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André Mendonça alinha procedimentos com a PF após assumir caso Master

otempo.com.br By Gabriel Ferreira Borges 2026-02-13 607 words
BRASÍLIA - Após assumir a relatoria da investigação do Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça alinhou, nesta sexta-feira (13/2), os procedimentos do seu gabinete com a Polícia Federal (PF). O ministro se reuniu por videoconferência por cerca de duas horas com o diretor-executivo da PF, Willian Marcelo Murad, e delegados.

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Mendonça alinhou com Murad e os demais os processos já adotados pelo gabinete em outros inquéritos sob relatoria do ministro. O ex-advogado-geral da União é o relator da investigação a respeito dos supostos descontos irregulares em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por exemplo.

A reunião foi adiantada pelo "SBT News" e confirmada por O TEMPO Brasília. Mendonça tomou a iniciativa de convidar os agentes da PF para tomar pé de qual fase está a investigação. No último dia 16, o então relator, Dias Toffoli, prorrogou o inquérito por mais 60 dias e a autoridade policial tem até 16 de março para concluí-lo.

Em coletiva à imprensa na última terça (10/2) para fazer um balanço da atuação da PF em 2025, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a investigação já caminha para o relatório final. "Estamos caminhando para um relatório final e dando encaminhamento a todos os achados, sem descartar nenhuma hipótese", pontuou.

A PF ainda tem cinco investigados da operação batizada como "Compliance Zero" para ouvir. Os depoimentos estavam previstos para os dias 26 e 27 de janeiro, mas foram adiados, por tempo indeterminado, após as defesas questionarem a ausência de acesso à íntegra do inquérito conduzido pela autoridade policial.

Restam as oitivas dos dois ex-executivos da Tirreno Consultoria André Felipe Seixas Maia e Henrique Peretto, do ex-superintendente de Operações Financeiras do Banco Regional de Brasília (BRB) Robério Mangueira e dos ex-sócios de Daniel Vorcaro no Banco Master Augusto Lima e Angelo Antonio Ribeiro da Silva.

Ainda não está claro se Mendonça manterá as restrições impostas por Toffoli às diligências da PF. Os depoimentos estão restritos à sede do STF desde que o ministro tirou a investigação da 10ª Vara Federal da Justiça do Distrito Federal (DF). O então relator condicionou as oitivas às salas de audiência da Corte para serem "gravadas e acompanhadas" pelos auxiliares do próprio gabinete.

A restrição provocou um desencontro entre Toffoli e a PF na última rodada de depoimentos. A princípio, a autoridade policial programou a realização de oito oitivas entre os dias 23 e 28 de janeiro, mas o ministro alegou "limitação de pessoal e disponibilidade de salas" no STF e os depoimentos foram reorganizados entre os dias 26 e 27 de janeiro.

Os documentos e as informações enviadas pela 10ª Vara Federal da Justiça do Distrito Federal após Toffoli puxar a investigação estão sob custódia do STF. O argumento do ministro foi a necessidade de "afastar eventuais nulidades" e alcançar "resultados efetivos, com a estrita observância do processo legal".

Mendonça foi sorteado como novo relator do caso Master logo após Toffoli abrir mão da relatoria em uma reunião com todos os dez ministros na Presidência do STF nessa quinta-feira (12/2). Apesar de ter deixado o caso depois de a PF entregar ao presidente Edson Fachin um relatório com indícios de crimes, o ministro disse que foi "tudo unânime" ao deixar o encontro.

Em nota conjunta, os dez ministros defenderam a "plena validade" das decisões de Toffoli à frente da relatoria do caso Master, alegaram "inexistência" de suspeição ou impedimento do agora ex-relator e anunciaram a extinção da arguição de suspeição aberta no STF após o relatório da PF chegar às mãos de Fachin.

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