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Maioria dos aliados de Lula que foi a favor do impeachment de Dilma evita o tema 10 anos depois

www1.folha.uol.com.br · Juliana Arreguy · 2026-04-17 · 1,324 words
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Source Quality 4
Perspective Balance 4
Contextual Depth 3
Language Neutrality 5
Transparency 5
Logical Coherence 5
Article
Poucos aliados do presidente Lula que foram a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016 admitem arrependimento. Passados dez anos, o PT trata o episódio com pragmatismo na costura de palanques nos estados para as eleições de 2026, enquanto a maioria dos que votaram pela cassação evita tocar no assunto.

A Folha procurou 19 lideranças políticas que foram favoráveis ao impeachment —16 delas eram congressistas que votaram a favor do processo na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal. Doze não quiseram se manifestar sobre o tema ou não responderam e apenas duas declararam arrependimento. Uma afirmou que a justificativa para a cassação foi frágil, sem comentar a sua postura na ocasião, outras duas lamentaram, mas não disseram que agiriam de forma diferente, e mais duas disseram não se arrepender.

A lista completa inclui sete nomes que ocuparam ministérios no governo Lula, mais dois quadros hoje filiados ao PT e políticos que o partido estuda apoiar nas disputas ao Senado e aos governos dos estados.

A votação na Câmara que abriu caminho para o afastamento da então presidente completou dez anos nesta sexta-feira (17).

Primeiro escalão

O vice-presidente e pré-candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSB), que foi também ministro do Desenvolvimento e Indústria, era governador de São Paulo pelo PSDB em 2016 e disse, por meio de sua assessoria, que o impeachment "teve como base uma justificativa frágil que pôs em risco a democracia no Brasil".

Ele lembrou que a própria Folha noticiou, em 2015, que ele não via força na acusação das pedaladas fiscais –que serviram de base para o pedido de cassação. No entanto, não comentou declaração que fez no ano seguinte, de que "o PSDB agiu corretamente votando favoravelmente ao impeachment", em uma entrevista ao SBT.

A deputada federal Marina Silva (Rede-SP), ex-ministra do Meio Ambiente, defendeu o impeachment e, em 2018, disse que não se arrependia do posicionamento. "Apoiei o impeachment por convicção, houve crime de responsabilidade. Não me oriento por métrica eleitoral", disse em sabatina promovida por O Globo, Valor e Época. Ela é cotada para se lançar a uma cadeira ao Senado na chapa do petista Fernando Haddad ao governo paulista, que já tem Simone Tebet (PSB) como pré-candidata à outra vaga.

Tebet foi ministra do Planejamento e deixou o cargo para concorrer em São Paulo a pedido do próprio Lula. Em 2016, era senadora pelo PMDB (hoje MDB) e justificou o seu voto "pelas consequências nefastas a esta e às futuras gerações que pagarão esta conta".

Para o petista José Eduardo Cardozo, que foi advogado particular de Dilma durante o processo do impeachment, é "inevitável juntar forças políticas para evitar a barbárie", referindo-se à união de quadros de esquerda e centro, desde a eleição de 2022, para derrotar o bolsonarismo –como no caso da própria chapa Lula-Alckmin, que reuniu Marina e contou com o apoio de Tebet no segundo turno.

Apoiado pelo PT para se reeleger, o senador Carlos Fávaro (PSD-MT), ex-ministro da Agricultura, era vice-governador de Mato Grosso pelo PP e viajou a Brasília em abril de 2016 para acompanhar a votação na Câmara. "Dizer que isso é golpe é um discurso fácil e desesperado", disse ao portal Olhar Direto na época.

André de Paula (PSD-PE), ex-ministro da Pesca, assumiu a Agricultura no lugar de Fávaro e votou pelo impeachment quando era deputado federal. Também votaram pela cassação o ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP-MA) e o ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho (PSDB-MA).

Juscelino disse que não se manifestaria. Já Tebet, Marina, André de Paula, André Fufuca e Carlos Fávaro não retornaram às tentativas de contato feitas pela Folha por ligações, email e aplicativos de mensagem.


Próximos

Um dos apoios que mais geraram mágoas aos petistas foi o de Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra da Cultura no governo Dilma. Ela trocou o PT pelo PMDB em 2015 e, enquanto senadora, não só votou pelo impeachment como presenteou com flores a advogada Janaina Paschoal, uma das autoras do pedido. Marta retornou ao PT em 2024, a convite de Lula, para ser candidata a vice-prefeita de São Paulo nas eleições municipais e, via assessoria, não quis comentar o seu voto há dez anos.

Outro duramente criticado pelo PT foi Cristovam Buarque, que deixou o partido em 2005 após o escândalo do mensalão e votou pela cassação enquanto senador pelo PPS (hoje Cidadania). "Votei como economista e confesso que errei como político", disse.

Hoje pré-candidato a
deputado federal pelo PSB de Alckmin, relatou ter sido "massacrado" pelos petistas mesmo apoiando Lula em 2022 e integrando a chapa do presidente no DF em 2026.

"A gente não se arrepende daquilo que, naquele momento, era o mais certo. A gente lamenta as consequências do que ocorreram. Uma coisa é se arrepender, era melhor não ter sido preciso [proceder com o impeachment]", afirmou.

Recém-filiada ao PT e pré-candidata à reeleição, a senadora Eliziane Gama (MA) admitiu arrependimento pelo voto pró-impeachment quando era deputada pelo PPS. "É um dos poucos erros que cometi na vida política", disse.

Cobrada pelo s
eu posicionamento pelos petistas –hoje colegas de partido–, atribuiu a mudança à maturidade. "São pessoas que, ao tomarem essa posição hoje, estão fazendo autocrítica da aberração jurídica [que foi o impeachment]", avalia o o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), que foi líder do governo na Câmara em 2015 e 2016.

Quem também se arrependeu do voto foi Floriano Pesaro (PSB-SP), diretor de Gestão Corporativa na ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Deputado pelo PSDB em 2016, ele disse ter cometido "um erro histórico".

"Hoje nós temos consciência de que, naquele momento, grande parte daqueles que votaram a favor do impeachment estava sendo manipulada", afirmou à Folha.

O senador Humberto Costa (PT-PE) disse que houve uma conspiração contra o PT na época e que "muita gente foi nessa". A fala foi endossada por José Eduardo Cardozo: "Tem gente que não queria se indispor com a opinião pública, que achava que não tinha como fazer de outra forma. Não têm por que não dialogar com essas pessoas agora."

Nome defendido por Lula para o Governo de Minas Gerais, o senador Rodrigo Pacheco (PSB) também votou pelo impeachment enquanto deputado. Ele afirmou à reportagem que seguiu o PMDB e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) na decisão. "Hoje, reconheço o trauma gerado pela ruptura de um mandato presidencial, e considero que as consequências disso não foram as melhores", declarou.

Os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM), Eunício Oliveira (MDB-CE) e Omar Aziz (PSD-AM) votaram pelo impeachment e, hoje, discutem chapas com o PT em seus estados. Dos quatro, apenas Aziz é pré-candidato a governador, enquanto os outros tentarão a reeleição.

Também senador, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) foi eleito presidente do Senado em 2025 com o apoio do PT. Em 2016, ao votar pelo afastamento, disse que o processo era legítimo, em contraponto ao discurso petista de que se tratava de um golpe.

Renan não retornou às mensagens, emails e ligações da Folha. Alcolumbre, em nota, respondeu que "não atua como aliado nem como oposição", mas não citou a postura durante o impeachment. Os demais também não quiseram comentar os respectivos votos.

Sem arrependimento

O PT avalia apoiar a pré-candidatura de Acir Gurgacz (PDT) ao Senado em Rondônia. Ele afirmou não se arrepender do voto enquanto senador, acrescentando ter seguido pesquisas que indicavam que a maioria do eleitorado de seu estado era favorável ao impeachment e já ter conversado sobre isso com Lula e Dilma. "O problema é que o país estava ingovernável", disse.

A senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO), pré-candidata ao Governo do Tocantins, é vista como um nome a ser apoiado pelo PT no estado. Apesar disso, afirmou atuar de forma independente, apoiada ou não pelo partido, e disse não se arrepender do voto que deu enquanto deputada. "Foi uma decisão institucional diante de uma crise econômica e política grave."

Colaboraram Guilherme Matos, Malu Araujo e Mariana Grasso, de São Paulo

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Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic
Source Quality 4/5
4/5 Score

Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety

Summary

Article relies on direct reporting and statements from named political figures, but lacks primary documentary sources or expert analysis.

Findings 4

"reeleição Geraldo Alckmin (PSB), que foi também ministro do Desenvol"

Direct statement from a named, high-level political source.

Named source

"dania). "Votei como economista e confesso que errei como político", disse. Hoje pré-candidato a"

Direct quote from a named former senator.

Named source

" voto foi Floriano Pesaro (PSB-SP), diretor de Gestão "

Direct quote attributed to a named political figure.

Named source

"A Folha procurou 19 lideranças políticas que foram favoráveis ao impeachment —16 delas eram congressistas que votaram a favor do processo na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal. Doze não quis..."

Describes the article's reporting methodology but cites unnamed non-respondents.

Secondary source
Perspective Balance 4/5
4/5 Score

Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation

Summary

Article presents multiple viewpoints from politicians who supported impeachment, including those who regret it and those who don't, and acknowledges the PT's pragmatic stance.

Findings 4

"apenas duas declararam arrependimento. Uma afirmou que a justificativa para a cassação foi frágil, sem comentar a sua postura na ocasião, outras duas lamentaram, mas não disseram que agiriam de for..."

Explicitly contrasts different positions (regret vs. no regret) among sources.

Balance indicator

""É um dos poucos erros que cometi na vida política", disse. Cobrada pelo s"

Presents a perspective of regret for the impeachment vote.

Balance indicator

"e afirmou não se arrepender do voto enquanto senador, acrescentan"

Presents a perspective of no regret for the impeachment vote.

Balance indicator

"o PT trata o episódio com pragmatismo"

Acknowledges the strategic, non-ideological perspective of one major party.

Balance indicator
Contextual Depth 3/5
3/5 Score

Background information, statistics, comprehensiveness of coverage

Summary

Provides basic historical context (10-year anniversary, list of politicians) and some political background, but lacks deeper economic/social analysis or comprehensive data.

Findings 3

"a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016 admitem arrependime"

Provides essential temporal and event background.

Background

"A lista completa inclui sete nomes que ocuparam ministérios no governo Lula"

Adds context about the current political roles of the individuals discussed.

Context indicator

"referindo-se à união de quadros de esquerda e centro, desde a eleição de 2022, para derrotar o bolsonarismo"

Provides recent political context for current alliances.

Context indicator
Language Neutrality 5/5
5/5 Score

Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language

Summary

Language is consistently factual and descriptive, reporting statements and events without sensationalist or loaded terms.

Findings 3

"Poucos aliados do presidente Lula que foram a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rou"

Neutral, descriptive lead sentence.

Neutral language

"A Folha procurou 19 lideranças políticas que foram favoráveis ao impeachment —16 delas eram congressistas que votaram a favor do processo na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal. Doze não quis..."

Neutral description of reporting methodology.

Neutral language

"Ele afirmou à reportagem que seguiu o PMDB e a OAB (Ordem dos "

Neutral reporting of a source's explanation.

Neutral language
Transparency 5/5
5/5 Score

Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution

Summary

Full author attribution, clear date, detailed reporting methodology, and all quotes are properly attributed to specific individuals.

Findings 1

"A Folha procurou 19 lideranças políticas que foram favoráveis ao impeachment —16 delas eram congressistas que votaram a favor do processo na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal. Doze não quis..."

Describes the methods used to contact sources.

Methodology
Logical Coherence 5/5
5/5 Score

Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation

Summary

Article is logically structured, presenting findings from the outlet's survey and then detailing individual cases. No internal contradictions or unsupported leaps detected.

Core Claims

"Few of President Lula's allies who supported Dilma Rousseff's impeachment in 2016 admit regret ten years later."

Findings from the newspaper's survey of 19 political leaders, with specific quotes from named individuals like Eliziane Gama and Floriano Pesaro (regret) and Acir Gurgacz (no regret). Named secondary

"The PT is treating the episode with pragmatism for the 2026 elections."

Attributed to the general reporting and context, supported by quotes from figures like José Eduardo Cardozo discussing political alliances. Named secondary

Logic Model Inspector

Consistent

Extracted Propositions (5)

  • P1

    "The impeachment vote in the Chamber that opened the path for the then-president's removal completed ten years on Friday (17)."

    Factual
  • P2

    "The list includes seven names who held ministries in the Lula government."

    Factual
  • P3

    "Marta Suplicy returned to the PT in 2024."

    Factual
  • P4

    "Support for impeachment causes Generated resentment among PT members (e.g., Marta Suplicy, Cristovam Buarque)."

    Causal
  • P5

    "The impeachment causes Had consequences lamented by some (e.g., Cristovam Buarque, Rodrigo Pacheco)."

    Causal

Claim Relationships Graph

Contradiction
Causal
Temporal
View Formal Logic Representation
=== Propositions ===
P1 [factual]: The impeachment vote in the Chamber that opened the path for the then-president's removal completed ten years on Friday (17).
P2 [factual]: The list includes seven names who held ministries in the Lula government.
P3 [factual]: Marta Suplicy returned to the PT in 2024.
P4 [causal]: Support for impeachment causes Generated resentment among PT members (e.g., Marta Suplicy, Cristovam Buarque).
P5 [causal]: The impeachment causes Had consequences lamented by some (e.g., Cristovam Buarque, Rodrigo Pacheco).

=== Causal Graph ===
support for impeachment -> generated resentment among pt members eg marta suplicy cristovam buarque
the impeachment -> had consequences lamented by some eg cristovam buarque rodrigo pacheco

All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.

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