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De Rita Lee a Carolina de Jesus: segunda noite de desfiles na Sapucaí celebra ícones da cultura brasileira - Brasil de Fato

brasildefato.com.br By Leonardo Fernandes 2026-02-16 456 words
No segundo dia de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (16), quatro escolas vão cruzar a Marquês de Sapucaí com homenagens a ícones da cultura brasileira, como Rita Lee e Carolina Maria de Jesus, e uma celebração à fé dos povos originários de África.

A Mocidade Independente de Padre Miguel é a primeira a desfilar, às 22h. A escola homenageia a cantora Rita Lee e mostra sua caminhada artística como um símbolo de independência e rebeldia.

"Rita Lee, a padroeira da liberdade" é o tema do enredo do carnavalesco Renato Lage. "Sou independente, fácil de amar, livre de qualquer censura. Vem, baila comigo, só de te olhar posso imaginar loucuras", diz a letra do samba-enredo que parafraseia grandes sucessos da cantora que morreu em 2023.

Em seguida, a Beija-Flor de Nilópolis deve surgir na pista a partir das 23h20. A escola azul e branca apresenta o Bembé do Mercado, uma manifestação religiosa do Recôncavo Baiano que celebra o Candomblé em local público.

"Põe erva pra defumar, um ebó pra proteger, saraiéié bokunan, saraiéié! Nosso povo é da encruza arte preta de terreiro, é mistura de cultura, multidão de macumbeiro", diz o samba que será interpretado na avenida por Nino do Milênio e Jéssica Matin, depois da aposentadoria do histórico intérprete da escola de Nilópolis, Neguinho da Beija-Flor.

A Unidos do Viradouro será a terceira a cruzar o sambódromo, com entrada prevista para as 0h55. O tema escolhido exalta a vida de Mestre Ciça, comandante da bateria da escola, revisitando sua influência no ritmo do Carnaval carioca. "Pra cima, Ciça" é o título do enredo da escola do carnavalesco Tarcísio Zanon.

"Quando o apito ressoa, parece magia, num trem caipira, no olhar da baiana, medalha de ouro, suingue perfeito que marca no peito da escola de samba", diz o refrão do samba-enredo da Viradouro.

Para finalizar o segundo dia de desfiles, a Unidos da Tijuca entra na avenida entre 2h30 e 3h. A agremiação conta a trajetória da escritora Carolina Maria de Jesus, destacando sua produção literária e a resistência diante das dificuldades enfrentadas por ela, e inspiraram muitas reflexões à autora de O quarto de despejo.

"Eu sou filha dessa dor que nasceu no interior de uma saudade. Neta de preto velho que me ensinou os mistérios, bitita cor, retinta verdade, me chamo Carolina de Jesus, dele herdei também a cruz", diz o samba-enredo.

"Os olhos da fome eram os meus. Justiça dos homens, não é maior que a de Deus. Meu quarto foi despejo de agonia, a palavra é arma contra a tirania", canta o refrão.

A apuração das notas das escolas vai acontecer na tarde da quarta-feira de cinzas (18), na Cidade do Samba.

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