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Durigan assume Fazenda sob pressão fiscal e herda desafios de Haddad
Por ECONOMIA JB redacao@jb.com.br
Publicado em 06/04/2026 às 08:17
Alterado em 06/04/2026 às 08:18
Por Wellton Máximo - Há quinze dias no cargo, o novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, assumiu o comando da equipe econômica em meio a um cenário de forte pressão sobre as contas públicas.
Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, ele assume o comando da área econômica combinando desafios fiscais estruturais herdados da gestão de Fernando Haddad com demandas emergenciais típicas de um ano eleitoral.
Logo nos primeiros dias à frente da pasta, Durigan anunciou um bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento de 2026, valor considerado modesto por analistas diante da necessidade de cumprir o arcabouço fiscal.
O bloqueio foi necessário para acomodar o avanço de despesas obrigatórias dentro do limite de crescimento real de gastos, fixado em até 2,5% acima da inflação. Oficialmente, a equipe econômica projeta um superávit primário de apenas R$ 3,5 bilhões. No entanto, ao incluir precatórios e gastos fora do arcabouço fiscal, o próprio governo prevê déficit primário de R$ 59,8 bilhões.
Pressão por gastosAo mesmo tempo em que anuncia o bloqueio de gastos, o ministro articula medidas de impacto imediato, como a criação de um subsídio ao diesel importado e um pacote ainda em elaboração para reduzir a inadimplência das famílias.
Entre as primeiras iniciativas, Durigan confirmou a edição de uma medida provisória que prevê subsídio de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, com custo estimado de R$ 3 bilhões, dividido entre União e estados.
Originalmente prevista para a semana passada, a medida provisória (MP) de subvenção ao diesel sai nesta semana porque o ministro esperava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornar das recentes viagens pelo Brasil. O governo busca segurar a alta dos combustíveis em meio à elevação dos preços internacionais do petróleo.
InadimplênciaO novo ministro também trabalha na formulação de políticas para enfrentar o avanço da inadimplência, que já compromete mais de 27% da renda mensal das famílias brasileiras, segundo dados recentes do Banco Central.
Em tese, o pacote não gerará custo para as contas públicas se envolver apenas medidas de renegociação de crédito, mas pode criar despesas caso o governo decida ampliar os subsídios ao crédito.
Taxa das blusinhasOutra medida que pode pressionar os gastos do governo seria uma possível redução, durante a campanha eleitoral, da taxa das blusinhas, como ficou conhecida a alíquota em 20% de compras do exterior de até US$ 50.
No ano passado, o governo arrecadou R$ 5 bilhões com o tributo, ajudando a cumprir a meta fiscal – ao desconsiderar os precatórios.
Imposto de RendaParalelamente, o novo ministro da Fazenda propôs mudanças estruturais, como a automatização da declaração do Imposto de Renda, numa tentativa de simplificar o sistema tributário.
Essa medida, no entanto, não diminui as receitas do governo, porque envolve apenas a redução da burocracia e a evolução da atual declaração prepreenchida do Imposto de Renda.
Desafios de credibilidadeOs desafios enfrentados por Durigan refletem, em grande medida, limitações já observadas na gestão anterior. Para a doutora em Economia Virene Matesco, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), o principal problema está na dificuldade que o governo tem de cumprir as próprias metas fiscais.
"O governo atual não consegue cumprir as metas que ele mesmo estabeleceu no arcabouço", afirmou, ao analisar o desempenho recente das contas públicas.
Segundo Matesco, a fragilidade do arcabouço fiscal e o crescimento da dívida pública, que saltou para 78,7% do PIB, comprometem a confiança na política econômica e limitam a capacidade de ação do ministro.
Ela também aponta que o avanço dos gastos obrigatórios e a rigidez orçamentária reduzem o espaço para investimentos, criando um cenário de baixo crescimento. "Existe uma crise de credibilidade fiscal", alertou, destacando que o país enfrenta um desequilíbrio entre despesas com juros e investimentos públicos.
Baixo crescimentoJá o economista André Nassif, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que parte das dificuldades atuais decorre de metas fiscais excessivamente ambiciosas definidas no início da gestão Haddad.
Originalmente, o governo tinha estabelecido meta de déficit zero em 2024 e superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e de 1% do PIB em 2026, também com a margem de tolerância de 0,25 ponto percentual. O resultado primário representa o déficit ou superávit nas contas do governo sem os juros da dívida pública.
Na LDO de 2025, o governo prolongou a meta de déficit zero para 2025 e reduziu para 0,25% do PIB a meta de superávit para 2026 . Na época, a mudança das metas gerou mal-estar no marcado financeiro.
"O mercado entenderia se o governo estabelecesse meta de pequeno déficit em 2025, zerando o resultado primário em 2026. O importante era que houvesse um compromisso em reduzir o rombo", afirmou.
Pouco investimentoPara Nassif, o aperto fiscal acabou limitando investimentos públicos, que seguem em patamar baixo, cerca de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), insuficiente para sustentar um crescimento econômico mais robusto.
Ele também ressalta que o país segue preso a um ciclo de crescimento irregular. "O país não está entregando crescimento econômico. Continuamos no 'stop and go'", disse.
Segundo o professor, com medidas emergenciais já em andamento e margem fiscal estreita, o novo ministro terá como principal desafio reconstruir a credibilidade das contas públicas sem comprometer o crescimento econômico. A equação permanece em aberto desde a gestão anterior.
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Logic Issues
Contradiction · high
Conflicting values for 'the': $3.5 billion vs $5 billion
"Heuristic: Values conflict between P2 and P4"
Contradiction · high
Conflicting values for 'public': 78.7% vs 2.3%
"Heuristic: Values conflict between P3 and P5"
Core Claims
"New Finance Minister Dario Durigan assumes office amid strong fiscal pressure and inherits structural challenges from the previous administration."
Attributed to 'specialists heard by Agência Brasil' Named secondary
"There is a fiscal credibility crisis due to the government's difficulty in meeting its own fiscal targets and the growth of public debt."
Claim by economist Virene Matesco from FGV Named secondary
"Current difficulties partly stem from overly ambitious fiscal targets set at the beginning of the Haddad administration."
Claim by economist André Nassif from UFF Named secondary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (8)
-
P1
"Durigan announced a R$1.6 billion budget block for 2026."
Factual -
P2
"The government officially projects a primary surplus of R$3.5 billion, but including court-ordered payments and off-budget spending, it forecasts a..."
Factual In contradiction -
P3
"Public debt jumped to 78.7% of GDP."
Factual In contradiction -
P4
"The government collected R$5 billion last year from the 'blusinhas' tax on foreign purchases up to US$50."
Factual In contradiction -
P5
"Public investment remains at about 2.3% of GDP."
Factual In contradiction -
P6
"Fiscal tightening ended causes up limiting public investment."
Causal -
P7
"The fragility of the fiscal framework and growth causes of public debt compromise confidence in economic policy."
Causal -
P8
"The advance of mandatory spending and budgetary rigidity reduce causes space for investments, creating a scenario of low growth."
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (2)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Durigan announced a R$1.6 billion budget block for 2026. P2 [factual]: The government officially projects a primary surplus of R$3.5 billion, but including court-ordered payments and off-budget spending, it forecasts a R$59.8 billion primary deficit. P3 [factual]: Public debt jumped to 78.7% of GDP. P4 [factual]: The government collected R$5 billion last year from the 'blusinhas' tax on foreign purchases up to US$50. P5 [factual]: Public investment remains at about 2.3% of GDP. P6 [causal]: Fiscal tightening ended causes up limiting public investment. P7 [causal]: The fragility of the fiscal framework and growth causes of public debt compromise confidence in economic policy. P8 [causal]: The advance of mandatory spending and budgetary rigidity reduce causes space for investments, creating a scenario of low growth. === Constraints === P2 contradicts P4 Note: Conflicting values for 'the': $3.5 billion vs $5 billion P3 contradicts P5 Note: Conflicting values for 'public': 78.7% vs 2.3% === Causal Graph === fiscal tightening ended -> up limiting public investment the fragility of the fiscal framework and growth -> of public debt compromise confidence in economic policy the advance of mandatory spending and budgetary rigidity reduce -> space for investments creating a scenario of low growth === Detected Contradictions === UNSAT: P2 AND P4 Proof: Heuristic: Values conflict between P2 and P4 UNSAT: P3 AND P5 Proof: Heuristic: Values conflict between P3 and P5
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