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Foliões se dividem entre transporte público e aplicativos para chegar até os blocos em BH

otempo.com.br By Érika Giovannini 2026-02-14 1032 words
O transporte público foi a escolha de muitos foliões para chegar ao Centro de Belo Horizonte neste sábado (14/2) e aproveitar as dezenas de blocos que arrastaram multidões pelas ruas da cidade. A partir da região central, a maioria optou por fazer deslocamentos a pé entre os blocos.

A nutricionista Luana Alves Barbosa, de 25 anos, veio do Rio de Janeiro e está hospedada no bairro Carlos Prates, na região Noroeste da capital. Para acompanhar o Bloco da Calixto, ela utilizou o metrô até a estação Central e, de lá, seguiu para a avenida Amazonas.

"Minha primeira vez aqui. Estou achando muito seguro e organizado. Eu sabia que aqui era o melhor Carnaval do Brasil, mas vim conferir. No Rio é muito conturbado o trânsito no Carnaval. Aqui estou achando muito tranquilo", afirmou.

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Entre os turistas hospedados na área central, a caminhada foi a alternativa mais comum. O educador físico Pedro Daniel, de 28 anos, veio de Araxá, no Alto Paranaíba, com amigos e fez todo o trajeto a pé. "É bom que já faz um cardio", brincou.

Moradora de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a estudante de logística Luiza Guerra, de 22 anos, também utilizou o transporte público para chegar ao Centro. "Foi rápido. Chegamos rápido, estava vazio, conseguimos sentar. Todo mundo cantando, feliz. Recomendo muito", relatou.

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Com estações próximas a vários pontos de concentração de blocos na capital, os trens do metrô receberam um público grande e animado, que fazia festa mesmo antes de chegar aos blocos. Desembarques na Estação Central, Santa Efigênia ou Santa Tereza deixavam os foliões já bem perto do ritmo da folia.

Caso de quem escolheu o "Quando come se lambuza", com concentração na Praça Sete e cortejo pela avenida Afonso Pena, ou seja, fácil acesso pelo metrô. Os trens também ajudaram quem preferiu se divertir ao som do Bloco Volta Belchior, concentrado na avenida dos Andradas, 3.560, no Pompeia, na região Leste de BH.

Mas teve quem preferiu a comodidade de seguir em carros de aplicativos, se deparando, em alguns trechos, com trânsito mais lento, como na avenida do Contorno e em algumas ruas do hipercentro por conta das interdições e da concentração dos foliões.

Foi o caso do analista ambiental Cristiano Fernandes, de 31 anos. Ele saiu do bairro da Graça, região Nordeste da capital, acompanhado de quatro amigos turistas de Brasília e seguiu até o Bloco Volta Belchior por aplicativo. Segundo ele, o deslocamento foi rápido, apesar de um pequeno trecho de lentidão. "Não tinha muito trânsito, só um pouco ali na altura do Santa Tereza. Mas chegamos rápido, foi bem tranquilo", contou.

Houve, entretanto, quem foi de carro próprio, como a jornalista e produtora de conteúdo Mari Almeida. Apesar da "ousadia", ela conta que se planejou para chegar com antecedência e, com isso, conseguiu estacionar em um shopping nas proximidades do Centro.

"Se eu pudesse dar alguma dica é sempre tentar chegar cedo nos blocos, para tentar ficar perto da corda. Nós viemos de carro e a gente conseguiu parar no estacionamento do shopping, mas é porque a gente se planejou, a gente veio bem cedo e o Álvaro (namorado dela) também não bebe", explicou.

Enquanto uns se divertem...

Enquanto os foliões aproveitam o Carnaval para curtir a festa dos blocos nas ruas, o motorista de aplicativo Luiz Carlos Alves da Silva, de 42 anos, pensa em complementar a renda. Segundo ele, devido à alta demanda com a cidade cheia, o aplicativo oferece melhor bonificação aos motoristas disponíveis.

"É uma boa oportunidade porque, por exemplo, nos locais com muitas chamadas por corrida, recebemos bonificação. Já vi pagar até R$ 35 a mais por viagem. Imagina: quatro dias, várias horas por dia", avalia.

Ele está animado, por exemplo, com a possibilidade de conseguir uma bonificação de cerca de R$ 100 ao completar mais de cinco corridas seguidas. Apesar da perspectiva de lucro, Luiz Carlos ainda avalia se passará mais tempo em Belo Horizonte ou em Lagoa Santa, na Região Metropolitana, onde acredita conseguir evitar transtornos no trânsito e outras surpresas.

"Infelizmente, no Carnaval também ocorrem confusões. Acontece de entrarem passageiros bêbados no carro, derramarem bebida e colocarem nossa segurança em risco. Em Lagoa Santa, a festa é menor, então os riscos também são menores. Mas devo ficar entre lá e cá", disse.

Já Rodinei Vieira, de 50 anos, não pretende alterar a rotina por causa da folia. Neste sábado (14/2), ele saiu de casa no mesmo horário de sempre, às 7h, mas só aceitou a primeira corrida para o Centro quase ao meio-dia. "Estou trabalhando porque preciso trabalhar. O que render, rendeu. Não vou estabelecer meta nem ficar pensando nisso", afirmou.

Apesar de colegas relatarem corridas mais lucrativas neste período, Rodinei diz que não compensa ir para a região central. Na verdade, durante o Carnaval, ele prefere evitar a área. "Fica tudo muito congestionado. Às vezes, a gente aceita a corrida e precisa contornar vários quarteirões para chegar ao destino".

Dar voltas por causa dos bloqueios também foi uma das principais dificuldades enfrentadas pela motorista de aplicativo Nilma Ferreira, de 51 anos. Há menos de uma semana na profissão, ela começou a dirigir para complementar a renda e encontrou obstáculos neste sábado de Carnaval.

"Aceitei uma corrida na Pampulha, mas, para chegar onde o passageiro estava, precisei rodar oito quilômetros e fazer o retorno para encontrá-lo na esquina. Quando cheguei, a rua estava bloqueada e ele ficou do outro lado. Esperei por dez minutos", relatou. Mesmo após o esforço para chegar ao ponto de encontro, Nilma precisou cancelar a viagem.

Apesar da experiência frustrante, ela atribui a situação à falta de prática com os aplicativos. "Com o tempo vou ganhar mais confiança para pedir que a pessoa venha até mim", afirmou. De forma geral, no entanto, a motorista avaliou o trânsito como tranquilo e com fluxo organizado, mesmo nas regiões com interdições. "Tem pontos que nem parece que está tendo Carnaval. Onde tem bloco, a gente passa um pouco mais de dificuldade, mas, no restante da cidade, nem parece que há algo acontecendo".

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