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A terapia em grupo de um rebelde - revista piauí

piaui.uol.com.br · Guilherme Henrique; Felippe Aníbal · 2026-04-20 · 2,940 words
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Em um momento da peça, Casagrande exibe o retrato do ex-jogador Sócrates, seu amigo e companheiro de Corinthians Foto: Annelize Tozetto

A terapia em grupo de um rebelde

A estreia do ex-jogador de futebol Walter Casagrande Júnior no teatro

O Teatro Guaíra, em Curitiba, estava sob iluminação baixa, quase em penumbra, quando ecoaram os primeiros versos de Sujeito de sorte, de Belchior. Com andar lento, tranquilo, Walter Casagrande Júnior entrou no palco com o pé direito, assim como fazia nos tempos de jogador profissional de futebol – superstição adotada a partir dos conselhos da mãe, dona Zilda. Imediatamente, um telão ao fundo do palco passou a exibir um videoclipe que mesclava fotos e vídeos do protagonista, em diferentes épocas de sua vida. A plateia comemorou como se fosse uma transmissão ao vivo com os gols mais bonitos de Casão – como um anotado pelo Corinthians contra a Ferroviária, em 1982, em que o centroavante mata a bola no peito e fuzila o alvo com um voleio cinematográfico.

Aquela noite de sexta-feira, 3 de abril, era a estreia de Casagrande no teatro, em pleno Festival de Teatro de Curitiba, uma das maiores e mais importantes mostras da América Latina. Assim que o clipe se encerrou, o ex-atleta e comentarista esportivo pegou uma bola de futebol e colocou em uma marcação no centro do palco, aludindo ao título da peça: Na marca do pênalti. Em seguida, explicou: pênalti é uma metáfora para as decisões que qualquer pessoa precisa tomar. Algumas dessas decisões, diz Casagrande, não geram grandes desdobramentos. "Mas, muitas vezes, a gente bate um pênalti que têm consequências para o resto da vida", contrapôs.

No palco, Casagrande refaz o percurso de uma vida, dentro e fora dos gramados. O espetáculo dura 90 minutos – como em uma partida de futebol – e ele permanece o tempo todo em pé, gesticulando e contando causos de memória, sem um roteiro definido. A direção e idealização é de Fernando Philbert.

Ídolo do Corinthians com 103 gols marcados pelo clube, Casagrande foi um dos mais icônicos atacantes dos anos 1980 e do início da década de 1990. O centroavante também teve passagens expressivas por outros times do Brasil (Flamengo e São Paulo) e da Europa (Torino e Ascoli, na Itália, e FC Porto, em Portugal). Assim, as referências à estreia do espetáculo estavam, é claro, permeadas pelo futebol. Pela manhã, na coletiva de imprensa, choveram figuras de linguagem, como "um craque no Maracanã dos teatros". Entre o público da peça, viam-se camisas de clubes, como Coritiba, Athletico Paranaense, Vasco, Flamengo e, sobretudo, do Corinthians.

A figura de Casagrande, no entanto, vai bem além do ex-jogador que se tornou comentarista esportivo. Libertário e rebelde de cabelos revoltosos, Casão se tornou relevante também fora de campo, pela maneira crítica com que costuma se posicionar em temas para além do esporte e pela forma corajosa como enfrentou e expôs sua dependência química – foram dois livros sobre o tema em coautoria com Gilvan Ribeiro e uma série no Globoplay. Por isso, para definir a peça em que conta sua trajetória, ele não recorre a uma metáfora esportiva, mas a uma analogia a partir de suas múltiplas internações.

"Encaro esse espetáculo como uma terapia em grupo", diz à piauí. "[Na terapia em grupo] você senta com a psicóloga e um grupo de pacientes. Ouve a história de outra pessoa, se identifica e fica emocionado, porque o problema do cara é parecido com o seu", afirma. Ele prossegue: "Então, quando estou falando no teatro, é como se eu estivesse fazendo terapia em grupo e as pessoas, ouvindo meu depoimento (…) Quando subo no palco, não sou o Casagrande da televisão ou o Casão do futebol. Sou um cidadão brasileiro chamado Walter Casagrande Júnior, que está contando sua história."

Os primeiros flashes de memórias de Casagrande remontam aos seus 5 anos de idade, quando era chamado de Waltinho. Sua irmã mais velha, Zildinha, promovia bailinhos para os amigos na garagem de casa, na Penha, distrito da Zona Leste de São Paulo. Enquanto os adolescentes dançavam colados, Waltinho, deitado em seu quarto, ouvia as músicas até adormecer. Ao longo dos anos, Zildinha se tornaria melhor amiga e confidente do menino. A relação entre ambos se tornou tão próxima que, anos depois, quando ela estava casada, Casagrande passava diariamente na casa da irmã, na volta da escola, só para bater papo.

Em um domingo de janeiro de 1979, aos 15 anos de idade, Casagrande passeava pelo bairro a bordo de um carro, conduzido por um amigo. Ao passar pela rua da irmã, viu Zildinha, que lhe acenou. No dia seguinte, o rapaz foi acordado com a notícia de que a irmã tinha sofrido um ataque cardíaco fulminante. Ela morreu aos 22 anos de idade, deixando dois filhos pequenos. Com a família devastada pela tragédia, Casagrande chamou a responsabilidade para si. "Entrei numas de que, porra, eu tenho que segurar essa onda aqui. Ninguém tá conseguindo segurar a onda, eu vou segurar."

O rapaz tentou fingir naturalidade. No dia seguinte ao sepultamento, já compareceu ao treino nas categorias de base do Corinthians. Em fevereiro, caiu na folia do carnaval. Para evitar olhares de pena, "chegava zoando, falando um monte de merda". Se para quem olhasse de fora, parecia que Casagrande estava lidando bem com a perda, por dentro o rapaz se corroía. "Eu estava com uma raiva do caralho de Deus, sem entender porque aquilo havia acontecido, com a injustiça… com aquilo tudo dentro de mim", conta. "Eu pulei o luto. Dei um salto triplo e pum! Caí lá na frente… Só que, cara, não se pula o luto", diz.

Enquanto fingia que tudo estava bem, Casagrande desenvolveu um comportamento autodestrutivo que, hoje, ele define como suicida, quando tinha entre 15 e 16 anos. Relata, por exemplo, que fazia seus amigos acelerarem o carro a toda velocidade, enquanto ele se agarrava ao teto do carro, do lado de fora. Casão, que já costumava fumar maconha, se aprofundou no uso de drogas, como cocaína e heroína. "Eu vivia sendo um suicida constante. Eu topava qualquer parada, não tinha medo de nada", relembra. "Se o carro batesse num poste estaria tudo certo."

A jornada pelas drogas, que começou ainda na adolescência, teve consequências que chegaram ao ápice duas décadas e meia depois. Em setembro de 2007, Casagrande estava trancado em casa havia cerca de vinte dias, consumindo todos os tipos de substâncias, sem dormir e sem se alimentar direito. Passou a ver demônios pelos cantos. Na fissura por continuar a se entorpecer, foi para um hotel, mas, nem bem entrou no quarto, os demônios reapareceram. Bateu em retirada a bordo de seu jipe Cherokee, mas dormiu ao volante enquanto transitava por uma rua da Lapa.

"Eu bati [o jipe] na guia, pegou na placa de trânsito. Capotei em cima de seis carros. Caí lá do outro lado, dormindo. Acordei com o grito das pessoas. Não tive um arranhão. Não bati com a cabeça, não fiquei com um roxo…", relata Casagrande, que passou a refletir consigo mesmo: "Cara, se você não morreu, você tem que fazer alguma coisa importante com essa merda aqui." A história do acidente provocou silêncio absoluto no teatro.

Casão ficou por um ano internado em uma clínica para dependentes químicos. Tentou sabotar o tratamento interrompendo-o por conta própria, mas acabou indo até o fim. Na época, seu médico lhe avisou que, se saísse antes do planejado, sua reabilitação seria prejudicada. A partir de 2009, ele passou a falar publicamente sobre sua luta contra as drogas. No mesmo ano, participou do programa Altas Horas, da Rede Globo, em que abordou o tema em entrevista a Serginho Groisman. A repercussão positiva lhe ajudou a persistir no que chama de travessia, ou seja, o processo de reinserção na sociedade (não por acaso, Travessia é o título do terceiro livro de Casagrande). Ele pondera, no entanto, que se a publicização de sua luta acontecesse hoje, talvez enfrentasse obstáculos maiores.

"Naquela época, 2008, a gente não era polarizado, não tinha redes sociais, não tinha guerra de internet", diz. "Se minha exposição fosse feita já com redes sociais, já com internet, já com canal de YouTube, já com influencers, talvez fosse mais difícil", avalia. Apesar disso, Casão não escapou de ataques virtuais posteriores, mas hoje já lida bem com os haters.

Casagrande aponta dois episódios decisivos em sua travessia, quando já estava completamente abstêmio. O primeiro foi a cobertura de quinze dias das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, em que ele atravessou sem beber e sem consumir drogas. Mas o ex-atleta precisava de uma prova definitiva, que veio na Copa do Mundo da Rússia, que durou um mês. "Esses eventos são fodas. Eu sempre me divertia sem limites", relembra. "Eu falei assim: 'Cara, para você ter certeza de como você está, tem que participar de um evento fora do Brasil, em que você não vai ter apoio de psicóloga nenhuma, e conseguir resistir'", diz. Casão escapou ileso. "O grand finale foi eu parar de fumar [cigarros] em 2019", celebra.

A travessia foi o que aproximou Casagrande das artes cênicas. No período de ressocialização, ele assumiu o compromisso de ir ao teatro ou ao cinema, de quintas-feiras a sábados, sempre acompanhado de uma psicóloga. Ao fim do tratamento, já estava arrebatado pelo hábito, que mantém até hoje. Em 2023, foi ao Instituto Tomie Ohtake assistir a O Caso, peça dirigida por Fernando Philbert. Antes da apresentação, o diretor encontrou Casão no hall de entrada e se apresentou. Semanas depois, Philbert procurou o ex-jogador de futebol, com uma pergunta que soava como convite: "Você já pensou em fazer um monólogo?"

Até então, a experiência de Casagrande com as artes cênicas se limitava a poucas participações especiais, sendo uma delas no filme Onda Nova, de 1983. Dialogando com recursos da pornochanchada e do movimento Boca do Lixo, o enredo do longa-metragem orbita em torno do Gayvotas Futebol Clube, um time feminino. Uma das poucas cenas de Casão no filme virou meme: na saída do treino, ele é abordado por uma garota que propõe: "É que eu sou virgem e queria que você me descabaçasse."

Consciente de sua inexperiência em atuar, Casão topou a proposta de Philbert, mas impôs uma condição. "Não pode ter texto, não pode ter roteiro, porque não sou um ator. Meu perfil é falar abertamente aquilo que vem na minha cabeça", conta. Philbert, por sua vez, ponderou que aquela era, mesmo, a melhor fórmula. "Eu vi [em Casagrande] uma pessoa que pode contar uma história e que tem o que dizer", aponta. Em conjunto, estabeleceram a proposta de Casagrande narrar sua própria trajetória com extrema liberdade, tendo como único suporte imagens projetadas em telão e trechos de canções.

"Então, esse espetáculo será sempre inédito", diz Casagrande. "O que me entusiasma nisso é exatamente essa questão da espontaneidade, da naturalidade e das coisas que passam na cabeça", completa.

Em 2 de dezembro do ano passado, Casagrande fez um ensaio aberto no Teatro Corinthians, anexo ao Parque São Jorge, que tem capacidade para 360 pessoas. Com plateia formada quase integralmente por convidados, ele "jogou em casa". Estavam lá familiares, amigos de diferentes etapas da vida, como os ex-jogadores Wladimir e Zé Maria, dos velhos tempos de Democracia Corinthiana, e familiares de Marcelo Fromer, guitarrista do Titãs, que morreu em 2001, enquanto praticava corrida de rua.

Na capital paranaense, no entanto, o desafio seria maior. Uma das mais importantes casas do país e com capacidade para 2.180 espectadores, o Teatro Guaíra é quase seis vezes maior que o Teatro do Corinthians. Além disso, o Na marca do pênalti figuraria em uma programação com outras 434 atrações do Festival de Teatro de Curitiba. Foi aí que vieram analogias com o futebol, como "tão difícil quanto final de campeonato" e o "jogar no Maracanã dos teatros".

Apesar disso, Casão estava à vontade. Às 18h10, ele saiu do Hotel Mabu, que fica a meia quadra do Guaíra, e caminhou a pé até uma porta lateral do teatro, seguido alguns passos atrás por sua assessora, Vanessa Andrade, e pela produtora Selene Marinho. Já trajava o figurino do espetáculo: camiseta preta, calça jeans e All-Star branco, usava óculos de aros redondos e de lentes suavemente rosadas e trazia anéis de caveira em dois dedos de cada mão. No trajeto, cruzou com dois transeuntes, que viraram o rosto, surpresos, ao reconhecer o ex-jogador, mas que não o abordaram.

No camarim – um espaço de cerca de 6 x 3 metros –, o estreante ajustou o ar condicionado para 18°C e conferiu o frigobar, que tinha água de coco, água mineral e isotônico. Casagrande também passou os olhos sobre a bancada, em que havia frutas, sanduíches e um bolo vegano. Acomodado em uma poltrona, o ex-jogador tomou uma garrafa de isotônico em quatro longos goles. "O difícil é esperar", disse. "A minha cabeça está fervendo, mas eu estou tranquilo. Isso não me assusta", acrescentou.

Enquanto aguardava, ficou ao celular. Admirou-se com uma foto enviada por uma amiga paulistana, que mostrava o entardecer na Praça do Pôr do Sol, de São Paulo. Também recebeu mensagens de boa-sorte do cantor Evandro Mesquita, do ex-jogador Ataliba, da jornalista Milly Lacombe e do preparador físico Carlinhos Neves. "O Evandro está doido pra ver o espetáculo. Vamos ter que levar isso para o país", diz Casagrande.

Já no palco, ele relembrou seu interesse por futebol aos 7 anos, na Copa do Mundo de 1970 – a primeira transmitida ao vivo no Brasil. Nascido em uma família de corinthianos, no ano seguinte Waltinho foi pela primeira vez assistir a um jogo do Timão, no Parque São Jorge. O meio-campista Rivelino e o goleiro Ado tinham acabado de voltar ao Corinthians. Foi o que bastou: o menino se apaixonou pelo futebol. Quando passou a jogar nas categorias de base do clube, foi como a realização de um sonho. Mas viria mais pela frente.

Em 1982, após uma temporada na Caldense, Casão voltou ao Corinthians. Segundo relata, após um jogo no Ceará, o cantor Fagner foi aos vestiários. Perguntou-lhe pelo Magrão – como o meia-atacante Sócrates era chamado pelos amigos. O jovem Casagrande terminou aquela noite em um bar, acompanhando Fagner, Zé Maria e Sócrates – foi, aliás, sua primeira conversa com aquele que se tornaria seu grande parceiro no Corinthians. "Aquele foi o primeiro jogo que eu joguei com o Magrão. Eu não lembro de ter batido papo com ele antes", conta Casão. "Naquele momento [no bar], surgiu uma coisa mágica", define.

Ao lado de Sócrates, Wladimir e Zé Maria, Casagrande foi um dos expoentes do movimento chamado Democracia Corinthiana, que tinha como base estabelecer deliberações coletivas nas decisões do clube. O exemplo, no entanto, tinha força para além dos gramados, em um contexto de Ditadura Militar e em que começava a ganhar corpo mobilizações por eleições diretas. Em um dos episódios emblemáticos, os jogadores do Corinthians entraram em campo com a camisa estampada com a frase "Dia 15 vote", incentivando o comparecimento dos eleitores na primeira eleição direta para governador durante o período militar.

"Os generais ligavam para os dirigentes, falando: 'De democracia, não pode falar'", disse Casão, no palco do Guaíra. O atacante também relatou que foi perseguido continuamente pela polícia. Em uma abordagem feita por uma equipe da Rota, a tropa de elite da PM paulista, em dezembro de 1982, ele e três amigos foram deixados nus, em uma das marginais. Em um dos momentos mais emocionantes, Casagrande relembrou uma edição do programa Arena Sportv, de 2011, em que participou com Sócrates. Quando o apresentador Cléber Machado lhe perguntou o que Magrão representava em sua vida, Casão não hesitou: "Eu te amo", disse ao ex-companheiro de clube.

"Foi a primeira vez que eu consegui dizer 'eu te amo'", revela Casagrande na peça, com a voz embargada. "Nem para namorada ou mulher eu tinha conseguido", acrescenta.

Em outro momento, falou superficialmente sobre seu relacionamento com Baby do Brasil, a ex-vocalista do grupo Novos Baianos e que se tornou evangélica no fim dos anos 1990. Os dois namoraram por cerca de sete meses, entre o fim de 2016 e o início do ano seguinte. Casão contou, com bom humor, que os dois não transavam, arrancando risos da plateia. Segundo o ex-jogador, Baby dizia que nunca mais tinha usado drogas, entre outros motivos, porque tinha decorado os caminhos pelos quais "o barato" a conduzia em cada substância que já utilizou.

Aficionado em música, Casagrande também abordou sua proximidade com Rita Lee e com Gonzaguinha – chegou a cantar com ambos em shows deles. Ao fim do espetáculo, projetou-se um novo clipe, com a música Coração tranquilo, de Walter Franco. Casão declamou os versos "Tudo é uma questão de manter/ A mente quieta / a espinha ereta/ E o coração tranquilo", como um mantra. Por fim, o som subiu com as estrofes finais de Fotografia 3 x 4, de Belchior, em que Casagrande destaca o verso "A minha história é talvez, é talvez igual à tua". "É isso! E não é 'talvez'. As nossas histórias são iguais", define.

Com o espetáculo encerrado, enquanto agradecia aos aplausos no palco, Casão agradeceu a presença do preparador físico Carlinhos Neves, da atriz Camila Pitanga, do ator Antônio Pitanga e do ex-jogador e ex-técnico Levir Culpi (revelou que, quando criança, tinha jogo de botão do time do Santa Cruz, com a foto do então zagueiro Levir em um dos botões). De seu lugar, em uma das primeiras fileiras, Antônio Pitanga gritou: "Quero dividir o palco com você! Você é um puta ator!" A julgar pela repercussão, Casão terá que levar Na marca do pênalti para outros palcos do país ou, quem sabe, se aventurar em outras peças.

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Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic
Source Quality 4/5
4/5 Score

Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety

Summary

Direct interview with the subject and named director; minimal use of anonymous sources.

Findings 3

""Encaro esse espetáculo como uma terapia em grupo", diz à piauí."

Direct quote from the subject, primary source.

Primary source

"Philbert, por sua vez, ponderou que aquela era, mesmo, a melhor fórmula."

Named director is quoted directly, providing primary source.

Primary source

"Fernando Philbert"

Director is named and quoted.

Named source
Perspective Balance 3/5
3/5 Score

Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation

Summary

Primarily one perspective (Casagrande's), but includes some outside views from the director and references to public reactions.

Findings 2

"A figura de Casagrande, no entanto, vai bem além do ex-jogador que se tornou comentarista esportivo."

Article centers on Casagrande's narrative without presenting counterarguments.

One sided

"Philbert, por sua vez, ponderou que aquela era, mesmo, a melhor fórmula."

Includes director's perspective, offering a slight balance.

Balance indicator
Contextual Depth 4/5
4/5 Score

Background information, statistics, comprehensiveness of coverage

Summary

Provides rich background on Casagrande's life, career, and addiction, with specific dates and events.

Findings 3

"o teatro O Teatro Guaíra, em Curitiba, estava sob iluminação baixa, q"

Sets the scene with detailed description of the theater and festival.

Context indicator

"Ídolo do Corinthians com 103 gols marcados pelo clube, Casagrande foi um dos mais icônicos atacantes dos anos 1980 e do início da década de 1990."

Provides career background with statistics.

Background

"103 gols marcados pelo clube"

Specific stat adds depth.

Statistic
Language Neutrality 4/5
4/5 Score

Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language

Summary

Mostly neutral reporting, but includes some emotive language (e.g., 'suicida constante', 'raiva do caralho').

Findings 2

" heroína. "Eu vivia sendo um suicida constante. "

Emotive language but in direct quote from subject; still affects neutrality.

Sensationalist

"A estreia do ex-jogador de futebol Walter Casagrande Júnior no teatro"

Neutral headline and lead.

Neutral language
Transparency 5/5
5/5 Score

Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution

Summary

Author, date, and publication clearly stated; quotes attributed to speakers; no anonymous sources.

Findings 1

""Encaro esse espetáculo como uma terapia em grupo", diz à piauí."

Quote attributed to subject and publication.

Quote attribution
Logical Coherence 5/5
5/5 Score

Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation

Summary

No contradictions or logical issues detected; narrative flows chronologically.

Core Claims

"Casagrande's theater debut is a form of group therapy for him."

Direct quote from Casagrande. Primary

"His sister Zildinha died of a heart attack when he was 15."

Casagrande's narrative. Primary

"He was in a serious car accident in 2007 due to drug use."

Casagrande's account. Primary

Logic Model Inspector

Consistent

Extracted Propositions (7)

  • P1

    "Casagrande scored 103 goals for Corinthians."

    Factual
  • P2

    "He played for Flamengo, São Paulo, Torino, Ascoli, and FC Porto."

    Factual
  • P3

    "He participated in the 2016 Olympics and 2018 World Cup as a commentator."

    Factual
  • P4

    "He quit smoking in 2019."

    Factual
  • P5

    "The death of his sister causes his self-destructive behavior and drug use."

    Causal
  • P6

    "The car accident in 2007 causes led him to seek treatment."

    Causal
  • P7

    "Publicly speaking about his addiction causes in 2009 helped his recovery."

    Causal

Claim Relationships Graph

Contradiction
Causal
Temporal
View Formal Logic Representation
=== Propositions ===
P1 [factual]: Casagrande scored 103 goals for Corinthians.
P2 [factual]: He played for Flamengo, São Paulo, Torino, Ascoli, and FC Porto.
P3 [factual]: He participated in the 2016 Olympics and 2018 World Cup as a commentator.
P4 [factual]: He quit smoking in 2019.
P5 [causal]: The death of his sister causes his self-destructive behavior and drug use.
P6 [causal]: The car accident in 2007 causes led him to seek treatment.
P7 [causal]: Publicly speaking about his addiction causes in 2009 helped his recovery.

=== Causal Graph ===
the death of his sister -> his selfdestructive behavior and drug use
the car accident in 2007 -> led him to seek treatment
publicly speaking about his addiction -> in 2009 helped his recovery

All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.

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