D
16/30
Poor

Carta ao Leitor — Edição 316

revistaoeste.com By Branca Nunes 2026-04-03 575 words
Ao longo de sete anos, a operação Lava Jato teve 79 fases, expediu milhares de mandados de busca e apreensão e resultou em 130 denúncias, 278 condenações e mais de R$ 4 bilhões devolvidos aos cofres públicos. Muitos brasileiros tiveram, enfim, a certeza de que todos eram iguais perante a lei. Até que as investigações bateram na porta do Supremo Tribunal Federal. Era hora de "estancar a sangria", como alertou o senador Romero Jucá.

Passados sete anos, a CPMI do INSS foi sumariamente enterrada por oito ministros do Supremo. A turma de coveiros foi reforçada por um punhado de parlamentares governistas e contou com a cumplicidade por omissão de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que se recusou a ler um documento que requeria a prorrogação dos trabalhos. Coincidentemente, as investigações avançaram até baterem na porta do Supremo Tribunal Federal.

"Sem medo de ser feliz: viva o direito de roubar sem ser investigado!", ironiza Guilherme Fiuza na crônica que reproduz um diálogo imaginário entre personagens que comemoram o sepultamento da comissão que investigava o roubo sofrido pelos aposentados. "O consórcio Lula-STF-centrão vem tentando, agora, matar outra comissão: a do Crime Organizado", avisa a reportagem de capa desta edição, assinada por Cristyan Costa, Luana Viana e Sarah Peres.

"Parece que a velha imprensa descobriu que o STF, em vez de 'salvador da democracia', é mesmo a maior ameaça", afirma Rodrigo Constantino. Até recentemente, o jornalismo convencional insistia na "narrativa esdrúxula de que o STF 'alexandrino' estava apenas protegendo a democracia da terrível ameaça golpista do bolsonarismo." O envolvimento de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes nos escândalos da vez está na coluna de Augusto Nunes.

Enquanto tenta emplacar a indicação de outro nome de sua confiança para o STF — assim como fez com Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino, lembra Alexandre Garcia —, Lula vê sua aprovação derreter nas pesquisas de intenção de voto. O governo não para de se perguntar o que deu errado. "A resposta está no espelho", escreve Adalberto Piotto. "Às vésperas da eleição, o Palácio do Planalto bate cabeça para encontrar soluções para problemas reais que o próprio governo criou ou não se preparou para enfrentar."

A crise dos combustíveis provocada pela guerra no Irã, por exemplo, poderia ser suavizada se não fosse a incompetência do lulismo. Embora autossuficiente em petróleo, o Brasil ainda importa um terço do óleo diesel que consome — e que movimenta a economia, ressalva Eugênio Esber. O caso da Refinaria Abreu e Lima, anunciada com pompa e circunstância por Lula e Hugo Chávez em 2005, é uma das provas mais evidentes da total inépcia do governo.

Como numa democracia é por meio do voto que as coisas mudam, todo o eleitorado precisa acompanhar com atenção o cenário que se vai desenhando em 2026. Edilson Salgueiro explica o que os partidos terão de fazer para sobreviver ao embate nas urnas. "Cada sigla precisará eleger ao menos 13 deputados federais, distribuídos por nove Estados, ou alcançar 2,5% dos votos válidos para a Câmara, com um mínimo de 1,5% em nove unidades da Federação." Se não conseguirem, ficarão sem acesso ao fundo eleitoral e ao tempo de propaganda no rádio e na TV.

Mais uma vez, o eleitor tem o poder de reduzir a salada de siglas existentes no país. Também o mesmo eleitorado tem outra chance de instalar no Congresso parlamentares que sejam menos lenientes com a corrupção — e, sobretudo, menos covardes.

Boa leitura.

Branca NunesDiretora de Redação

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic