▸ Article
Pesquisa quer descobrir de onde vêm tartarugas que vivem em Arraial do Cabo (RJ)
Por JB AMBIENTAL redacao@jb.com.br
Publicado em 21/04/2026 às 12:07
Alterado em 21/04/2026 às 12:07
Por Bruno de Freitas Moura - Em uma tarde de mar calmo e céu aberto, mergulhadores em um caiaque entram no mar da Praia do Pontal, que faz parte da Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.
Quando chegam a cerca de 200 metros da faixa de areia, um deles mergulha e, em questão de minutos, volta para a pequena embarcação com uma tartaruga marinha. Logo em seguida, outra é capturada da mesma forma.
A atividade, acompanhada por pescadores e banhistas mais curiosos, não tem nada de predatória. Pelo contrário: é um monitoramento da saúde desses animais e faz parte do Projeto Costão Rochoso, da organização não governamental (ONG) Fundação Educacional Ciência e Desenvolvimento. A iniciativa busca evidências científicas para preservação e recuperação dos costões, área de transição entre o mar e o continente.
O projeto conta com parceria da Petrobras e colocou em prática um desafio: descobrir de onde vêm as tartarugas que habitam em Arraial do Cabo, litoral do país com maior quantidade de tartarugas-verdes em área de alimentação.
Uma das fundadoras do projeto, a bióloga Juliana Fonseca conta que em Arraial são encontradas todas as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil.
Bateria de examesDepois de capturadas pelos mergulhadores, elas são levadas para a faixa de areia. "A gente faz uma bateria de exames, que consiste em pesar, medir e coleta de tecido. É como se a gente estivesse fazendo uma biópsia para entender a origem dela", detalha Juliana à Agência Brasil.
"Apesar de ter muitas tartarugas aqui em Arraial, é a área com maior densidade de tartarugas-verdes do Brasil, a gente não sabe onde elas nasceram. Então é isso que a gente está tentando entender agora", completa.
"Quando identificamos essa origem, conseguimos entender quais estoques populacionais dependem dessa área. Ao identificar de onde vêm essas tartarugas, passamos a compreender melhor a conexão entre áreas de desova e áreas de alimentação", justifica a bióloga.
Segundo Juliana, essas tartarugas, que têm expectativa de vida em torno de 75 anos, passam aproximadamente dez deles nas águas de Arraial do Cabo. Algumas chegam a permanecer por até 25 anos e só depois retornam à região onde nasceram para se reproduzir.
A bióloga detalha que elas costumam chegar pequenas e se desenvolvem no litoral fluminense.
"São juvenis, recém-chegadas na costa. Depois que elas nascem, têm uma fase oceânica que dura, pelo menos, cinco anos. Então, com cerca de 25 centímetros, voltam para a costa. Em Arraial do Cabo, elas crescem e se desenvolvem muito bem, ou seja, engordam aqui com a oferta de alimentos", descreve.
Identificação e DNAO projeto monitora a saúde das espécies tartaruga-verde e tartaruga-pente em três praias de Arraial do Cabo Praia dos Anjos, Praia Grande e Praia do Pontal e na Ilha de Cabo Frio, todas na reserva marinha. Assim como casco, nadadeiras e rabo, até as unhas são medidas.
"É um monitoramento para entender como a saúde das tartarugas marinhas está", diz Juliana.
Os pesquisadores também utilizam fotografias e softwares de computador para identificar os indivíduos.
"A foto de identificação é basicamente olhar para a cabeça da tartaruga. Ela tem placas na cabeça dela com formatos e tamanhos diferentes para cada indivíduo, basicamente como a nossa impressão digital", explica.
Desde 2018 já foram catalogados cerca de 500 indivíduos. Desses, 80 passaram por coleta de DNA, que ajudará a descobrir de onde vieram. As análises são feitas por meio de uma parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e devem ter resposta dentro de seis meses.
Aproximação humanaOutra pesquisa desenvolvida pelo Projeto Costão Rochoso é identificar a distância que essas tartarugas conseguem aceitar de aproximação humana.
"As tartarugas são muito carismáticas, todo mundo quer observar. Por conta disso, infelizmente, a gente tem muitos relatos de assédio, de captura, de pegar a tartaruga e tirar de dentro da água, isso é um estresse muito grande para esses animais", constata a mergulhadora.
"O que a gente faz é uma aproximação simulada, a gente vai se aproximando e vendo quando ela muda de comportamento. A gente vai ter uma média da distância mínima que essas tartarugas conseguem suportar", conta sobre a metodologia.
Segundo ela, com base nessas informações, será elaborada uma cartilha de boas práticas de observação de tartarugas marinhas para ser usada no turismo não somente em Arraial, mas em outras regiões do Brasil e do mundo.
Durante a atividade de pesagem e medição e coleta de tecido, é comum a aproximação curiosa de banhistas, alguns deles crianças. "Está doente?", pergunta um dos turistas.
Integrantes do projeto esclarecem à população o objetivo preservatório da atividade. No calçadão da praia, a poucos metros do cercadinho onde acontecem os procedimentos, uma placa sinaliza de forma clara: "Proibido tocar nos animais marinhos".
A bióloga e pesquisadora Isabella Ferreira conta que, para realizar a captura das tartarugas, é preciso ter formação em curso de áreas como veterinária, biologia ou oceanografia.
Além disso, são necessárias autorizações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e do Projeto Tamar, criado em 1980 e reconhecido internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha.
"Nós pedimos autorização para tudo que a gente faz aqui, da captura, marcação, foto. Todas as vezes que a gente vem para cá, a gente notifica os guardas ambientais e mostra a nossa autorização", relata. (com Agência Brasil)
Hover overTap highlighted text for details
▸ Source Quality 4/5
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Primary sources include named researchers Juliana Fonseca and Isabella Ferreira, with direct quotes. Secondary source: Agência Brasil cited at the end.
Findings 3
"a bióloga Juliana Fonseca conta que em Arraial são encontradas todas as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil."
Named expert (biologist) provides direct information.
Primary source"A bióloga e pesquisadora Isabella Ferreira conta que, para realizar a captura das tartarugas, é preciso ter formação em"
Named researcher explains methodology.
Primary source"(com Agência Brasil)"
Article ends with attribution to Agência Brasil as secondary source.
Secondary source▸ Perspective Balance 3/5
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Article focuses on the project's perspective; includes brief mention of potential issues like harassment but no alternative viewpoints or criticisms.
Findings 2
"O projeto conta com parceria da Petrobras e colocou em prática um desafio: descobrir de onde vêm as tartarugas qu"
Article presents only the project's goals without contrasting views.
One sided"a gente tem muitos relatos de assédio, de captura, de pegar a tartaruga e tirar de dentro da água"
Acknowledges negative human interactions but does not present opposing arguments.
Balance indicator▸ Contextual Depth 4/5
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Provides background on the project, species details, methodology, and expected outcomes. Includes specific data (e.g., 500 individuals cataloged).
Findings 2
"Desde 2018 já foram catalogados cerca de 500 indivíduos."
Provides concrete number of cataloged individuals.
Statistic"A iniciativa busca evidências científicas para preservação e recuperação dos costões, área de transição entre o mar e o continente."
Explains the project's scientific purpose.
Background▸ Language Neutrality 5/5
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Language is factual and neutral throughout; no sensationalist or loaded terms detected.
Findings 1
"Em uma tarde de mar calmo e céu aberto, mergulhadores em um caiaque entram no mar da Praia do Pontal"
Descriptive, non-emotional language.
Neutral language▸ Transparency 5/5
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Author (JB AMBIENTAL) and date (21/04/2026) are present. Methodology is clearly described. Quotes are attributed to named individuals.
Findings 2
"Por JB AMBIENTAL redacao@jb.com.br"
Author and email provided.
Author attribution"Publicado em 21/04/2026 às 12:07"
Exact publication timestamp.
Date present▸ Logical Coherence 5/5
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical issues, contradictions, or unsupported claims detected. Narrative flows consistently.
Core Claims
"O projeto busca descobrir a origem das tartarugas-verdes em Arraial do Cabo."
Named biologist Juliana Fonseca Primary
"Arraial do Cabo possui a maior densidade de tartarugas-verdes do Brasil."
Named biologist Juliana Fonseca Primary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (4)
-
P1
"Desde 2018 já foram catalogados cerca de 500 indivíduos."
Factual -
P2
"80 passaram por coleta de DNA."
Factual -
P3
"As análises devem ter resposta dentro de seis meses."
Factual -
P4
"Ao identificar a origem, será possível entender causes a conexão entre áreas de desova e alimentação."
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Desde 2018 já foram catalogados cerca de 500 indivíduos. P2 [factual]: 80 passaram por coleta de DNA. P3 [factual]: As análises devem ter resposta dentro de seis meses. P4 [causal]: Ao identificar a origem, será possível entender causes a conexão entre áreas de desova e alimentação. === Causal Graph === ao identificar a origem será possível entender -> a conexão entre áreas de desova e alimentação
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.
Quer avaliar outro artigo? Cole uma nova URL →