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Morte do cão Orelha leva Câmara a propor 25 projetos contra maus-tratos a animais

revistaoeste.com By Eugenio Goussinsky 2026-02-15 1310 words
A morte do cão Orelha, em Florianópolis, depois de sofrer agressões, desencadeou uma reação imediata no Câmara dos Deputados: parlamentares apresentaram 25 propostas legislativas relacionadas à proteção animal e à responsabilização de menores envolvidos em maus-tratos, relata o portal da Câmara.

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Entre as iniciativas está o PL 41/26, apresentado pela deputada Rosana Valle (PL-SP), que prevê a internação de crianças ou adolescentes responsáveis por atos de extrema crueldade contra animais. A proposta modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e teve o regime de urgência aprovado pelo plenário na segunda-feira 9.

A Câmara aprovou um requerimento que pede urgência na votação do Projeto de Lei (PL) 41/2026 da deputada Rosana. O PL prevê a internação de menores de idade que pratiquem violência contra animais. O texto altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e vem como resposta à comoção nacional pela morte do cão comunitário.

"Infelizmente, a crueldade contra o cão Orelha suscitou as discussões sobre quais medidas poderiam ser imputadas a adolescentes que cometem crimes contra animais", afirmou a deputada liberal, que está em seu segundo mandato em Brasília e é presidente da Executiva Estadual do PL Mulher em São Paulo. "Se identificados, hoje, os autores não poderiam ser internados e cumpririam medidas socioeducativas brandas, livremente. É necessário, desta forma, fazer uma complementação ao ECA."

Orelha era um cão comunitário cuidado por moradores da Praia Brava. A polícia formalizou acusação contra um adolescente pelo ataque. Outros quatro jovens, também citados no episódio, teriam tentado matar outro cachorro, chamado Caramelo, ao lançá-lo no mar, segundo a polícia.

Na sexta-feira, 13, o corpo do cão Orelha foi exumado depois de pedido do Ministério Público de Santa Catarina(MP-SC) autorizado pela Justiça. O órgão considerou que o material reunido pela Polícia Civil apresentava lacunas que impediam as promotorias de formar opinião sobre o que houve.

O diagnóstico do veterinário que atendeu o animal foi a base do laudo da Polícia Civil. O veterinário constatou que a morte de Orelha foi causada por um golpe na cabeça por objeto contundente. O pedido de internação provisória do adolescente foi postergado até a conclusão das novas investigações. O tema, no entanto, gerou um importante debate sobre punições para maus-tratos a animais.

De forma geral, os projetos apresentados buscam ampliar punições para adolescentes envolvidos em violência contra animais, sobretudo cães e gatos domésticos ou comunitários. Hoje, o ECA prevê internação apenas quando o ato infracional envolve ameaça ou violência contra pessoas, sem referência a animais.

Outra proposta, o PL 48/26, de autoria do deputado Zacharias Calil (União-GO), estabelece internação quando o ato equivalente a maus-tratos resultar na morte do animal.

Já o PL 161/26, da deputada Maria do Rosário (PT-RS), institui a chamada "Lei Cão Orelha", reconhecendo cães e gatos domésticos como seres sencientes com direitos próprios e incluindo esse entendimento no Código Civil.

Leia mais: "Ataque ao cão Orelha gera debate no meio político"

Outra proposta, o PL 7/26, apresentada pelos deputados Delegado Matheus Laiola (União-PR), Delegado Bruno Lima (PP-SP) e Fred Costa (PRD-MG), estabelece regras de proteção integral aos chamados animais comunitários, aqueles que vivem em espaços públicos ou em áreas comuns de locais privados, como condomínios, situação em que se enquadrava Orelha.

Veja os projetos relacionados à morte do cão Orelha

PL 161/26, da deputada Maria do Rosário (PT-RS) – cria a Lei Cão Orelha, que reconhece cães e gatos domésticos como seres sencientes sujeitos de direito.

PL 5/26, dos deputados Delegado Matheus Laiola (União-PR) e outros – institui o Dia Nacional do Animal Comunitário Cão Orelha, a ser celebrado anualmente em 4 de janeiro.

PL 110/26, do Fausto Pinato (PP-SP) – cria a Lei Cão Orelha, que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para incluir a prática de atos de extrema crueldade ou violência grave contra animais como hipótese de internação.

PL 21/26, do deputado Bruno Ganem (PODE-SP) – altera o ECA para fortalecer o regime de responsabilização de adolescentes autores de ato infracional análogo a crime de maus-tratos contra animais (Lei Cão Orelha).

PL 206/26, do deputado Ely Santos (Republicanos-SP) – aumenta a pena cominada aos crimes de maus-tratos contra animais (Lei Cão Orelha).

PL 22/26, da deputada Dayany Bittencourt (União-CE) – altera o Estatuto da Criança e do Adolescente para criar a "Lei Cão Orelha", visando a punição de atos infracionais contra animais.

PL 299/26, do deputado Alex Manente (Cidadania-SP) – aumenta em 1/3 a pena para quem matar animais com uso de tortura ou outro meio cruel e cria o Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Crimes de Maus-Tratos a Animais.

PL 284/26, do deputado Defensor Stélio Dener (Republicanos-RR) – institui normas gerais para o reconhecimento e a proteção de cães e gatos comunitários, define diretrizes de identificação, cuidado sanitário, responsabilidade comunitária e cooperação entre os entes federativos.

PL 41/26, da deputada Rosana Valle (PL-SP) – altera o ECA para prever a possibilidade de aplicação da medida socioeducativa de internação nos casos de ato infracional praticado com extrema crueldade contra a vida de animal não humano.

PL 4/26, do deputado Leo Prates (PDT-BA) – altera o ECA para incluir a prática de atos de extrema crueldade ou violência grave contra animais como hipótese de internação.

PL 389/26, do deputado Célio Studart (PSD-CE) – altera o ECA para permitir a aplicação da medida de internação em casos de atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos aos animais, quando praticados com requintes de crueldade.

PL 7/26, dos deputados Delegado Matheus Laiola (União-PR) e outros – estabelece a proteção integral dos animais comunitários (Lei Cão Orelha).

PL 115/26, do deputado Da Vitoria (PP-ES) – altera o ECA para incluir a prática de violência extrema contra animais como hipótese de aplicação da medida socioeducativa de internação.

PL 358/26, do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM) – altera o ECA para tipificar o tratamento de atos infracionais contra a vida e a integridade animal.

PL 14/26, do deputado Felipe Becari (União-SP) – dispõe sobre o bem-estar e a proteção animal no âmbito da Política Nacional de Educação Ambiental.

PL 45/26, do deputado Felipe Becari (União-SP) – altera o ECA para aperfeiçoar as respostas socioeducativas aplicáveis a adolescentes que pratiquem maus-tratos, violência ou sofrimento imposto a animais.

PL 121/26, do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ) – institui a Lei Nacional de Combate e Prevenção à Crueldade contra Animais Comunitários.

PL 286/26, do deputado Capitão Alden (PL-BA) – estabelece medidas de promoção do reconhecimento, do respeito, da responsabilidade e do convívio cuidadoso com os animais na educação ambiental.

PL 273/26, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) – agrava as penas dos crimes de crueldade contra animais, tipifica a instigação e a exploração digital dessas condutas e disciplina a responsabilidade administrativa e civil de provedores de aplicações de internet.

PL 135/26, do deputado Lula da Fonte (PP-PE) – altera o ECA para qualificar atos infracionais de extrema gravidade, incluir a violência contra animais e estabelecer as hipóteses de internação compulsória.

PL 39/26, do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) – altera o ECA para incluir os atos infracionais de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação de animais e endurecer a hipótese de internação.

PL 383/26, dos deputados Mario Frias (PL-SP), Fred Linhares (Republicanos-DF) e Delegado Bruno Lima (PP-SP) – dispõe sobre a punição para crimes de maus-tratos a animais, tornando-os hediondos e imprescritíveis.

PL 10/26, dos deputados Delegado Bruno Lima (PP-SP) e Delegado Matheus Laiola (União-PR) – inclui no ECA a hipótese de internação para atos infracionais de maus-tratos a animais e prevê atendimento psicológico ao término da medida.

PL 397/26, do deputado Fausto Jr. (União-AM) – altera a legislação pertinente para dispor sobre a responsabilização do menor de idade autor de maus-tratos a animais.

PL 6/26, do deputado Delegado Matheus Laiola (União-PR) e outros – proíbe a guarda, posse e propriedade de animais por condenados por maus-tratos e cria o Cadastro Nacional de Pessoas Impedidas.

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