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'Às Benzedeiras' desfila na região da Pampulha trazendo a força da religião como estandarte

otempo.com.br By Milena Geovana 2026-02-14 384 words
Com uma energia bem diferente da área central, os blocos de bairro trazem um clima mais familiar ao Carnaval de BH. Crianças correndo pela rua, latidos de cachorro e música tocando em frente às casas marcaram a concentração do bloco Às Benzedeiras, que desfilou pelas vias do bairro Glória, na região Noroeste, neste sábado (14/2).

Com forte ligação com rituais sagrados e espiritualidade, o bloco completa dez anos homenageando mulheres da comunidade que sempre utilizaram seus saberes para abençoar outras pessoas. "O bloco é esse resgate de memória, de resiliência, de juntar pessoas para falar de benzeção, dessa coisa mística, desse encontro com o sagrado. E, a partir dele, a gente pode ter transformação", explica o fundador, Reygson Max Parreiras.

O grupo nasceu de forma improvisada. A ideia inicial era reunir mulheres benzedeiras do bairro e celebrar seus saberes. Depois, o fundador começou a convidar outras pessoas para ampliar a homenagem e transformar o encontro em cortejo. O improviso, aliás, ainda é uma marca do bloco e motivo de orgulho. Quem quiser tocar no dia pode participar. Um músico mais experiente guia os instrumentos de percussão, acompanhados também por sopros. Neste ano, o bloco também ganhou uma nova integrante: uma boneca gigante representando uma benzedeira, segurando um ramo de ervas na mão. A personagem acompanhou todo o cortejo, dançando ao som das marchinhas tocadas pelo grupo.

O ponto alto do desfile aconteceu logo no início, com o tradicional benzimento dos foliões. A concentração começou na rua Nínive, 448, onde funciona o terreiro de candomblé angola Nzo Kuna Lemba, que apadrinhou a iniciativa e realiza o ritual de bênção. Quando o cortejo passa em frente ao terreiro, filhos de axé da casa utilizam folhas sagradas enquanto cantam e abençoam o público.

"Tem tudo a ver. A gente faz essa junção do sagrado com o profano, oferecendo essa bênção por meio das folhas litúrgicas. É um benzimento para tirar mau-olhado, afastar energias ruins e dar força para continuar o Carnaval de 2026", explica Tata Lefunanga, pai de santo da casa.

O desfile percorreu rapidamente as ruas do bairro e, em menos de uma hora, chegou ao ponto final, na rua João Ramalho, 122. No local, foliões aguardavam para encerrar a festa, onde foi montada uma estrutura com tenda para músicos convidados e brinquedos para as crianças.

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