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Crime aconteceu em 2018, quando o ex-companheiro agressor fugiu da prisão onde estava preso em Serra Talhada, no Sertão, e cometeu o feminicídio. Os dois filhos da vítima receberão R$ 300 mil, e uma pensão mensal no valor de 2/3 do salário-mínimo até os 25 anos de idade
Publicado: 13/04/2026 às 16:43
TJPE, no Recife (Foto: TJPE)
O estado de Pernambuco foi condenado a indenizar em R$ 300 mil os dois filhos de uma vítima de feminicídio que foi morta pelo seu ex-companheiro. Ele havia fugido da prisão no mesmo dia do crime, em agosto de 2018. O assassinato aconteceu em Serra Talhada, no Sertão. A informação foi repassadas pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
À época do crime, a filha mais velha do casal tinha 9 anos. O filho mais novo não teve a idade revelada. Eles receberão, ainda, uma pensão mensal no valor de 2/3 do salário-mínimo até que completem 25 anos de idade, segundo o TJ.
A decisão é da Primeira Câmara Direito Público do TJPE que reconheceu, de forma unânime, a responsabilidade civil objetiva do Poder Público no caso. Ainda cabe recurso.
Entenda o caso
A vítima foi morta a facadas pelo ex-companheiro em 17 de agosto de 2018. O crime foi cometido após a fuga do agressor da Cadeia Pública de Serra Talhada. Após o ocorrio, o agressor cometeu suicídio na frente da filha mais velha do casal.
Segundo as informações do TJPE, o ex-companheiro estava preso preventivamente desde o dia 20 de maio de 2018, para evitar novos episódios de violência doméstica e familiar contra a vítima, que registrou diversos boletins de ocorrência na delegacia de polícia desde 2015.
Ainda de acordo com o TJ, ela alegava que ele ficava violento e a agredia fisicamente sempre que bebia.
No dia 21 de novembro de 2015, o primeiro boletim foi registrado. Em 5 de fevereiro de 2017, a vítima fez outro B.O., alegando que foi agredida em via pública e ameaçada de morte pelo ex-companheiro alcoolizado.
Sete meses depois, em setembro de 2017, um terceiro boletim de ocorrência foi feito. Segundo a mulher, ela foi agredida, ameaçada e presa. Após três dias, o ex-marido foi detido preventivamente, e solto um mês depois.
O agressor voltou a ser preso em maio de 2018, em flagrante, desta vez, por agressão física, conforme as informações do TJPE. Na audiência, a prisão foi convertida em preventiva.
Ele ficou detido até o dia 17 de agosto de 2018, quando conseguiu fugir da cadeia pública por volta das 7 da manhã. Após escapar da escolta policial, ele foi na casa onde a ex-mulher morava, no bairro de Vila Bela, e a matou com golpes de uma faca peixeira. Após cometer o crime, ele se matou.
Decisão
O desembargador Erik Simões foi o relator da remessa necessária e da apelação cível interposta pelo Estado. O voto do magistrado manteve a condenação imposta pela sentença da 2ª Vara Cível e Regional da Infância e Juventude da Comarca de Serra Talhada.
"Restou apurado no âmbito do Inquérito Policial que o crime decorreu de inequívoca falha atribuível ao Poder Público, mais precisamente no âmbito de atuação da Secretaria Executiva de Ressocialização do Estado de Pernambuco – SERES, a quem incumbia o dever legal específico de guarda, custódia e vigilância do apenado, dever este que, no caso concreto, não foi exercido de forma eficaz e adequada, contribuindo de maneira decisiva para a ocorrência do resultado danoso. Com efeito, uma vez recolhido à custódia estatal, incumbia ao ente público adotar todas as providências necessárias para garantir a vigilância e evitar a fuga do preso (que, inclusive, se encontrava nesta situação exatamente pelas agressões e ameaças à vítima)", concluiu o desembargador Erik Simões.
Para o relator, ficou provada a responsabilidade civil objetiva decorrente do crime praticado pelo preso foragido.
"Na hipótese em exame, encontra-se devidamente demonstrada a existência de nexo de causalidade direto e imediato entre a evasão do custodiado e o ilícito posteriormente perpetrado. (...) tão logo logrou êxito em evadir-se do estabelecimento prisional, o detento dirigiu se, de forma imediata, ao encontro da vítima, circunstância que evidencia, sem margem a dúvidas, a finalidade previamente delineada de ceifar-lhe a vida, vindo, em seguida, a cometer suicídio", enfatizou o magistrado.
Por meio de nota, a Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco (PGE-PE) informou que "analisará os autos do processo e, dentro do prazo legal, avaliará se irá recorrer da decisão."
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▸ Source Quality 4/5
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"A informação foi repassadas pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE)."
Direct attribution to court as primary source.
Primary source"O desembargador Erik Simões foi o relator"
Named judicial official as source of ruling details.
Named source"Por meio de nota, a Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco (PGE-PE) informou"
Official statement from state prosecutor's office.
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Findings 3
"Ainda cabe recurso."
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Balance indicator"avaliará se irá recorrer da decisão."
Notes state is considering appeal.
Balance indicator"olicial que o crime decorreu de inequívoca falha atribuível ao Poder Público, mais precisamente "
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"Crime aconteceu em 2018, quando o ex-companheiro agressor fugiu da prisão"
Establishes time frame of crime.
Background"que registrou diversos boletins de ocorrência na delegacia de polícia desde 2015."
Provides history of domestic violence reports.
Background"pensão mensal no valor de 2/3 do salário-mínimo até os 25 anos"
Specific financial compensation details.
Statistic▸ Language Neutrality 5/5
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
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"O estado de Pernambuco foi condenado a indenizar"
Neutral reporting of court decision.
Neutral language"A decisão é da Primeira Câmara Direito Público do TJPE"
Factual description of legal body.
Neutral language"istrado. Por meio de nota, a Procuradoria Geral do Estado de Pernambu"
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"concluiu o desembargador Erik Simões."
Clear attribution of judicial quote.
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Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
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Logic Issues
Contradiction · high
Conflicting values for 'perpetrator': 7 vs 20
"Heuristic: Values conflict between P2 and P4"
Core Claims
"The state of Pernambuco was ordered to pay R$300,000 and a pension to children of a femicide victim."
Court ruling from Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) Primary
"The femicide occurred after the perpetrator escaped from prison where he was being held preventively for domestic violence."
Court documents and timeline presented in article Primary
"The court found objective civil responsibility of the Public Power due to failure in prisoner custody."
Judge Erik Simões' ruling quoted in article Primary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (7)
-
P1
"Crime happened on August 17, 2018 in Serra Talhada"
Factual -
P2
"Perpetrator escaped from Cadeia Pública de Serra Talhada around 7am"
Factual In contradiction -
P3
"Victim had filed multiple police reports since 2015"
Factual -
P4
"Perpetrator was in preventive detention since May 20, 2018"
Factual In contradiction -
P5
"Perpetrator committed suicide after the murder"
Factual -
P6
"Prison escape causes direct and immediate cause -> femicide"
Causal -
P7
"State's failure in custody duty causes contributed decisively -> harmful result"
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (1)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Crime happened on August 17, 2018 in Serra Talhada P2 [factual]: Perpetrator escaped from Cadeia Pública de Serra Talhada around 7am P3 [factual]: Victim had filed multiple police reports since 2015 P4 [factual]: Perpetrator was in preventive detention since May 20, 2018 P5 [factual]: Perpetrator committed suicide after the murder P6 [causal]: Prison escape causes direct and immediate cause -> femicide P7 [causal]: State's failure in custody duty causes contributed decisively -> harmful result === Constraints === P2 contradicts P4 Note: Conflicting values for 'perpetrator': 7 vs 20 === Causal Graph === prison escape -> direct and immediate cause femicide states failure in custody duty -> contributed decisively harmful result === Detected Contradictions === UNSAT: P2 AND P4 Proof: Heuristic: Values conflict between P2 and P4
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