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Carlos Henrique foi condenado apenas pelo sequestro de Thiago Belchior. Vítima foi colocada sob controle dos executores após ser rendida
atualizado
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O Tribunal do Júri do caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal absolveu, nesse sábado (18/4), o réu Carlos Henrique Alves da Silva da acusação de participação na morte de Thiago Belchior. A decisão foi tomada após seis dias de julgamento dos cinco acusados de exterminar 10 pessoas de uma mesma família.
Os jurados entenderam que Carlos não participou de nenhum homicídio, mas atribuíram a ele a autoria do sequestro de Thiago, que resultou na entrega do rapaz aos executores.
Para a defesa de Carlos, a decisão dos jurados foi justa e "proporcional" . "A denúncia contra Carlos Henrique era de homicídio qualificado, e a defesa demonstrou que, de fato, ele não participou de nenhum homicídio", disse Vanessa Ramos, advogada do réu.
"Para estar em um Tribunal do Júri, [o crime] precisa ter o dolo, vontade. [Carlos] nem lá estava quando a vítima Thiago faleceu. Por esse motivo ele foi absolvido do homicídio e condenado apenas pelo sequestro. A pena estipulada foi de dois anos", declarou.
Segundo a defesa, devido ao fato de o acusado já ter cumprido mais de dois anos de prisão, ele deve ser colocado em liberdade ainda nesta semana.
"O juiz determinou que a pena seja cumprida no semiaberto. [No entanto,] Carlos Henrique já está preso muito mais de dois anos. Ele deveria ter ido diretamente para o [regime] aberto, com alvará de soltura, mas isso nós vamos trabalhar na Vara de Execuções Penais", finalizou Vanessa.
Participação
Carlos Henrique foi o último réu a ser preso ao longo das investigações da chacina, em janeiro de 2023. Durante depoimento prestado em juízo, na quinta-feira (16/4), o homem contou que foi contratado pelos outros envolvidos para sequestrar Thiago, roubar o celular dele e "pegar dinheiro em aplicativos de banco". O acusado disse que tinha acertado de receber R$ 5 mil pela participação no crime.
Segundo Carlos, a ideia seria anunciar um assalto a Thiago Bellchior – uma das vítimas, pegar o celular dele e retirar o dinheiro que o rapaz tinha no banco. Conforme a declaração, no dia do assalto, Carlos foi buscado por Carloman dos Santos Nogueira e levado à chácara onde viviam as vítimas.
"Ficamos escondidos em um carro velho que tinha lá até o Thiago chegar. Quando ele chegou, o amarramos e vendamos. Nesse momento, Horácio, que também estava no chão fingindo ser vítima, se levantou. Depois fiz um sinal de que o trabalho foi encerrado para o Gideon, que observava de longe e fui embora", relatou.
Carlos disse ainda que, após o assalto, Horácio Barbosa o deixou em casa e entregou R$ 2 mil em dinheiro a ele. "Depois disso nunca mais tive contato com ninguém. Mandei mensagem para Carlomam cobrando os outros R$ 3 mil, mas ele não me respondeu mais", afirmou.
O réu declarou, ainda, que só ficou sabendo que Thiago estava entre as vítimas da chacina quando foi preso pelo envolvimento no crime.
"Foi o fim de tudo para mim. Perdi esposa, minha mãe está doente com diabetes e eu não posso ajudar. Perdi tudo. E tudo isso por R$ 5 mil", desabafou, logo após alegar que nunca matou ninguém.
Penas somadas chegam a 1.258 anos
O Tribunal do Júri do caso foi encerrado na noite desse sábado (18/4). Além de Carlos, foram condenados por envolvimento no crime os réus: Gideon Menezes, Horácio Barbosa, Carlomam dos Santos e Fabrício Canhedo.
As penas somadas chegam a 1.258 anos, 2 meses e 8 dias de prisão. A maior pena foi de Gideon Batista Menezes, que foi condenado a 397 anos de prisão.
A sentença condenatória dos réus foi proferida mais de três anos após a execução do crime bárbaro ocorrido entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023. Os cinco homens responderam pelo envolvidos no extermínio de 10 integrantes de uma mesma família.
Retrospectiva do Júri
O julgamento teve início na segunda-feira (13/4), por volta das 10h, e se estendeu até as 20h. Foram ouvidos depoimentos de seis testemunhas naquele dia.
Segundo dia : na terça-feira(14/4), 12 testemunhas, entre familiares e policiais que atuaram no caso, foram ouvidas no local até as 21h.
Terceiro e quarto dia: os réus prestaram depoimentos, na quarta (15/4) e quinta-feira (16/4), detalhando como foi a participação de cada um no crime.
Quinto dia: defesa e Ministério Público tiveram espaço para debater teses e acusações. Cada um teve 3h20 para discursar.
Sexto dia: após 11h de votação de 500 quesitos, jurados definiram a participação de cada um dos réus na empreitada criminosa. Em seguida, a sentença foi redigida e lida em Plenário.
Entenda o caso
Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã (DF), e também para obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar seus familiares.
Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil. As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina (DF), onde Marcos foi morto e enterrado.
No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias. Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.
Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere. Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal.
Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima. Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados. Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações.
Disputa por terreno de R$ 2 milhões
Um terreno no Itapoã (DF), avaliado em R$ 2 milhões, teria motivado os assassinos a arquitetarem a morte de 10 pessoas. O local tem cachoeira privativa, ampla área de pastagem de gado e cerca de cinco hectares – equivalentes a 50 mil metros quadrados.
O plano seria assassinar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar nenhum herdeiro vivo. O terreno, no entanto, sequer pertencia à vítima, o patriarca da família, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, o primeiro a ser brutalmente morto. A chácara era alvo de disputa judicial desde 2020, na qual os verdadeiros donos tentam recuperar a área.
Veja imagens do local antes da invasão
Veja imagens do local após a invasão
Os integrantes da família foram atraídos para emboscadas e assassinados um a um. São eles:
Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca.
Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos.
Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal.
Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal.
Elizamar da Silva – esposa de Thiago.
Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar.
Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos.
Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia.
Execução do crime
A primeira ação ocorreu em 27 de dezembro de 2022, quando Marcos, a esposa dele, Renata, e a filha Gabriela foram rendidos dentro de casa. O grupo roubou R$ 49,5 mil das vítimas e levou os três para um cativeiro em Planaltina. Marcos foi morto logo depois, enquanto as duas permaneceram vivas.
A partir daí, os criminosos passaram a usar os celulares das vítimas para se passar por elas e atrair outros integrantes da família. Nos dias seguintes, Cláudia e Ana Beatriz foram enganadas, sequestradas e levadas ao mesmo cativeiro.
Depois, o grupo atraiu Thiago, filho de Marcos, que também foi rendido. Com acesso ao celular dele, os criminosos chegaram até a esposa de Thiago, Elizamar, que foi atraída junto com os três filhos pequenos do casal.
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▸ Source Quality 4/5
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""A denúncia contra Carlos Henrique era de homicídio qualificado, e a defesa demonstrou que, de fato, ele não participou de nenhum homicídio", disse Vanessa Ramos, advogada do réu."
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Primary source""Ficamos escondidos em um carro velho que tinha lá até o Thiago chegar. Quando ele chegou, o amarramos e vendamos. "
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Primary source" semana. "O juiz determinou que a pena seja cumprida no semiaberto. "
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" Para a defesa de Carlos, a decisão dos jurados foi justa e "proporcional" . "A denúnc"
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"aso Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã (DF), e também para obter"
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Background"As penas somadas chegam a 1.258 anos, 2 meses e 8 dias de prisão."
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"O Tribunal do Júri do caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal absolveu, nesse sábado (18/4), o réu Carlos Henrique "
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Neutral language"a execução do crime bárbaro ocorrido entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023."
The word 'bárbaro' (barbaric) carries emotional weight.
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"disse Vanessa Ramos, advogada do réu."
Clear attribution for all quotes.
Quote attribution▸ Logical Coherence 5/5
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
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No logical inconsistencies detected; narrative flows chronologically and claims are supported.
Logic Issues
Contradiction · high
Conflicting values for 'the': 1 vs 2022
"Heuristic: Values conflict between P2 and P3"
Contradiction · high
Conflicting values for 'the': 1 vs $2 million
"Heuristic: Values conflict between P2 and P4"
Contradiction · high
Conflicting values for 'the': 2022 vs $2 million
"Heuristic: Values conflict between P3 and P4"
Core Claims
"Carlos Henrique was acquitted of homicide but convicted of kidnapping in the DF's largest massacre case."
Court decision reported with quotes from defense lawyer and defendant testimony. Primary
"The massacre involved 10 family members killed over a dispute for a R$2 million property."
Background information presented as factual case details. Named secondary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (7)
-
P1
"Carlos Henrique was sentenced to 2 years for kidnapping."
Factual -
P2
"The total sentences for all defendants reached 1,258 years."
Factual In contradiction -
P3
"The crime occurred between December 2022 and January 2023."
Factual In contradiction -
P4
"The property dispute over land valued at R$2 million motivated the killings."
Factual In contradiction -
P5
"Dispute over R$2 million property causes motivated the killers to plan the deaths of 10 people"
Causal -
P6
"Carlos Henrique kidnapping Thiago causes resulted in Thiago's delivery to the executioners"
Causal -
P7
"Using victims' phones to impersonate them causes attracted other family members to ambushes"
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (3)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Carlos Henrique was sentenced to 2 years for kidnapping. P2 [factual]: The total sentences for all defendants reached 1,258 years. P3 [factual]: The crime occurred between December 2022 and January 2023. P4 [factual]: The property dispute over land valued at R$2 million motivated the killings. P5 [causal]: Dispute over R$2 million property causes motivated the killers to plan the deaths of 10 people P6 [causal]: Carlos Henrique kidnapping Thiago causes resulted in Thiago's delivery to the executioners P7 [causal]: Using victims' phones to impersonate them causes attracted other family members to ambushes === Constraints === P2 contradicts P3 Note: Conflicting values for 'the': 1 vs 2022 P2 contradicts P4 Note: Conflicting values for 'the': 1 vs $2 million P3 contradicts P4 Note: Conflicting values for 'the': 2022 vs $2 million === Causal Graph === dispute over r2 million property -> motivated the killers to plan the deaths of 10 people carlos henrique kidnapping thiago -> resulted in thiagos delivery to the executioners using victims phones to impersonate them -> attracted other family members to ambushes === Detected Contradictions === UNSAT: P2 AND P3 Proof: Heuristic: Values conflict between P2 and P3 UNSAT: P2 AND P4 Proof: Heuristic: Values conflict between P2 and P4 UNSAT: P3 AND P4 Proof: Heuristic: Values conflict between P3 and P4
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