embargos da obra de uma mansão dele nos Jardins, bairro rico paulistano. O pedido acontece após o bilionário recusar um acordo de transação penal, em que pagaria R$ 81 mil para encerrar o caso.

Revelado pelo Metrópoles, o caso se trata de uma batalha jurídica entre o empresário, a associação do bairro, Ame Jardins, e um banqueiro vizinho de Adibe. O responsável pela construção é o empresário João Adibe (foto em destaque), presidente da farmacêutica Cimed e 86º homem mais rico do país, com patrimônio estimado em R$ 5,2 bilhões, segundo a revista Forbes.

No fim de fevereiro, o caso teve seu desfecho na área cível, com com acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que negou recursos do empresário e manteve embargo judicial da obra. Paralelamente a isso, corre um inquérito criminal por desobediência de embargos na construção da obra. Em 28 de março, o MPSP determinou à polícia que tome depoimento de Adibe e de uma agente vistora que acompanhava o imbróglio.

O inquérito foi aberto após a prefeitura constatar descumprimento de embargo da mansão. A defesa de Adibe afirmou à polícia que o embargo era parcial (apenas sobre um muro) e que a obra possuía alvarás válidos, incluindo o Habite-se –que depois foi suspenso sob argumento de que a obra foi feita em desacordo com o projeto aprovado.

Polícia recomendou arquivamento do caso

Apesar da desobediência apontada pelo município, o 15º DP (Itaim Bibi) recomendou o arquivamento do inquérito, alegando que crime de desobediência não se configura quando já existem sanções administrativas previstas em lei –como, por exemplo, as multas já aplicadas pela prefeitura.

O MPSP, por ora, não seguiu o entendimento da polícia. Em audiência com o investigado, propôs uma transação penal que consiste no pagamento de R$ 81 mil, que seria revertido para fundos municipais. No entanto, a proposta foi recusada.

A Promotoria pediu novas diligências, que incluem oitivas de Adibe e da fisca
l que constatou os problemas na obra. Depois disso, deve decidir se precisa de novas diligências, se vai arquivar o caso ou denunciar o empresário pelo crime de desobediência.

Tensão nos Jardins

A Associação dos Moradores dos Jardins (AME Jardins) entrou com uma ação civil pública alegando que a obra foi aprovada como uma simples reforma, mas resultou na demolição quase total da construção original — um imponente casarão que teria tido apenas a fachada preservada, segundo a petição. A defesa de Adibe, por sua vez, afirmou que a obra foi autorizada por todos os órgãos competentes e já foi concluída há meses.

O Jardim Paulista, onde fica o lote, é um bairro estritamente residencial e submetido a rígidas restrições urbanísticas. Segundo a associação, a construção desrespeita regras de tombamento dos Jardins, ao extrapolar alturas máximas, descumprir recuos obrigatórios e realizar intervenções não previstas no projeto aprovado, como a construção de um segundo pavimento em uma edícula.

A AME Jardins ainda denunciou a supressão da vegetação do lote, com pavimentação que compromete a permeabilidade do solo, além de danos como infiltrações, redução de insolação e invasão de privacidade imóvel vizinho.

A ação relata também que as obras continuaram apesar de embargos do Condephaat e da Subprefeitura de Pinheiros.

"Os vídeos em anexo, datados de 06/12/2025 (sábado), demonstram com clareza a continuidade da conduta recalcitrante, irregular e mesmo ilegal dos réus, que menosprezam as decisões administrativas e as multas aplicadas, seguindo seu intento construtivo como melhor lhe aprouver, ainda que ao arrepio das normativas", diz a inicial.

Casa de banqueiro com fissuras

Um dos vizinhos que se dizem diretamente afetados pelas obras é o banqueiro André Schwartz, CEO do banco Genial. Um laudo técnico anexado à ação aponta que a demolição quase integral do imóvel vizinho, somada a serviços de terraplenagem pesada e uso de equipamentos de grande porte, teria provocado danos à residência de Schwartz.

O documento aponta o surgimento de trincas e fissuras nas paredes da casa, além de prejuízos ao uso regular do imóvel, que fica ao lado da mansão.

Em meio à polêmica, o banqueiro apresentou uma petição ao Condephaat na qual classificou como "deboche" um vídeo publicado pela mulher de Adibe, a influencer Cinthya Marques, em meio às ordens de embargo.

Na gravação publicada no fim de agosto (veja abaixo), ela descreve a movimentação de trabalhadores no local. "A betoneira está rolando ali. Tem gesseiro, tem eletricista. Também não sei o nome de tudo", diz no vídeo, cujo link foi anexado no documento.

Assista:

Em seu perfil com quase 300 mil seguidores, Cinthya ainda mostra detalhes da residência – como a fonte de inspiração para sua piscina. "Quando eu assisti o documentário do Gianni Versace, eu tinha certeza de uma coisa, que a próxima piscina da minha casa ia ser inspirada nele. Eu acho que o Gianni Versace ia ficar orgulhoso de mim, hein?"

Em outros trechos, a influencer exibe a enorme garagem, o closet e o banheiro, acrescentando que a obra utilizou 43 tipos diferentes de pedras. "E as pedras mais bonitas são as nacionais", frisa.

O que diz o dono da mansão

As advogados de João Adibe, Daniel Bialski e Fabio Kadi, afirmaram, quando o Metrópoles revelou o caso, que "a obra da casa foi autorizada por todos os órgãos competentes e já foi concluída há meses, portanto, não procede qualquer imputação de embargo".

"O imóvel inclusive possui o Habite-se, o que comprova a inidoneidade das alegações apresentadas. Aliás, a família reside no local há tempos", acrescenta o comunicado.

A nota afirma ainda que, em ação anterior, há um laudo elaborado por perito judicial que descartou qualquer responsabilidade de João Adibe sobre os problemas relatados pelo vizinhos. "O documento atesta, ainda, que os danos relatados são oriundos de má conservação daquele".

De acordo com o comunicado, uma ação sobre o mesmo caso movida pelo vizinho teve todas as cautelares indeferidas pela Justiça.

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