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No centro de escândalos, fundos explodem e criam "sistema paralelo"

metropoles.com · Carlos Rydlewski · 2026-04-24 · 1,048 words
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Source Quality 3
Perspective Balance 2
Contextual Depth 4
Language Neutrality 3
Transparency 4
Logical Coherence 4
Article
No centro de escândalos, fundos explodem e criam "sistema paralelo"

Peças-chave em casos como do Banco Master, fundos de investimento somavam R$ 485 bilhões, em 2011, e atingiram R$ 2,7 trilhões, em 2025

atualizado

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Os fundos de investimento registraram uma explosão no Brasil em pouco mais de uma década. O estoque dessas aplicações financeiras em todo o país saltou de R$ 485 bilhões, em 2011, para R$ 2,7 trilhões, no ano passado, segundo estudo recente feito pela gestora Rio Bravo.

O crescimento de 457%, no entanto, veio impregnado de problemas. Por falhas na regulamentação e fiscalização, parte expressiva desses fundos está sendo usada como base de estruturas financeiras fraudulentas, para ocultar patrimônio, maquiar balanços e lavar dinheiro.

Não por acaso, os fundos estão na mira das principais investigações policiais em curso no país. É o caso das operações Carbono Oculto, que apura a infiltração do crime organizado na economia formal, por meio de fundos da Faria Lima, e Compliance Zero, que apura as fraudes bilionárias do Banco Master.

Sistema paralelo

Para o economista José Alfaix, um dos autores do estudo da Rio Bravo, esse novo universo de fundos oferece uma série de riscos ao sistema financeiro como um todo. Entre eles, há o perigo de formação do que o especialista define como "shadow banking", termo em inglês que pode ser traduzido como sistema bancário paralelo.

E como essa sombra (shadow) funciona? "A migração do crédito para estruturas de fundos, securitizadoras e gestoras independentes permite a originação, empacotamento e distribuição de crédito, mas sem que ele fique sujeito às regras e exigências prudenciais válidas para os bancos, como o conjunto de normas internacionais, definidos pelos Acordos de Basileia, na Suíça", afirma Alfaix.

Além disso, observa o economista, "enquanto o sistema bancário tradicional possui garantias explícitas, caso do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), redesconto, liquidez emergencial do Banco Central, por exemplo, o 'shadow banking' externo opera sem esses mecanismos". "Isso expõe o sistema a riscos de liquidez e contágio, caso ocorram choques em larga escala, que são mais preocupantes à integridade do sistema financeiro", afirma.

Além disso, acrescenta Alfaix, o sistema bancário formal também pode usar essa "sombra" à medida que lhe convém. "O crédito passou a ser 'reempacotado'", afirma. "E conglomerados bancários usam veículos irmãos para descolar risco sem romper regras formais. Assim, a 'cadeia sombra' ocorre dentro e fora dos grandes bancos, o que dificulta o mapeamento do risco sistêmico."

Histórico dos fundos

Fundos de investimento são formas coletivas de aplicação financeira, como um "condomínio". Nele, diversos investidores (cotistas) reúnem recursos para que um gestor profissional invista em uma carteira de ativos, como ações, títulos de renda fixa ou imóveis. Cada investidor possui cotas proporcionais ao valor investido.

Depois da estabilidade da economia brasileira promovida pelo Plano Real, em 1994, os "fundos estruturados" começaram a ganhar tração a partir de 2010. Esse tipo de fundo permite investimentos não só em ações, mas em ativos da economia real como imóveis, empresas (fundos de participação), crédito (direito creditório), cadeias do agronegócio (Fiagro), entre outros casos.

Em geral, os fundos estruturados são "fechados". Isso quer dizer que os resgates só ocorrem de acordo com o regulamento, o que deveria ser o final do investimento. Nos fundos "abertos", dá-se o contrário: eles permitem resgates e aportes a qualquer momento, o que lhes confere maior liquidez.

Como ocorrem as falcatruas

Sob o ponto de vista fiscal, a grande diferença entre os dois tipos de fundos é que os "abertos" estão sujeitos à tributação, por meio de uma antecipação semestral do Imposto de Renda (IR), o "come-cotas", que incide no último dia útil de maio e novembro. Antes da Lei 14.754/2023, não havia "come-cotas" para os fundos fechados e o IR só era pago no resgate ou na venda das cotas.

A legislação mudou esse quadro, mas manteve uma série de exceções. Assim, FIDCs (fundos em direitos creditórios), FIPs (fundos em participações, que fazem aportes em empresas), fundos imobiliários e Fiagros (ligados ao agronegócio), por exemplo, continuaram a pagar IR só no fim do investimento.

Foi daí que, segundo fontes da Receita Federal ouvidas pelo Metrópoles, veio uma combinação perversa. Se não há tributação, não existe informação para prestar ao Estado. Com isso, criou-se, ao mesmo tempo, uma estrutura flexível para o desenvolvimento da economia, mas também um cenário de "paraíso fiscal".

Em setembro do ano passado, o Metrópoles já havia mostrado como fundos de investimentos da Faria Lima estavam sendo utilizados como uma caixa-preta para esconder fortunas de organizações criminosas, políticos e empresários, e para blindar o patrimônio de grandes devedores.

A reportagem rastreou ao menos 177 fundos nã
o listados na Bolsa de Valores, com patrimônio líquido de R$ 55 bilhões, que operavam sem auditoria ou eram considerados inauditáveis por falta de documentos, é que possuíam uma teia de outros fundos como cotistas, dificultando a identificação do beneficiário final dos recursos.

Compliance Zero

Um exemplo de suposta ocultação de patrimônio realizada por meio de fundos está sendo investigado pela Polícia Federal (PF). Ele foi exposto na 4ª fase da Compliance Zero, que resultou na prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, na semana passada.

A suspeita é que Costa tenha recebido seis imóveis de luxo, avaliados em R$ 146,5 milhões, do ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro. Eles foram colocados em nome de empresas de fachada e familiares (laranjas) para ocultar a real propriedade. Para operacionalizar o pagamento e disfarçar a origem e a titularidade dos bens, foram mobilizados fundos de investimento geridos pela Reag, gestora da Faria Lima investigada na Operação Carbono Oculto e que, assim como o Master, foi liquidada pelo Banco Central (BC).

Para a Receita Federal, os fundos têm sido usados para camuflar um sem-número de atividades ilegais, mas eles abrigam bens, ou seja, o patrimônio associado a essas falcatruas. Como uma espécie de complemento desse sistema, entram em cena as fintechs. Estas também são usadas para ocultar patrimônio, mas, notadamente, para realizar a movimentação do dinheiro obtido de forma ilegal.

Depois que os escândalos vieram à tona, a Receita publicou uma nova instrução normativa equiparando o tratamento para as fintechs ao que já era dado aos bancos, com o objetivo de combater crimes financeiros. O órgão também passou a exigir a declaração de quem são os beneficiários finais dos fundos de investimento.

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Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic
Source Quality 3/5
3/5 Score

Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety

Summary

Article relies on one named expert (economist José Alfaix), unnamed sources from Receita Federal, and references to police operations. No direct interviews with primary sources like regulators or defendants.

Findings 4

"Para o economista José Alfaix, um dos autores do estudo da Rio Bravo"

Named expert source, but not a primary witness to the alleged fraud

Secondary source

"segundo fontes da Receita Federal ouvidas pelo Metrópoles"

Anonymous government sources; cannot verify credibility

Anonymous source

"segundo estudo recente feito pela gestora Rio Bravo"

Cites a study from an asset manager, which is a secondary source

Secondary source

"vedores. A reportagem rastreou ao menos 177 fundos nã"

The article references its own previous reporting, which is tertiary

Tertiary source
Perspective Balance 2/5
2/5 Score

Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation

Summary

The article presents a one-sided view focusing on fraud and risks without offering perspectives from fund managers, regulators, or defenders of the system. No counterarguments are included.

Findings 2

"parte expressiva desses fundos está sendo usada como base de estruturas financeiras fraudulentas"

Generalizes the problem to a large portion of funds without balance

One sided

"os fundos estão na mira das principais investigações policiais"

Presents only the negative side

One sided
Contextual Depth 4/5
4/5 Score

Background information, statistics, comprehensiveness of coverage

Summary

Article provides substantial background on fund types, regulatory history, and specific cases (Compliance Zero, Carbono Oculto). Uses statistics and explains complex concepts like shadow banking.

Findings 3

"saltou de R$ 485 bilhões, em 2011, para R$ 2,7 trilhões, no ano passado"

Provides clear data to show growth

Statistic

"Depois da estabilidade da economia brasileira promovida pelo Plano Real, em 1994"

Offers historical context

Background

"Fundos de investimento são formas coletivas de aplicação financeira, como um "condomínio""

Explains basic concept for lay readers

Context indicator
Language Neutrality 3/5
3/5 Score

Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language

Summary

The article uses loaded terms like 'explosão', 'impregnado de problemas', 'falcatruas', 'camuflar', and 'paraíso fiscal', which carry negative connotations. However, much of the language is factual.

Findings 4

"fundos explodem"

Sensational headline language

Sensationalist

"veio impregnado de problemas"

Loaded phrasing implying widespread issues

Sensationalist

"falcatruas"

Informal and pejorative term for fraud

Sensationalist

"Fundos de investimento são formas coletivas de aplicação financeira"

Factual, neutral explanation

Neutral language
Transparency 4/5
4/5 Score

Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution

Summary

Author and date are clearly stated. Quotes are attributed to named experts or anonymous sources as 'fontes da Receita Federal'. No methodology disclosure for the investigative portion, but previous reporting is referenced.

Findings 2

"afirma Alfaix"

Quotes attributed to named expert

Quote attribution

"segundo fontes da Receita Federal ouvidas pelo Metrópoles"

Source attribution is vague but present

Quote attribution
Logical Coherence 4/5
4/5 Score

Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation

Summary

The article is internally consistent. One minor issue: it states that lack of taxation means no information to report, but earlier it mentions that closed funds now have 'come-cotas', but exceptions remain. The logic is mostly clear.

Findings 2

"Se não há tributação, não existe informação para prestar ao Estado"

Implies causation between no tax and no reporting, but tax exemption does not necessarily eliminate information requirements

Unsupported cause

"Se não há tributação, não existe informação para prestar ao Estado"

Article claims that absence of taxation leads to absence of information reporting, but this is not necessarily true; regulatory requirements could still exist for reporting.

Logic unsupported cause

Logic Issues

Unsupported cause · medium

Article claims that absence of taxation leads to absence of information reporting, but this is not necessarily true; regulatory requirements could still exist for reporting.

"Se não há tributação, não existe informação para prestar ao Estado"

Core Claims

"Fund growth has been accompanied by fraud and use in illegal activities"

Economist José Alfaix, anonymous Receita Federal sources, reference to police operations Secondary

"Funds are being used as 'shadow banking' without prudential regulation"

Economist José Alfaix Named secondary

Logic Model Inspector

Consistent

Extracted Propositions (4)

  • P1

    "Fund assets grew from R$ 485 billion in 2011 to R$ 2.7 trillion in 2025"

    Factual
  • P2

    "177 funds with R$ 55 billion had no audit or were unauditable"

    Factual
  • P3

    "Lack of taxation on closed funds causes creation of a tax haven environment"

    Causal
  • P4

    "Use of funds in fraudulent structures causes hiding wealth and money laundering"

    Causal

Claim Relationships Graph

Contradiction
Causal
Temporal
View Formal Logic Representation
=== Propositions ===
P1 [factual]: Fund assets grew from R$ 485 billion in 2011 to R$ 2.7 trillion in 2025
P2 [factual]: 177 funds with R$ 55 billion had no audit or were unauditable
P3 [causal]: Lack of taxation on closed funds causes creation of a tax haven environment
P4 [causal]: Use of funds in fraudulent structures causes hiding wealth and money laundering

=== Causal Graph ===
lack of taxation on closed funds -> creation of a tax haven environment
use of funds in fraudulent structures -> hiding wealth and money laundering

All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.

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