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Rubio baixa tom com Europa e centra discurso em xenofobia e negacionismo climático - Brasil de Fato

brasildefato.com.br By Rodrigo Gomes 2026-02-14 679 words
Após uma longa escalada retórica nos últimos meses, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, baixou o tom e defendeu a cooperação entre os EUA e a Europa, mas de forma a atingir objetivos claros do governo de Donald Trump: endurecer as regras de imigração, esvaziar as ações contra mudanças do clima e livre comércio.

"Nós na América não temos nenhum interesse em sermos os cuidadores educados do declínio do Ocidente. Não buscamos nos separar, mas revitalizar uma antiga amizade e renovar a maior civilização da história humana", afirmou Rubio. O tom é muito diferente do adotado no ano passado pelo vice-preisdente dos Estados Unidos, JD Vance.

E dialogou com o chanceler alemão, Friedrich Merz, que no discurso de abertura da conferência disse que os Estados Unidos, agindo sozinhos, atingiram os limites de seu poder e podem já ter perdido seu papel de liderança global. Em discurso concebido para estabelecer um tom firme, porém conciliatório, sobre o futuro da parceria transatlântica, Merz argumentou que a velha ordem chegou ao fim e que, nesta nova era de superpotências, até mesmo os EUA estavam atingindo os limites de sua atuação isolada.

"Receio que devamos ser ainda mais diretos. Essa ordem, por mais imperfeita que tenha sido mesmo em seus melhores momentos, não existe mais nessa forma. Na era da rivalidade entre grandes potências, nem mesmo os Estados Unidos serão fortes o suficiente para seguir sozinhos. Caros amigos, fazer parte da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] não é apenas uma vantagem competitiva para a Europa. É também uma vantagem competitiva para os Estados Unidos", disse Merz.

Rubio, inclusive, referendou discursos anteriores, defendendo a reindustrialização dos países e a criação de cadeias de suprimento que acabem com qualquer dependência da China, além de reforçar o discurso de que a Europa precisa ter os meios para se defender, em referência à guerra entre Rússia e Ucrânia.

O discurso era um dos mais esperados da Conferência, após meses de tensões entre EUA e Europa, sobretudo após o presidente estadunidense Donald Trump afirmar que queria anexar a Groenlândia, ilha do oceano Ártico que pertence à Dinamarca.

O governo Trump alega que a região é estratégica para a segurança dos Estados Unidos, além de ser uma forma de controlar a navegação de países como China e Rússia. Trump chegou a ameaçar ocupar militarmente a ilha e impor novas tarifas contra países que não apoiassem a anexação.

Mas, neste sábado, Rubio abandonou essa retórica e convidou a Europa a um alinhamento "pelo futuro".

"Sob o presidente Trump, os EUA irão mais uma vez assumir a tarefa de renovação e restauração, movidos por uma visão de um futuro tão orgulhoso, vital e soberano como nossa civilização do passado. E enquanto estamos preparados para fazer isso juntos, é nossa preferência, e esperança, fazer isso conjuntamente com vocês, nossos amigos da Europa. Porque os EUA e a Europa devem estar juntos", disse.

No entanto, Rubio não deixou a xenofobia, o discurso negacionista sobre mudanças do clima e o protecionismo econômico. Acusou que grande parte dos problemas enfrentados por EUA e Europa atualmente são justamente consequência da imigração, do livre mercado e política excessivas de proteção ambiental.

Segundo o secretário de Estado, houve uma terceirização da soberania para organizações internacionais e uma visão dogmática de livre comércio, enquanto a "imigração massiva" nos EUA quanto na Europa "ameaça a coesão das sociedades e a continuidade da cultura Ocidental".

Ignorando a atuação dos próprios Estados Unidos no esvaziamento e descrédito da Organização das Nações Unidas (ONU), Rubio defendeu uma reforma nos organismos multilaterais, que hoje estão sem resposta aos problemas mundiais.

"A ONU ainda tem tremendo potencial para ser uma ferramenta para o bem no mundo. Mas não podemos ignorar que hoje, nos assuntos mais críticos, ela não tem respostas e não teve praticamente nenhum papel", afirmou.

A Conferência de Segurança de Munique segue até este domingo (15). Ao todo, mais de 60 chefes de Estado e de governo e cerca de 100 ministros das Relações Exteriores e da Defesa viajaram a Munique em meio a fortes medidas de segurança.

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